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Cigarro high tech: método para largar ou iniciar com o fumo?

Dispositivos eletrônicos são controversos e não há dados conclusivos de sua eficácia no combate ao tabagismo

Cigarros eletrônicos são tendência na Europa. Foto: KLeBao Oh.

Existem registros históricos que datam do início do cultivo do tabaco em 6000 a.C. Ele está entre nós há muito tempo. Porém, seu uso apareceu pela primeira vez em uma imagem gravada em um vaso de cerâmica maia do século X.

Atualmente, ele migrou também para um dispositivo eletrônico. Movido à bateria, recarrega facilmente se conectado a um computador. Ao apertar um pequeno botão, sua luz acende. Quando acionado, exala um vapor cheiroso no ar. Estamos falando do cigarro eletrônico, produto ainda proibido no Brasil, mas que já aparece nas ruas, devido ao seu fácil acesso através da internet.

O hábito de fumar se difundiu por todo o planeta e já foi símbolo de status e glamour. Cigarro após as refeições, cigarro com café, cigarro após o sexo. Todo o momento seria apropriado. No cinema, nas empresas, nas redações jornalísticas, funcionaram verdadeiras chaminés onde a fumaça tomava conta.

Os charutos, reservados a momentos especiais de comemoração, representaram fumantes mais abastados. Mas o recurso mais popular para quem desejou fumar sempre foram os cigarros, devido ao seu baixo valor e fácil acesso a todas as classes sociais. No entanto, junto com o suposto glamour propagandeado pelos lendários anúncios que mostravam pessoas cavalgando poderosas e livremente, veio a dependência. Segundo o pneumologista Luiz Carlos Corrêa da Silva, a dependência em nicotina é uma doença, denominada tabagismo, que está, juntamente com o uso de álcool, drogas ilícitas e sedentarismo, entre os grandes causadores de mortalidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) enumera importantes fatores que merecem atenção para que o indivíduo chegue saudável aos 100 anos de idade – e o estilo de vida é responsável por metade da esperança de vida.

Para combater a difícil dependência da nicotina, muitos são os artifícios hoje utilizados, entre eles, o cigarro eletrônico. Mesmo ainda proibido pela Anvisa no Brasil, por causa da falta de trabalhos que abranjam a quantidade de nicotina empregada no pequeno aparelho, a entrada desses produtos no país através de sites de compras internacionais, ou de pessoas que viajam para o exterior, é livre. E foi assim que o professor da Unisinos, o jornalista Daniel Pedroso, conheceu o produto. Fumante assumido, ele conta que já tentou abandonar o vício várias vezes, mas que nunca consegue passar dos primeiros quatro meses de abstinência. Por isso, acabou vendo no cigarro eletrônico a possibilidade de pelo menos reduzir os males do tabaco, pois a dependência está, segundo ele, na tragada e no produto que permite esse ato.

Mas como funciona o cigarro eletrônico? O dispositivo no qual se pinga um líquido especialmente desenvolvido para esse fim, não é livre de nicotina. Ao contrário: possui uma quantidade reduzida da substância e ainda conta com aromas e sabores variados, como doce de leite e menta, entre outros. Funciona a partir de uma bateria, que assim como um celular, pode ser carregada. Após pingar o líquido com o sabor desejado, aperta-se um pequeno botão, e a luz se acende, permitindo a quem estiver consumindo visualizar se o conteúdo que está sendo tragado está próximo do fim. Pedroso conta que no caso do cigarro eletrônico o ato de fumar chama-se vaporizar, porque é o vapor do líquido que é inalado.

Outro ponto negativo do cigarro eletrônico é seu valor, mais alto do que o do produto habitual: os líquidos custam em torno de R$ 45,00, com duração de 2 ou 3 meses, e o dispositivo pode ser encontrado por R$ 120,00, em média. No entanto, sua durabilidade é muito maior, sendo necessário adquirir apenas um aparelho para uso indeterminado.

Pedroso comenta que mesmo com esse auxílio que o cigarro eletrônico promete dispensar a quem é fumante e gostaria de parar, na Europa, continente onde o produto é aceito e amplamente utilizado, há uma discussão sobre a variedade de sabores oferecidos. Isso porque os inúmeros atrativos gustativos têm feito com que pessoas não fumantes desenvolvam o hábito de fumar, resultando numa campanha que vai contra a ideia original para a qual foi criada o produto. Além disso, fica a dica: vaporizar cigarros eletrônicos não nos livra dos males do tabaco para a saúde. A nicotina está lá, como vem marcando presença há séculos na cultura humana.

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  • Publicado em: 24/05/2016

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