Economia

Crise e mau tempo afetam vendas no Brique da Redenção

"Nossos produtos não são mais vistos como necessidade", diz artesã

Após um longo período de chuvas e tempo fechado, o sol e a temperatura baixa  levaram milhares de pessoas  a passearem em um dos principais pontos turísticos da capital, o  Parque Farroupilha, que abriga há 39 anos o Brique da Redenção.

O início do Brique é pela rua José Bonifácio e segue até a Osvaldo Aranha. Durante o percurso, o público pode encontrar os produtos  dos artesãos. Muitos deles colocam em suas barraquinhas os dizeres  “compre de quem faz”. Essa prática estimula a economia do microempreendedor e conscientiza o público que passeia pelo local.

Para participar como expositor do brique é preciso realizar um concurso público. E a cada vez que abre uma vaga, é feito um chamamento onde os expositores passam por uma longa triagem. Os organizadores analisam a documentação dos participantes, conferem se eles preenchem os requisitos, visitam seus locais de trabalho e por último, escolhem os expositores que assumirão a vaga disponibilizada no brique. Posteriormente, a divulgação desse expositor é feita por meio de publicação no Diário Oficial da União.

Com a atual crise econômica do país, alguns comerciantes do local encontram dificuldades para realizarem suas vendas. É o caso da artesã Iara Cristina Ledur que expõe há 23 anos no brique. “Eu tenho um ateliê em casa e vendo tanto para atacado quanto para varejo. O Brique da Redenção é minha principal fonte de renda, porém de um ano pra cá, as vendas vêm caindo. Noto que os consumidores não veem mais o que eu vendo como uma necessidade de se ter em casa”, relata a artista, que é natural de Novo Hamburgo.

Iara, que trabalha com palha de milho, recicla o material e mistura com enxofre para conservar as tiras, além de também usar outros elementos recicláveis. Ela comenta que as vendas costumam aumentar em datas comemorativas, e é no fim do ano que consegue tirar um boa grana.  Suas peças, como chaveiros, bonecos e quadros, têm preços que variam entre R$15 e R$60 e encantam os admiradores do artesanato.

Iara Ledur, participa há 23 anos como expositora no Brique da Redenção

Iara Ledur, participa há 23 anos como expositora no Brique da Redenção. Foto: Liane Oliveira/Beta Redação

Diferentemente de Iara, o artista Joelson Chaves, de 51 anos, está há apenas quatro anos no Brique. Ele produz discos de vinil vazados com desenhos. “Atualmente o Brique é minha renda. Porém, viemos de quatro semanas com chuva, então obviamente o orçamento desse mês ficou baixo”, comenta ele, citando também as questões climáticas. Para a praticidade dos clientes, o pagamento de suas mercadorias também pode ser feito com cartões de débito e crédito.  Seus preços variam entre R$30 e R$50.

O Brique da Redenção é a principal fonte de renda do artesão Joelson Chaves. Foto: Liane Oliveira/Beta Redação

O Brique da Redenção é a principal fonte de renda do artesão Joelson Chaves. Foto: Liane Oliveira/Beta Redação

A artesã Márcia Godoy, de 58 anos, trabalha com cartonagem no Brique há 20 anos. Para ela, esse ano está sendo um dos mais complicados desde que  começou a expor no local. “As vendas caíram muito em todo o segmento do país. Aqui na Redenção, por exemplo, estamos tendo dificuldades com o comércio informal. Claro que todo mundo tem que trabalhar, mas a falta de fiscalização acaba prejudicando”, explica.

Márcia começou cedo a trabalhar com artesanato e participar de feiras, mas ultimamente o valor dos espaços acaba se tornando um empecilho para ela. “O artesão dispõe de pouco recurso para bancar feiras de alto custo. Então de certa forma, o brique ainda se torna a principal fonte de renda para todos que aqui expõem”, finaliza. Márcia produz caixas organizadoras e suas peças podem ser encontradas a partir de R$ 15.

Márcia Godoy trabalha com cartonagem há 20 anos. Foto: Liane Oliveira/Beta Redação

Márcia Godoy trabalha com cartonagem há 20 anos. Foto: Liane Oliveira/Beta Redação

 

 

 

 

Lida 551 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.