Política

Ciclovias que ficaram na promessa

Dos 15 km previstos no plano de governo registrado no TSE, a prefeitura de Canoas construiu apenas 4,5 km

Trecho abandonado da ciclovia em Canoas.(Foto: David Farias)

Trecho abandonado da ciclovia em Canoas. (Foto: David Farias)

 

Os 15 quilômetros de ciclovias que estavam no plano de governo de Canoas não saíram do papel. A prefeitura implementou nos últimos três anos e cinco meses de governo apenas quatro quilômetros e meio do total prometido, mas dois deles são praticamente no meio do nada e passam os dias inutilizados. A causa da parada nas obras das ciclofaixas seria a falta de verba.

Quem vai a Porto Alegre pela BR-448, em Canoas, percebe que há um pequeno trecho asfaltado e pintado de vermelho que ensaia uma ciclovia. É comum, em metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro e até mesmo na capital gaúcha, encontrar ciclofaixas interligando os bairros e incentivando o transporte sustentável. Mas para Canoas se tornar referência nesse sentido ainda falta muito.

Em toda eleição é obrigatório que os candidatos a prefeito registrem junto ao Tribunal Superior Eleitoral os seus planos para o governo que possivelmente assumirão mais à frente. Nos planos do atual gestor de Canoas, Jairo Jorge (PT), constavam as seguintes propostas: “A Canoas que queremos já começou a se tornar realidade. Juntos, vamos fazer ainda mais. O uso de bicicletas para o transporte de trabalhadores, estudantes e cidadãos canoenses será facilitado a partir da construção de mais 15 km de ciclovias, integradas ao sistema de transporte público e de acordo com as melhores práticas nacionais e internacionais em termos de segurança, sinalização e pontos de apoio e estacionamento – bicicletários e paraciclos”.

A proposta até chegou a ser discutida com a comunidade. Houve reuniões com as lideranças de vários bairros com participação aberta aos moradores. Foram feitos esboços com os representantes das comunidades para desenhar qual era a necessidade dos canoenses e quais seriam as vias que receberiam as ciclofaixas. Até uma página na rede social Facebook foi criada. A partir dela é possível ter um panorama de como foi todo o processo. Além disso, a página serviu como forma de divulgação dos diversos estudos feitos para a criação do Plano Diretor Cicloviário (PDC) de Canoas, que ficou pronto em março de 2015.

Aprovada pela Câmara de Vereadores, a Lei nº 5938, de 29 de julho de 2015, instituiu o PDC em Canoas. Nela, temos trechos que não foram cumpridos até hoje, como aquele que estabelecem que “o Plano Diretor Cicloviário visa à inserção da bicicleta como meio de transporte seguro, eficiente e sustentável” e que deveria se “implantar uma rede cicloviária legível, eficaz e capaz de promover a integração modal”. Não é o que ocorre na prática.

 

 

Sem verbas, o que temos hoje é uma rede cicloviária de pouco mais de quatro quilômetros e meio ao total, sendo que pelo menos dois deles estão em uma área não habitada, no bairro Mato Grande. A outra metade está entre os bairros Harmonia e Mathias Velho, porém, foi mal projetada. Não possui ligações entre os circuitos e há trechos onde não há pintura no chão nem placas de identificação. O mesmo acontece no trecho do bairro Mato Grande, que possui sinalizações derrubadas e um abandono total, além de ligar o nada ao bairro Mato Grande.

Um grupo chamado Pedala Canoas acompanhou ativamente os trabalhos para a realização do Plano Cicloviário. São pessoas que se reúnem para pedalar pela cidade e incentivar o transporte sustentável. A coordenadora do projeto, Nay Rodrigues, conta como é o trabalho do grupo na cobrança dos direitos dos ciclistas: “A demanda já existe e estamos sempre presentes. No Prefeitura na Rua, Prefeito na Estação [projetos do Município que põem o prefeito em contato direto com os cidadãos] e em outros encontros. Estamos ativos na cobrança dos 15km, que resultarão na ciclovia entre parques que está tramitando. Mas fomos informados de que, por falta de verba, o projeto está parado”, relata Nay Rodrigues.

O presidente do Instituto Canoas XXI, Celso Pitol, que coordena o projeto das ciclovias na cidade, foi procurado pela Beta Redação para falar sobre o que aconteceu com o programa, mas em nenhuma das tentativas de contato deu retorno. A assessoria de imprensa da prefeitura apenas repassou os contatos do presidente e não se pronuncia sobre a ausência das ciclovias que estão no plano de governo.

Ficam, então, as perguntas ao prefeito: Por que a área central de Canoas não foi priorizada? Por que a cidade não possui bicicletas disponíveis para locação como Porto Alegre, Rio de Janeiro e outras grandes cidades? Por que não incentivar o transporte sustentável? Por que não há retorno à população dos responsáveis pelo projeto?

Confira aqui a íntegra da lei que instituiu o PDC e aqui o Plano Cicloviário de Canoas.

 

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