Esporte

Ciclovias em Gravataí aumentam a escolha pelas bicicletas

Oferta de faixas exclusivas é menor do que a desejada, mas suficiente para fomentar o esporte

Ciclovia da Avenida Brasil traz segurança para ciclistas, mas peca na falta de sinalização (Foto: Thais Montin)

Ciclovia da Avenida Brasil traz segurança para ciclistas, mas peca pela falta de sinalização (Foto: Thais Montin)

Nos últimos anos, foi visível o aumento do interesse pelo ciclismo – tanto como esporte quanto como forma de locomoção. Para se adequar a essa nova realidade, as cidades estão pensando em maneiras de ampliar a oferta de ciclovias que garantam o trânsito seguro para as pessoas que optarem pelo uso da bicicleta. Gravataí é um exemplo disso: em 2016 e 2017, foram inauguradas ciclovias nas Avenidas Brasil e Jorge Amado. Outras ciclovias, já existentes, passaram por revitalização.

De acordo com a Prefeitura, tudo isso faz parte do Programa Municipal de Segurança e Educação para o Trânsito (Promset 2020), criado em 2013. O secretário municipal de Mobilidade Urbana (Semurb), Adão de Castro, conta que esse plano se desenvolve em quatro diretrizes: fiscalização, educação para o trânsito, infraestrutura viária e atendimento pré-hospitalar. “A construção das ciclovias é um ganho para todos. Sou um grande entusiasta das bicicletas, pois elas nos ajudam no transporte, na busca de uma vida mais ativa e ainda reduzem a emissão de poluentes”, afirma.

Eventos como o Pedalaí Gravataí e o Quarta da Bike, realizados em parceria com grandes grupos de ciclismo, também foram adotados para incentivar o uso da bicicleta na cidade.

Michele Souza, 24, é uma das participantes do grupo Mais Ciclovias. A vendedora começou a andar de bicicleta para perder peso. Atualmente, 12kg mais magra, continua no esporte por prazer. “Andar de bicicleta me dá uma sensação de liberdade muito boa. Desde que comecei, além de perder peso, me sinto muito mais disposta e feliz”, explica a jovem. Os ciclistas costumam se encontrar nas quartas-feiras na praça Getúlio Vargas para andarem juntos pela ciclovia da Avenida Brasil. “Nos sentimos muito mais seguros usando a faixa, ainda mais andando juntos. É um esporte e uma diversão”, completa.

 

Moradores comemoram, mas cobram melhorias

Nara Ramos, 52, é professora de inglês e ioga. Ela dá aulas à domicílio e usa a sua bicicleta para chegar nas casas dos alunos e fazer algumas das tarefas diárias. “Hoje uso a bicicleta para fazer quase tudo. Atendo algumas pessoas na Brasil, e a ciclovia facilitou muito isso. Consigo ir da minha casa até a casa dos alunos usando quase somente as faixas especiais”, conta a professora. De acordo com ela, os trechos sem faixa para ciclistas ainda são um desafio. “O pessoal não respeita a bicicleta no trânsito. Alguns motoristas quase me jogam para a calçada, o que é um perigo tanto para mim quanto para os pedestres”, desabafa.

O jardineiro Silvio Luiz da Rosa, 64, também usa a ciclovia para chegar em algumas casas de clientes. Para ele, falta fiscalização, sinalização e disponibilidade de faixas. “Infelizmente, vejo muitos caminhões que estacionam na ciclovia, o que me impossibilita de transitar. Também não têm tachões demarcando. É meio mal sinalizado”, expõe Silvio. Segundo o trabalhador, a prefeitura precisa de mais empenho no projeto para que a ação dê resultado. “Pra mim, a bicicleta é o jeito mais barato de andar. Com carro a gente gasta muito com imposto e combustível. Mas se não tem uma conscientização, o dinheiro pra construir isso aqui acaba sendo perdido”, comenta sobre a ciclovia.

 

Projetos de expansão existem, mas falta investimento

Ainda em 2013, a Prefeitura de Gravataí e a Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan) assinaram o Programa PAC 2 de Mobilidade Grandes Cidades. Ele prevê, além da construção de corredores de ônibus, “implantação de ciclovias, qualificação dos passeios públicos com soluções de acessibilidade universal e de mobiliário urbano padronizado”. Essas obras beneficiariam grande parte da extensão das principais avenidas da cidade: a Avenida Dorival Cândido Luz de Oliveira e a Ely Corrêa, dando a elas 8,75km de ciclovias. No entanto, o projeto ainda não saiu do papel.

A Prefeitura de Gravataí e a Metroplan não se manifestaram a respeito do assunto.

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