Política

Coligações políticas: ideologia, projeto ou troca de cargos?

Atualmente, o Brasil conta com 35 partidos de princípios muito próximos

As eleições municipais se aproximam e a diversidade de partidos é imensa. Ao todo, 35 siglas que podem ser escolhidas no pleito deste ano. Tem de esquerda, centro, direita e todas as posições possíveis no espectro ideológico. O impeachment de Dilma Rousseff, polarizou o universo político nacional entre “petralhas” e “coxinhas”, trazendo ainda mais polêmica na alta quantidade de partidos. Afinal, se a polarização é entre direita e esquerda, existe a necessidade de tantos partidos diferentes?

As coligações de municípios ainda nadam contra a maré da política nacional. Esquerda se une com direita, centro com esquerda e direita e por aí vai. Em Canoas, por exemplo, a coligação majoritária de Beth Colombo (PRB), com 14 partidos, tem o Partido Progressista (PP) e o Partido dos Trabalhadores (PT). Siglas totalmente antagônicas ideologicamente, apesar de há pouco tempo estarem abraçadas no governo federal.

Em contraste à pluralidade desta coligação, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) lançou chapa única com o candidato Paulo Sérgio da Silva, também presidente do partido no município. A oposição à direita de Beth, apoiada pelo atual prefeito Jairo Jorge (PT), conta com Busato (PTB) numa coligação de 11 partidos e Felipe Martini (PSDB), que dividem a chapa com os Democratas (DEM).

Por que a sopa de letrinhas se une, já que a maioria dos partidos possuem ideologias tão diferentes?

Professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Yan Carreirão realizou um estudo sobre coligações partidárias em Santa Catarina. Ele explica que a coalizão acontece posteriormente às eleições. “A coalizão geralmente é maior que a coligação. Em 2002, por exemplo, Lula (PT) se elegeu com PL e PCdoB na coligação, mas depois se ampliou a outros partidos com o projeto de coalizão do governo”, explica.

“As grandes coligações vêm antes, na busca de mais votos e eleger os candidatos majoritários. Os vereadores dos partidos coligados puxam eleitores para os prefeitos”, afirma Carreirão. Já os partidos menores lançam candidatos para ganhar novos votantes e fazer com que a sigla cresça para as próximas eleições.

Segundo o professor, quanto maior a coligação, a chance de eleger candidatos aumenta proporcionalmente. Ainda, a grande quantidade de aliados também reforça a chance de partidos menores, chamados “sem ideologia” pelo pesquisador, elegerem vereadores na proporcional. As grandes alianças também se dão para que se tenha mais tempo no horário eleitoral na televisão, definido pela representação partidária na Câmara dos Deputados.

“Fora partidos de extrema esquerda, são poucos os que seguem a ideologia do partido. E isso, para o eleitor é muito ruim de entender a lógica do jogo”, conta Carreirão. Para ele, a população acaba não conseguindo formar uma imagem clara das siglas. Ele também completa que “muitos destes partidos entram nas alianças justamente para conseguir cargos posteriormente”.

Até na hora de condenar as ações de uma gestão, a sopa de letrinhas da política confunde o eleitor. “Fica difícil de associar. A culpa acaba caindo sobre o prefeito e não nos outros partidos que fazem parte daquela administração”, explana.

Contraste de coligações chama atenção em Canoas

Lademir Silveira é presidente do PDT de Canoas e coordenador executivo da coligação do Bloco do Orgulho Municipal (BOM), da candidata Beth Colombo. “É um grupo de pessoas que vem buscando o crescimento na cidade há alguns anos. Há uma miscigenação de partidos. Tem extrema esquerda e extrema direita, mas todos em defesa de um projeto para o desenvolvimento da cidade”, pontua.

Segundo ele, este grande grupo de partidos tem diferenças entre si, mas busca o que é melhor para a cidade. “A administração atual tem 68% de aprovação e boa parte deste bloco esteve atuante durante todo o período da gestão de Jairo Jorge”, conclui o coordenador.

Candidato a prefeito e presidente do PSOL em Canoas, Paulo Sérgio da Silva busca manter o partido na sua própria ideologia. “Defendemos e respeitamos o espectro político. O PT e o PCdoB fogem dos seus ideais. Somos oposição a esse governo”, conta o candidato. De acordo com ele, apesar de Canoas não ter o Partido Comunista do Brasil, a militância apoia a candidatura. O PSTU foi procurado, mas acabou não se coligando à chapa.

“Queremos construir uma candidatura alternativa e não necessariamente precisa ter uma grande coligação” explana. Para o presidente do PSOL, a ideologia de muitos é deixada de lado após as eleições. “Muitos deles não querem nem se eleger e sim negociar um apoio no segundo turno. Isso é muito ruim. A política vira um balcão de negócios e a ideologia é deixada de lado”, critica.

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