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Coletivos destacam trabalhos voltados para mulheres

Iniciativas inserem público feminino em diferentes áreas do mercado de trabalho

Foto: Divulgação/Mulher em Construção)

Foto: Divulgação/Mulher em Construção.

 

Com o objetivo de valorizar, assessorar e conceder espaço para o público feminino no mercado de trabalho, algumas mulheres têm se dedicado à criação de coletivos que buscam integrar o gênero à área profissional.

Foi pensando no empoderamento e na união das mulheres que, em 2015, a alvoradense Ravine Gonçalves criou o Maria Empreendedora. Inicialmente, o projeto era apenas um blog com informações e questionamentos pessoais, até que a proposta se expandiu e hoje se tornou um importante coletivo feminino da cidade de Alvorada. O Maria Empreendedora é um projeto que auxilia mulheres na área corporativa, abordando assuntos que vão do planejamento estratégico às iniciativas colaborativas.

O nome “Maria” foi escolhido por representar todas as mulheres, que é a função do coletivo.”Fiz o blog de uma forma despretensiosa, não esperava que atingiria o resultado e a expressão que tem hoje”, comenta. Por conta do trabalho, Ravine participa de muitos eventos, o que a tornou mais conectada com a cidade onde mora. “Meu trabalho tem o intuito principalmente de atender as dúvidas e tentar ajudar todas as mulheres no ramo profissional. Por aqui, existe uma falta de informação, até por ser uma cidade do interior, e meu coletivo tenta colaborar para sanar essas dúvidas”, conta.

 

Ravine com uma das parceiras do Maria Empreendedora. (Foto: Divulgação/Facebook)

Ravine com uma das parceiras do Maria Empreendedora. (Foto: Divulgação/Facebook)

 

Ela explica que, através do trabalho, pôde perceber inquietações que todas as mulheres compartilham. “Somos todas muito iguais, passamos por situações muito parecidas, e é legal poder compartilhar experiências e dúvidas umas com as outras. A mulher precisa muito desse sentimento de união, de saber que podemos nos ajudar”, observa.

O próximo passo de Ravine é lançar um site do Maria Empreendedora, onde contará com opiniões, colunas  e informações voltadas para mulheres. “A expectativa é de lançar em maio. Por enquanto, continuo utilizando o blog e estou sempre disponível para atender as demandas e conhecer mais mulheres”, aponta.

Voltada principalmente para atender mulheres em vulnerabilidade socioeconômica e com interesse na área da construção civil, a ONG Mulher em Construção surgiu em Canoas no ano de 2006. O projeto tem como objetivo formar e capacitar mulheres para a área da construção civil. “Em 10 anos de trabalho, foram formadas pedreiras, pintoras, carpinteiras, azulejistas, ceramistas… Além das questões técnicas, as mulheres recebem treinamento para desenvolver habilidades de leitura, escrita, interpretação e raciocínio lógico, noções de empreendedorismo, cooperativismo. Também são abordadas questões como sexualidade, autoestima, conceitos, tabus, mitos e paradigmas do universo feminino”, explica Lucia Xavier, diretora executiva do projeto.

Segundo a diretora, a iniciativa quer mostrar que as mulheres também podem ocupar espaços predominantemente masculinos. “Apenas 8,5% das pessoas que trabalham com a construção civil são mulheres, uma média muito baixa. Trabalhamos para quebrar a lógica de que existem lugares só para homens e para mostrar que igualdade de gênero é possível, e é um passo importante para uma sociedade que quer evoluir”, observa.

 

Foto: Divulgação/Mulher em Construção

Foto: Divulgação/Mulher em Construção

Visibilidade feminina por meio de fotografias e relatos

A fotógrafa Sâmara Correia teve uma ideia diferente para dar visibilidade ao público feminino. Natural de Nova Petrópolis, ela se dedica a fotografar apenas ensaios femininos. “Quando comecei a fazer as fotos, há uns cinco anos, praticamente ninguém fazia esses ensaios. No início foi mais difícil, pelo fato de morar no interior, mas hoje sei que meu trabalho é reconhecido”, comenta.

A paixão de fotografar se uniu ao interesse pelas histórias de vida de outras mulheres. “Eu sempre gostei de fotografar mulheres, conhecer suas histórias e fazer novas amigas.Com o tempo fui percebendo que não só as fotografo, mas ajudo também, pois é um tempo que elas tiram para si. O resultado é sempre bacana, a autoestima se eleva, elas se reconhecem diante de si mesmas”, relata.

Além das fotos, Sâmara também tem um espaço na plataforma Medium, onde ela divide histórias e experiências de outras mulheres. O Nua e Crua é um projeto em parceria com a pesquisadora Anamaria Legori. “Criamos um espaço onde qualquer mulher pode enviar sua história, seja ela de luta, superação, medo, preconceito. Fazemos a análise dos textos e escolhemos algumas para contar em forma de texto e fotos”, explica.

Por conta do trabalho, Sâmara reconhece cada vez mais a importância de iniciativas que gerem visibilidade e escutem o público feminino. “Antigamente as próprias mulheres julgavam meu trabalho ou até mesmo quem participava dos ensaios, e isso com o tempo vem diminuído. O espaço para as mulheres a cada dia tem crescido um pouco, mas cada vez mais vamos sendo reconhecidas”, opina.

Foto: Sâmara Correia

Foto: Sâmara Correia

 

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