Política

Ciclovia resulta em cassação e moradores saem perdendo

Impeachment foi motivo de retirada da única ciclofaixa que o município já teve

Crédito: Prefeitura de MontenegroA cidade de Montenegro, a 40 quilômetros de Porto Alegre, tem sido palco de uma grande polêmica. O prefeito Paulo Azeredo (PDT) foi cassado, em 25 de maio, acusado de irregularidades na construção de uma ciclofaixa com 1,5 quilômetro de extensão na Rua Capitão Cruz. O processo que culminou na cassação de Azeredo iniciou ainda em fevereiro, com a denúncia protocolada por um eleitor e aceita pela Câmara de Vereadores, que teve oito votos a favor e dois contra o impeachment. No mesmo dia, o então vice-prefeito Luiz Américo Alves Aldana foi empossado como prefeito.

Desde então, Azeredo vem recorrendo junto ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. “Não apenas recorremos da decisão de cassação como entramos com várias ações para demonstrar a legalidade dos atos administrativos que foram questionados e condenados”, ressalta o ex-prefeito.

Quanto à denúncia, ele é firme em sua declaração: “Todo o processo de cassação foi um golpe estruturado por muitas pessoas, que utilizaram, além da ciclofaixa, outras acusações falsas contra a minha administração. Foi uma questão de interesse político e o julgamento foi injusto”.

A juíza e o desembargador responsáveis pelo processo ainda não se manifestaram sobre o mérito. Na próxima segunda-feira (31), o ex-prefeito Paulo Azeredo se reúne na capital com seus advogados para estudar o caso.

Em inúmeras declarações, Paulo Azeredo, assim como seu advogado de defesa, João Elias Bragatto, enfatizam que as acusações são falsas, já que a ciclovia estava prevista no orçamento e fazia, sim, parte do Plano Diretor de Mobilidade Urbana do município. Eles também questionam os motivos apresentados: “A construção de uma ciclovia feita com supostas irregularidades não é motivo suficiente para pedir um impeachment”, conclui Azeredo. Essa foi a primeira vez, em 142 anos, que um chefe do Executivo teve seu mandato cassado na cidade.

“As perspectivas são favoráveis. Temos todos os documentos necessários para provar que houve improbidade administrativa e que aconteceu uma falha no rito do decreto que regulamenta a cassação, a retirada do mandato. Agora é esperar por notícias”, concluiu Azeredo, que tem boas perspectivas quanto ao seu retorno ao Executivo.

Enquanto isso, a população segue sem uma ciclovia e um local adequado para transitar de bicicleta. Para o morador Orlando Aguileira, 28 anos, essa foi uma grande perda para quem utilizada a via. Apesar de não trabalhar no município, ele aproveitou nos fins de semana a ciclofaixa que esteve disponível durante um mês.

“Para mim, em nenhum momento se tratou de preocupação com a população e com uma administração correta. O que vi foi uma armação política que utilizou um motivo torpe para tirar o prefeito do poder, e quem saiu perdendo nisso tudo fomos nós, que mal pudemos aproveitar da ciclovia”, declarou.

Daniele Altenhofen, 21 anos, mora e trabalha em Montenegro e lamenta que uma cidade tão grande e que está em constante crescimento ainda não conte com essa estrutura. “Independente de problemas e rixas políticas, a população e nossas necessidades deveriam ser colocada em primeiro lugar”, enfatiza.

ENTENDA A POLÊMICA

A ciclofaixa havia sido construída em janeiro deste ano, em apenas três dias. Os 1,5 mil metros custaram R$ 80 mil, valor inferior a outros municípios, segundo o ex-prefeito.

Os moradores ficaram insatisfeitos com a localização da obra, no centro da via, e os comerciantes reclamaram que a ciclovia estava atrapalhando o comércio local por tirar vagas de estacionamento.

A explicação para isso, segundo o ex-prefeito, foi a indecisão dos munícipes, que tanto não queriam a faixa de um lado, quanto não queriam de outro. A solução, então, foi construí-la no centro.

Na semana em que foi protocolado o pedido de cassação, a ciclovia foi retirada da rua.

Lida 583 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.