Esporte

Treinos adaptados preparam os atletas paralímpicos

A acessibilidade está nas rampas de acesso, nas vagas preferenciais dos estacionamentos, dos ônibus, nos bebedouros mais baixos, nas placas em braille e no respeito com a deficiência visual, de audição, de fala e de locomoção. Mas nada disso impede uma pessoa com deficiência de competir no torneio mais importante do mundo. Vice-campeão paralímpico nos Jogos de Londres 2012 com a seleção brasileira de goalball, Alex Celente pratica esse esporte desde os oito anos. “Gostava de jogar em qualquer tempo livre, assim como qualquer um joga futebol nos intervalos”, conta o atleta, que ficou tão apaixonado que não conseguiu escolher outra profissão.

A modalidade de goalball teve sua estreia nos Jogos Olímpicos de Toronto, em 1976, e necessita de total silêncio durante a partida. Todos os competidores devem estar vendados e as equipes – compostas de três jogadores – devem lançar a bola para marcar os pontos no campo adversário. Segundo Alex, as regras básicas do goalball são: os 10 segundos e o highball. Ele explica que a primeira regra estabelece que “a bola tem que voltar para a equipe adversária antes que se passem 10 segundos”, e a  segunda, que “depois que a bola sai da mão do jogador tem que bater antes da linha dos 6 metros”.

 

Alex Celente pratica o Goallball desde os oito anos de idade. Foto: Acervo Pessoal

Alex Celente pratica o goalball desde os oito anos de idade. (Foto: Arquivo pessoal)

 

O preparo físico

A preparação física do atleta paralímpico deve ser condicionada às capacidades dos atletas. “O treinamento, como em qualquer esporte, deve ser específico à modalidade, levando em consideração as técnicas utilizadas durante a realização do esporte em si”, reforça o bacharel em Educação Física e doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano da UFRGS Eduardo Carmona. Para Alex, deficiente visual, a escolha do treinador influencia nos treinos como em qualquer outra modalidade. “Escolha alguém que estude, se dedique, que vista a camiseta, e o time se dará bem”, ressalta.

Todo o cuidado com as dificuldades de locomoção deve ser respeitado e adaptado também nos centros de treinamento. O treino da modalidade paralímpica goalball é baseado nos exercícios de deslizamento, técnicas de defesa, arremesso, reconhecimento de quadra, tática defensiva e de ataque. Eduardo afirma que o ambiente proposto para os exercícios “deve permitir que o atleta se locomova com desenvoltura e saiba se orientar no espaço sem problemas”. Como todos os competidores das paralimpíadas, o preparo dentro da Seleção Brasileira é rígido. “São fases intensas de treino, visando o melhoramento individual e coletivo de cada um”, explica Alex Celente.

Os cuidados com atletas com deficiência existem e precisam ser observados minuciosamente. Primeiro, o treinador precisa ter ciência das limitações do paratleta e pedir sempre o laudo médico. Isso possibilitará uma tabela correta de exercícios correspondentes às restrições, principalmente, ao controle dos remédios, caso seja necessário. “Os atletas com deficiência não devem ser vistos como coitados ou incapazes. Sempre se deve pensar nas suas potencialidades e no que eles conseguem fazer, e ao mesmo tempo explorar isso”, explica o doutor Eduardo Carmona, sobre a relevância no tratamento dos profissionais físicos com os paralímpicos.

 

O doping nas Paralimpíadas

Durante as Olimpíadas, o controle de doping acontece fora e dentro das competições: nas arenas e nos hotéis. O monitoramento realizado pelo Comitê Rio 2016 é feito por meio de fichas preenchidas semanalmente pelos atletas com endereços das viagens programadas, horários de entrada e saída e detalhes das hospedagens, inclusive do cardápio. Existem três critérios para o uso de substâncias barradas no doping: melhorar a performance, prejudicar a saúde e ir contra a ética do esporte.

O professor e especialista em doping e modalidades esportivas olímpicas Alexandre Nunes explica que “qualquer clube, de qualquer modalidade, é filiado à federação e, dessa forma, são controlados pelo doping”, e dessa forma o controle também é feito nas paralimpíadas. “Os caras que correm sem perna fazem 100 metros a 11,2 [11 segundos e dois centésimos]. Os que jogam tênis de mesa sem perna jogam muito melhor que todos nós. Eles são atletas, treinam como atletas, ganham patrocínio como atletas e têm ambições como qualquer outro atleta”, afirma o especialista.

Não há obstáculos que impeçam um atleta de lutar por uma medalha paralímpica, nem mesmo as deficiências. Alex Celente lembra que a melhor sensação de participar de qualquer competição é subir ao pódio. “Representar seu país não é simplesmente estar lá. Milhares de atletas que adorariam estar no seu lugar. Essa responsabilidade significa dar o melhor de si independente do resultado”, declara Alex ao relembrar a participação nos Jogos de Londres e mostrar todo o amor que sente pelo esporte.

Foto: Acervo Pesssoal/Eduardo Carmona

(Foto: Arquivo pessoal, Eduardo Carmona)

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