Cultura

Cinema na essência: salas fora de shoppings oferecem diversidade e qualidade

Espaços do cinema alternativo em Porto Alegre têm seu lugar junto ao público

“Abro a sala. Coloco o filme. Testo. Enquadro a imagem. Faço a recepção do público.” O relato do projecionista da Sala Redenção, Edgar Heldwein, resume sua rotina nos dias de sessão e exemplifica o diferencial dos espaços dedicados ao cinema que não estão localizados dentro de shoppings. No campus central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), assim como em outros seis locais de exibição de filmes caracterizados como “alternativos” em Porto Alegre, o clima é mais intimista do que nas enormes salas focadas em longas do circuito comercial. Há mais proximidade entre o conteúdo das telas e o público, entre os profissionais desses espaços e os filmes e até entre as equipes e os frequentadores. É claro que também existe preocupação com a infraestrutura, com equipamentos, com detalhes técnicos, mas a atenção principal é voltada para a qualidade da programação: a essência do cinema.

“Trabalhamos basicamente com as distribuidoras independentes, com filmes de caráter mais autoral. Nosso público busca esse tipo de programação”, explica a jornalista responsável pela divulgação da Cinemateca Paulo Amorim (da Casa de Cultura Mario Quintana), Mônica Kanitz. Além de promover sessões regulares com lançamentos e ciclos temáticos com obras variadas, alguns dos espaços de cinema abordados nesta reportagem participam de festivais e mostras especiais. Um festival também é a maior atração do Cine Santander: o Fantaspoa – Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre, realizado anualmente, que acontece neste mês.

Já na Sala Redenção, algumas das sessões mais movimentadas, segundo Edgar, foram as da Mostra Tela Indígena, que reúne filmes produzidos por indígenas ou que abordam temas que os envolvem. Outra curiosidade sobre o espaço de cinema da UFRGS é que ele possui projetores da década de 60, aquelas que fazem o barulhinho típico dos cinemas antigos. Atualmente, elas não são usadas com tanta frequência, mas seguem lá como um culto à sétima arte.

Confira, a seguir, mais informações sobre cada espaço de cinema e quais são as programações já definidas para o ano de 2017:

Projecionista da Sala Santander, Edgar destaca a recepção do público como diferencial do espaço. William Szulczewski/Beta Redação

Projecionista da Sala Santander, Edgar destaca a recepção do público como diferencial do espaço. Foto: William Szulczewski/Beta Redação

 

Cine Bancários

A sala de cinema localizada junto à sede do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários) é uma das boas opções de cinema alternativo na Capital. Em 2016, o Cine Bancários atraiu quase 10 mil espectadores, um público considerado fiel pela direção do espaço.

Para este ano, um dos destaques é o projeto Sessão Vitrine Petrobras. São filmes exibidos durante o ano todo, sempre às 17h, e que ficam em cartaz por duas semanas. As produções são as mesmas em todas as salas de cinema que participam do projeto. No Cine Bancários, a escolha dos filmes é realizada por uma curadora, que busca sempre produções nacionais e latino-americanas. Muitas vezes são filmes voltados para temas sociais, como Era o Hotel Cambridge, que fala sobre ocupações, e Martírio, falando da questão indígena, que já estiveram em cartaz no mês de abril.

ENDEREÇO: Rua General Câmara, 424, Centro

CAPACIDADE DA(S) SALA(S): 81 lugares e 2 para cadeirantes

VALOR DOS INGRESSOS: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)

FORMAS DE PAGAMENTO: Dinheiro e cartões (Banricompras, Visa e Mastercard)

FILME(S) MAIS ASSISTIDO(S) NO ANO PASSADO: Aquarius, de Kleber Mendonça Filho

MÉDIA DE PÚBLICO: Não possui esse dado. Em 2016, foram 9.550 espectadores

EQUIPE: 5 pessoas

HORÁRIO DE ATENDIMENTO: Das 9h30min às 18h30min, de segunda a sexta. A programação é de terça a domingo, com sessões às 15h, 17h e 19h (há exceções)

ESTACIONAMENTO: Não.

BOMBONIÈRE: Há um restaurante junto ao local. Não é permitido comer na sala.

Cine Bancários promove sessões na sede do Sindibancários bem no centro de Porto Alegre

Cine Bancários promove sessões na sede do Sindibancários, no Centro de Porto Alegre. Foto: William Szulczewski/Beta Redação

 

Cine Santander

Localizado junto a um dos prédios históricos mais conhecidos da Capital, o Cine Santander trabalha com mostras temáticas mensais e traz para a sua programação produções participantes de eventos tradicionais de cinema em Porto Alegre. Um dos exemplos, que sempre atrai grande e fiel público, é o Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre (Fantaspoa), que acontecerá no mês de maio. De acordo com a assessoria de comunicação do Santander Cultural, como a sala raramente trabalha com estreias de filmes, o público costuma esperar por determinadas mostras.

O Cine Santander atualmente conta com certa facilidade para reproduzir os filmes. Várias produções podem ser colocadas num HD externo ou, até mesmo, em um pen drive. Antigamente, o projecionista da sala tinha de lidar com várias latas de rolos de filmes em 35 milímetros.

ENDEREÇO: Rua 7 de Setembro, 1.028, Centro Histórico

CAPACIDADE DA SALA: 85 pessoas

VALOR DOS INGRESSOS: R$ 10,00 (inteira), R$ 5,00 (para estudantes com comprovante e pessoas acima de 60 anos) e entrada franca para clientes do banco Santander

FORMAS DE PAGAMENTO: Dinheiro e cartões de débito e crédito

FILMES MAIS ASSISTIDOS NO ANO PASSADO: As sessões do Fantaspoa foram as que mais tiveram público, com 2.431 espectadores

MÉDIA DE PÚBLICO: Não possui esse dado. Público total de 2016 foi 12.827 espectadores

EQUIPE: 3 pessoas

HORÁRIO DE ATENDIMENTO: De terça-feira a domingo, com três sessões diárias: às 15h, 17h e 19h

ESTACIONAMENTO: Não tem, mas possui convênio com garagem próxima

BOMBONIÈRE: Não há (não é permitido comer na sala)

Cine do Santander Cultural é bastante procurado em épocas do Fantaspoa. William Szulczewski/Beta Redação

Cine do Santander Cultural é bastante procurado durante o Fantaspoa. Foto: William Szulczewski/Beta Redação

 

Cinemateca Capitólio

Quando anoitece, em Porto Alegre, o letreiro luminoso já anuncia: o Capitólio está aberto. Inaugurado em 1928, o local se tornou a Cinemateca Capitólio no ano de 2015, após ficar cerca de 10 anos em obras.

Neste ano, o espaço receberá alguns festivais e mostras como o É Tudo Verdade, Fantaspoa, Cinema e Direitos Humanos, entre outros. De acordo com a assessoria de imprensa do local, a ideia é promover estreias de alguns filmes de Manoel de Oliveira, Ermanno Olmi, Albert Serra e Lav Diaz. No entanto, um dos filmes mais esperados é Rifle, um longa gaúcho, de Davi Pretto. Segundo a assessoria do Capitólio, a ideia é mesclar clássicos, novos e sessões especiais, para ter uma programação bem diversificada com várias faixas de preço. O espaço tem como missão contemplar o cinema brasileiro e gaúcho, sem esquecer produções mais experimentais que não encontram espaço em outras salas.

ENDEREÇO: Rua Demétrio Ribeiro, 1.085, Centro Histórico

CAPACIDADE DA SALA: 164 lugares mais 4 para cadeirantes

VALOR DOS INGRESSOS: R$ 16,00 (sessões comerciais), R$ 10,00 (mostras, exibições especiais), gratuito (algumas sessões em especial)

FORMAS DE PAGAMENTO: Somente dinheiro

FILME MAIS ASSISTIDO NO ANO PASSADO: Um Dia Muito Especial, de Ettore Scola

MÉDIA DE PÚBLICO: Em 2016, 658 sessões e um público de 12.330 pessoas. Média de 19 pessoas por sessão

EQUIPE: 13 pessoas

HORÁRIO DE ATENDIMENTO: Terça a domingo, das 9h às 21h

ESTACIONAMENTO: Não tem

BOMBONIÈRE: Possui cafeteria no segundo andar, mas é proibido comer dentro da sala

Cinemateca Capitólio foi reaberto em 2015 após 10 anos em obras. William Szulczewski/Beta Redação

Cinemateca Capitólio foi reaberto em 2015 após 10 anos em obras. Foto: William Szulczewski/Beta Redação

 

 

Cinemateca Paulo Amorim (Casa de Cultura Mario Quintana)

Bem no Centro Histórico da Capital, a Casa de Cultura Mario Quintana abriga três salas de cinema. O conjunto, chamado Cinemateca Paulo Amorim, abrange quase 300 lugares e é uma instituição da Secretaria de Cultura do Rio Grande do Sul. Trata-se de salas públicas que atraem centenas de pessoas semanalmente.

Segundo a jornalista Mônica Kanitz, responsável pela programação e divulgação da Cinemateca, o espaço trabalha, basicamente, com as distribuidoras independentes, com filmes de caráter mais autoral. “Nosso público busca esse tipo de programação. Também tento trazer, dentro do possível, filmes com esse perfil que ganharam lançamento comercial nos shoppings e que não teriam exibição em uma sala do centro da cidade e com ingresso barato”, destaca. Neste ano, a Cinemateca Paulo Amorim trará destaques como Eu, Daniel Blake, de Ken Loach, Eu não sou seu negro, de Raoul Peck, e Gaga, o amor pela dança, de Tomer Heymann. Normalmente os filmes mais aguardados são os vencedores de festivais como Cannes, Veneza ou Berlim.

ENDEREÇO: Rua dos Andradas, 762, Centro Histórico

CAPACIDADE DAS SALAS: 150 lugares (Sala Paulo Amorim), 85 lugares (Sala Eduardo Hirtz) e 50 lugares (Sala Norberto Lubisco)

VALOR DOS INGRESSOS: R$ 12,00 (de terça a quinta-feira), R$ 14,00 (de sexta a domingo e feriados). Meia-entrada habitual em todos os dias

FORMAS DE PAGAMENTO: Dinheiro e cartões de débito

FILME(S) MAIS ASSISTIDO(S) NO ANO PASSADO: Aquarius, de Kleber Mendonça Filho

MÉDIA DE PÚBLICO: 4 mil pessoas por mês

EQUIPE: 8 pessoas

HORÁRIO DE ATENDIMENTO: De terça a domingo, das 14h30min às 19h30min

ESTACIONAMENTO: Não

BOMBONIÈRE: Não tem (não é permitido comer dentro da sala)

Casa de Cultura Mário Quintana possui três salas de cinema. William Szulczewski/Beta Redação

Casa de Cultura Mário Quintana possui três salas de cinema. Foto: William Szulczewski/Beta Redação

 

Guion Center

Em uma das principais ruas do bairro Cidade Baixa, estão localizadas as três salas do Guion Center. Um espaço que conta com 300 lugares e que reúne, segundo a direção do local, em sua maioria, um público maduro, de bom poder aquisitivo e bom nível cultural.

Segundo o jornalista e programador do Guion, Carlos Schmidt, não existe uma expectativa de filmes que serão apresentados no espaço durante este ano. No entanto, produções como Os belos dias de Aranjuez, de Wim Wenders, Argentina, de Carlos Saura, e Paterson, de Jim Jarmusch, são nomes que podem agradar o público que frequentará o cinema em 2017. “Antigamente, no tipo de cinematografia em que nos debruçamos, eram os cineastas que atraíam a atenção. Hoje, o conteúdo combinado com a época do mês ou do ano é que atrai público”, ressalta. Segundo Schmidt, a seleção dos filmes apresentados no local é feita com base no gosto pessoal da administração do espaço combinado com o gosto da clientela.

ENDEREÇO: Rua General Lima e Silva, 776, Cidade Baixa

CAPACIDADE DA(S) SALA(S): 117 (Guion Center 1), 110 (Guion Center 2) e 73 (Guion Center 3)

VALOR DOS INGRESSOS: De segunda a quarta-feira: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia); Quinta a domingo e feriados: R$ 24,00 (inteira) e R$ 12,00 (meia); Há também a opção de comprar seis meses de acesso livre por R$ 250,00

FORMAS DE PAGAMENTO: Apenas dinheiro

FILME MAIS ASSISTIDO NO ANO PASSADO: Julieta, de Pedro Almodóvar

MÉDIA DE PÚBLICO: De 70 a 180 (dias comuns) e de 900 a 1.800 (finais de semana)

EQUIPE: 10 funcionários

HORÁRIO DE ATENDIMENTO: Diariamente, com sessões das 13h30min às 21h15min (horário de início da última sessão)

ESTACIONAMENTO: Disponível no Centro Comercial Nova Olaria e no Edifício Spot com desconto para clientes do cinema. R$ 10,00 por até 3 horas.

BOMBONIÈRE: Sim

Localizado em uma das principais ruas do Cidade Baixa, Guion atrai bom público semanalmente. William Szulczewski/Beta Redação

Localizado em uma das principais ruas da Cidade Baixa, Guion atrai bom público semanalmente. Foto: William Szulczewski/Beta Redação

 

Sala Redenção

A única sala 100% gratuita está localizada dentro da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A Sala Redenção é um espaço que atende o público em geral, mas, principalmente, os alunos da faculdade, estudantes de Cinema, aposentados e livreiros. Segundo a coordenadora e curadora do cinema, Tânia Cardoso de Cardoso, a programação do ano ainda está em negociação e por isso não pode ser divulgada.

De acordo com o projecionista da Sala Redenção, Edgar Heldwein, há algum tempo todos os bancos da sala foram trocados e o local possui boas condições para quem quiser assistir aos filmes. Segundo o projecionista, o contato com o público, já que o próprio Edgar promove a recepção da plateia, é um dos diferenciais da sala. “Para mim é muito gratificante”, revela.

ENDEREÇO: Rua Eng. Luiz Englert, sem número, Campus Central da UFRGS

CAPACIDADE DA(S) SALA(S): 208 lugares

VALOR DOS INGRESSOS: Sempre com entrada franca

FORMAS DE PAGAMENTO: Entrada Franca

FILME MAIS ASSISTIDO NO ANO PASSADO: O Olmo e a Gaivota, de Petra Costa

MÉDIA DE PÚBLICO: De segunda a sexta-feira por volta de 25 a 30 pessoas em cada sessão

EQUIPE: 3 pessoas

HORÁRIO DE ATENDIMENTO: De segunda a sexta-feira, às 16h e às 19h

ESTACIONAMENTO: Não

BOMBONIÈRE: Não tem (não é permitido comer dentro da sala)

Sala Redenção possui sempre entrada franca e é localizada junto à UFRGS. William Szulczewski/Beta Redação

Sala Redenção possui sempre entrada franca e é localizada junto à UFRGS. Foto: William Szulczewski/Beta Redação

 

Sala P.F. Gastal

 A sala PF Gastal está localizada em um dos mais conhecidos pontos turísticos de Porto Alegre: a Usina do Gasômetro. Palco de muitas sessões, o espaço passa, atualmente, por um momento delicado. Em virtude do fechamento da Usina, previsto para acontecer em 31 de maio de 2017, e considerando o custo que a prefeitura teria para manter a sala em funcionamento por cinco meses, a atual administração decidiu não retomar as atividades da P.F. Gastal.

De acordo com Beti Tomasi, da Secretaria Municipal da Cultura, isso significa que a sala só voltará a funcionar após o encerramento da obra de restauro, prevista para durar dois anos. Enquanto ficar fechada, mudanças serão realizadas no local. Pelo projeto, a Sala P. F. Gastal mudará de localização na Usina e passará a ser no térreo. “Ainda não sabemos se os equipamentos cinematográficos serão os mesmos, mas a sala será completamente reformulada”, revela Beti.

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