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Começa a revitalização do Parque Linear Mauá, em São Leopoldo

Trecho entre a rua Presidente João Goulart e a avenida John Kennedy deve ser concluído até o final do ano

Mutirão realizado no sábado, 26, disparou o processo de revitalização do Parque Mauá. Foto: Mailsom Portalete/Beta Redação

Mutirão realizado no sábado, 26, disparou o processo de revitalização do Parque Mauá. Foto: Mailsom Portalete/Beta Redação

O Parque Linear Mauá, localizado sob a plataforma do trem que percorre a Avenida Mauá, em São Leopoldo, está em processo de revitalização. Através de uma parceria entre o poder público e a iniciativa privada, o trecho de 1,2 km situado entre a rua Presidente João Goulart e a avenida John Kennedy, no bairro Padre Reus, passará por um processo de reformas e limpeza. O objetivo é que o espaço, que conta com ciclovia, aparelhos para ginástica, quadras esportivas e duas pracinhas infantis, possa ser melhor aproveitado pela população.

O local foi adotado pelo Grupo Solidez (empresa de consultoria e assessoria para outras empresas) dentro do projeto de Revitalização Urbana – uma ação desenvolvida pela Secretaria de Serviços Públicos (Sesp), que já proporcionou a adoção de 85 espaços públicos na cidade. Para acolher algum dos locais disponíveis, é necessário assinar um termo de cooperação com a prefeitura, que define as responsabilidades do adotante como o ajardinamento, capina do meio-fio, manutenção periódica e o prazo da parceria.

Mudança de cenário no Parque

A estrutura do Parque Mauá está bastante danificada: a maioria das goleiras e cestas de basquete foram arrancadas – as que permanecem estão tomadas pela ferrugem – não existem redes e apenas uma das três quadras mantém o cercamento. O campo de vôlei não tem mais a rede e divide o espaço com o mato; a pintura das construções foi substituída por um composto de limo, sujeira incrustada e tinta de pichações.

Nas pracinhas, madeiras apodrecidas e hastes de ferro enferrujadas oferecem perigo para as crianças. Sujeira, pedras britadas esparsas no chão, mato e pouquíssimas árvores compõem o restante do ambiente. Entretanto, desde o último sábado, 26, esse cenário começou a mudar. A parceria firmada na sexta-feira, 18, entre o Grupo Solidez e a prefeitura municipal, deu seus primeiros passos em um mutirão para a limpeza do parque.

Na primeira ação para recuperar a vitalidade do Parque Mauá, Grupo Solidez e comunidade se uniram para fazer a limpeza. Foto: Mailsom Portalete/Beta Redação

Na primeira ação para recuperar a vitalidade do Parque Mauá, Grupo Solidez e comunidade se uniram para fazer a limpeza. Foto: Mailsom Portalete/Beta Redação

Com o auxílio de um caminhão do Serviço Municipal de Água e Esgotos (Semae) foi realizada uma limpeza em todo o canteiro. Além de recolher todo o lixo, os participantes cortaram parte do mato, iniciaram a pintura de algumas estruturas e plantaram mudas de árvores.

“A próxima etapa, já na semana que vem, será a pintura completa de todas as construções. Não posso esperar que o poder público tome a iniciativa em tudo. Nós, como cidadãos, também podemos fazer a diferença. Seja na revitalização de um parque como este ou na simples limpeza de um terreno baldio na frente de casa”, explica o presidente do Grupo Solidez, Leomar Gilberto da Silva.

As complicações do abandono

Os ares de abandono e o aspecto sujo do parque preocupam a professora universitária Elisiane Lorenzini, 38 anos. Ela frequenta o parque diariamente, acompanhada da filha pequena. “Alguns amigos se surpreendem ao saber que utilizo bastante o Mauá. Me questionam sobre a segurança, já que é comum ver moradores de rua por aqui. Eles não oferecem nenhum risco a nossa segurança. Mesmo assim, é errado eles estarem aqui. Devia ter um albergue para acolher essas pessoas”, desabafa.

Elisiane diz ser bastante cautelosa em relação aos perigos da região. “Venho frequentemente ao Parque Mauá, entretanto, nunca trago equipamentos eletrônicos. Mas, apesar do abandono, ele ainda é um dos espaços públicos em melhor conservação na cidade. Moro aqui há mais de 10 anos, quando ainda nem havia o parque, e é a primeira vez que vejo alguém limpando”, declara. Para a professora, se o local fosse mais bem cuidado, seria mais seguro.

Ladí da Rosa, 58 anos, é dona de casa e moradora da região de Lomba Grande, em Novo Hamburgo. Mesmo com a distância entre sua residência e o parque, ela utiliza o espaço periodicamente, devido às visitas que faz a seus parentes. “Sempre que venho para cá gosto de caminhar. É bom de andar aqui porque tem sombra e esse calorão me faz mal”, comenta.

Ex-moradora de São Leopoldo, Ladí relembra que a conservação é também dever da comunidade. “Eu morei no bairro Feitoria, havia uma praça perto da minha residência, mas vivia sendo destruída. Tinha muitas pessoas que vinham fazer uso de drogas, quebravam tudo à noite, ainda tenho um conhecido lá. Agora ele vive em frente do lugar, que só dura porque ele está cuidando. Eu acho que as próprias pessoas tem que cuidar, manter conservado o parque”, opina.

O papel da iniciativa pública, privada e da comunidade

Cristiane Marconato, coordenadora da Diretoria de Revitalização Urbana da Sesp, salienta que o projeto procura despertar um senso de cidadania nas pessoas. Segundo ela, o Departamento de Comunicação (Decom) sempre publica matérias, a respeito das revitalizações, com o intuito de instigar a iniciativa privada e a comunidade a participarem do processo.

“Quando as pessoas começam a ver o resultado de parcerias consolidadas, surge a vontade de aderir”, enfatiza. Cristiane detalha como a ação funciona. “Nesse projeto, sem nenhum custo para o município, a empresa entra com o investimento tanto para limpeza, manutenção e conservação, em troca de uma placa padronizada de publicidade. Essa propaganda pode ser fixada a cada 40 metros desde que não interfira na mobilidade urbana. Pessoas físicas também podem adotar. É um contrato simples, quando a parte não tem mais condições de arcar com os custos, pode rescindir sem nenhuma multa ou ônus”, esclarece.

Placa indica melhorias que serão implementadas no local. Foto: Mailsom Portalete/Beta Redação

Placa indica melhorias que serão implementadas no local. Foto: Mailsom Portalete/Beta Redação

Juntamente a representantes do Grupo Solidez e outros órgãos da prefeitura, a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Semel) realizou uma vistoria no Parque Mauá para definir as diretrizes do empreendimento. De acordo com o titular da pasta, Fábio Leandro Maciel, a opção foi por manter o que já existe e ampliar. “Dentre os procedimentos acertados estão a reforma e cercamento das quadras, a instalação de uma academia pública e a construção de estruturas para a prática do skate”, destaca. Assim que a revitalização estiver concluída, a Secretaria pretende utilizar o espaço para a promoção de atividades no verão como, por exemplo, a Caravana do Esporte.

Com cerca de 90 empresas parceiras, o Grupo Solidez pretende convidar não apenas seus associados, mas também outras entidades de São Leopoldo para cooperar com a ação. “Não somente empresas, mas pessoas físicas também. Estão todos convidados para se juntar a nós”, assegura Leomar, presidente do Grupo.

Para Gregório Pereira Melo, diretor de marketing do Solidez, o principal interesse da empresa, no empreendimento, é social. “Quando soubemos dessa possibilidade pensamos que seria algo para realmente ajudar a comunidade. O presidente do Grupo veio de uma origem humilde e sempre foi bastante ligado ao esporte. No passado, ele não tinha acesso a um local onde pudesse ter essa prática esportiva. Agora, em melhores condições, ele viu que aqui é um lugar em para possibilitar essa prática para as pessoas”, conclui.

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