Esporte

Ciclismo ganha força em Porto Alegre e traz movimento para a cidade

Pedalar é uma opção para quem quer evitar o trânsito da capital

Com uma frota de 825 mil veículos, Porto Alegre possui praticamente dois carros para cada morador. Esse número, mesmo que assustador, ainda irá crescer. Para fugirmos desse fator, que auxilia na deterioração do meio ambiente e da saúde dos gaúchos, pedalar é uma alternativa que vem ganhando cada vez mais espaço nas ruas do estado.

Para o pesquisador do Programa de Engenharia de Transportes (PET) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marcio de Almeida D’Agosto, em entrevista para o jornal Correio do Povo, em um período de dez a vinte anos, os horários de pico acabarão, pois os engarrafamentos demorarão um dia inteiro. Em contrapartida, em 2016 o crescimento do ciclismo em Porto Alegre foi gritante. Exatamente por isso, a ONG Centro de Inteligência Urbana de Porto Alegre (Ciupoa) foi criada por um grupo de ativistas ambientais, que sentiram a necessidade de desenvolver um projeto que buscasse pensar em uma forma de, segundo eles, prevenção no território e na sociedade com um panorama de fundo com as Mudanças Climáticas.

Tania Lopes, coordenadora do projeto Biciescola, afirma que possuem uma parceria com a Prefeitura, através da qual há a liberação do uso do espaço da antiga Secretaria de Esportes dentro do parque Marinha. Abrangendo uma faixa etária de seis à 65 anos, o projeto já passou por muitas etapas. “Nesses quatro anos de existência da Biciescola, aconteceu a mudança das idades avançadas, começamos a pedir atestado médico e acompanhamento de um familiar”, conta.

 

Insegurança é empecilho para o esporte

Para muitos, o esporte não é opção pela falta de segurança: a morte de ciclistas aumentou mais de 40% em um ano no Rio Grande do Sul. Segundo o Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran/RS), a cada três dias, morre um ciclista no Estado.

Tamiris Oliveira, ciclista por lazer de Porto Alegre, conta que não se sente muito segura na hora de andar de bicicleta em alguns pontos da cidade. “Quando ando na Avenida Ipiranga, durante o dia é tranquilo. O problema é quando anoitece: há falta de segurança e iluminação, logo não é muito seguro andar sozinha, é sempre bom estar acompanhada”, relata.

Por morar muitos anos em São Paulo, Tamiris comparou a capital gaúcha com a paulista. “Costumava andar pouco por lá, mas mesmo sendo uma cidade maior, havia muito mais segurança e investimento dos órgãos públicos nos espaços comunitários, como as praças. Isso que não noto muito aqui, agora que estão começando a investir, mas ainda penso que falta muito para podermos pedalar com 100% de segurança” finaliza.

O esporte vem ganhando força na capital e, como fruto disso, diversos movimentos se constroem em volta da prática.
O Pedale como uma Guria é um exemplo. O coletivo busca abrir um diálogo com um grande grupo sobre “o que é pedalar como uma guria?” e incentivar a prática. O grupo exclusivo para mulheres foi criado em janeiro de 2016 e inicialmente teve apenas 12 participantes. Desde então, o número de adeptas só aumenta.

Uma das participantes do grupo, Luiza Tavares, comentou que o movimento está ganhando força. “Hoje somos vinte meninas. Elas me ajudam muito a regular a bike antes de sair e combinam horário e local fixo todas as quintas-feiras. Muitas ainda tem medo de pedalar na rua, mas quando vão a primeira vez, é certo que irão nas próximas” conta.

Em outro caso, Gabriel Motta e Vitória Monteiro desenvolveram um projeto chamado Via Pública. O objetivo é focar nas midias sociais utilizando séries fotográficas com depoimentos de personagens de diferentes realidades da cidade que utilizam a bicicleta pelos mais diversos motivos. Além disso, o projeto ainda apresenta ilustrações originais fortalecendo seu tema central e fazendo de Via Pública um projeto multimídia. Tudo isso criado por um coletivo de artistas locais das mais diferentes áreas.”Em uma Porto Alegre caoticamente contemporânea, indivíduos das mais variadas realidades pedalam suas bicicletas por prazer, lazer ou necessidade. Cada qual com seu drama, eles compartilham as sensações contrastantes de liberdade e insegurança que só quem costura o trânsito frenético do dia a dia conhece” conta.

Não só como um esporte, hoje o ciclismo pode ser visto como movimento social, estilo de vida ou se encaixar em outros conceitos.

 

 

E você, sabe o que o código de trânsito diz sobre os ciclistas?

O site Vá de Bike listou alguns dos direitos que a legislação dá aos ciclistas, tais como:

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