Esporte

OPINIÃO: Chegamos de novo

Depois de nove anos, verei meu time disputar uma grande final novamente

Esse é um texto que não pensava em escrever tão cedo. Isso porque eu, como gremista, já tinha perdido as esperanças no meu time. E não digo isso com vergonha ou receio, mesmo que muitos gostem de diminuir um torcedor que supostamente “abandona” o clube nos piores momentos. Eu nunca deixei de apoiar o Grêmio, acompanhar os jogos e sentir as emoções nas vitórias e derrotas. A questão é que, ao meu ver, a torcida gremista é a que mais sofreu nos últimos anos. O Grêmio é um time gigante. Em 113 anos de história empilhou títulos nas décadas de 1980 e 1990 e assumiu um posto grandioso, deixando sua torcida orgulhosa e acostumada a ganhar, assim como qualquer outro time considerado “grande”. Mas, desde 2001 não ganhamos um título de expressão nacional. E lá se vão 15 anos. Um período de seca quando, por outro lado, o maior rival, o Internacional, venceu duas Copas Libertadores e um Mundial de Clubes.

Posso me apegar ao passado, lembrar dos tempos de glória e sentir aquela sensação nostálgica que faz pensar que o Grêmio também é um grande time. Mas isso eu deixo para os torcedores mais velhos. Nasci em 1992 e, ainda criança, posso dizer que “presenciei” os títulos da Copa do Brasil de 1994, da Libertadores de 1995, do Brasileiro de 1996… Aliás, tenho uma lembrança muito vaga na memória de quando fui à Avenida Farrapos com três anos de idade recepcionar o time campeão da Libertadores que estava desfilando em cima de um caminhão dos bombeiros. O grande problema é que eu não vi esses títulos. Eu estava lá. Estava vivo. Porém, não senti a emoção que sinto hoje ao ver uma vitória do meu time. O máximo que posso me recordar é da Copa do Brasil de 2001, mas eu, então com 11 anos, também não sentia o mesmo que sinto agora. Posso citar a emocionante Batalha dos Aflitos, que nos deu o título da Segunda Divisão em 2005, mas apesar de toda emoção e do jogo épico e único, não era onde o Grêmio deveria estar.

Quando eu tinha motivos para acreditar no Grêmio. Foto: arquivo pessoal

Quando eu tinha motivos para acreditar no Grêmio. Foto: arquivo pessoal

 

O tempo passou e eu cresci. Nunca deixei de gostar de futebol e torcer pelo Grêmio, como já disse anteriormente. Mas todo esse período de seca de títulos me deixou sem esperanças. Sempre digo que sou um torcedor realista. Quase nunca entro em discussões com colorados e nunca argumentei contra o que o meu time passou nos últimos 15 anos. O único jeito de mudar isso é conquistando taças. Em 2007, batemos na trave, quando chegamos à final da Libertadores um ano depois de o Internacional conquistar tudo. O problema é que pela frente tinha o Boca Juniors de Riquelme, que vivia um momento iluminado na sua carreira. Como já era previsível, perdemos. Na época, obviamente fiquei empolgado em estar em uma final de uma competição continental, mas já sabia que seria muito difícil. No ano seguinte, mais uma decepção. O Grêmio deixou escapar o título do Campeonato Brasileiro para o São Paulo, mesmo estando 11 pontos à frente do clube paulista. Desde então nunca mais disputamos um grande título para valer. Assim, aprendi a conviver com as derrotas. E como não tenho lembranças claras dos tempos de glória, não tenho como me apegar. Os livros de história não suprem esse sentimento. Todos os anos me empolgo com o time, seja com contratações de peso ou com atuações convincentes. E, apesar de tudo, a frustração é cada vez menor porque – não custa lembrar – estamos nessa há 15 anos.

Incrivelmente, neste ano chegamos à final da Copa do Brasil. Um ano que tinha tudo para ser igual a qualquer outro. Elenco mediano, sem condições de disputar o título do Campeonato Brasileiro ou da Copa Libertadores, troca de técnico no meio da temporada e períodos instáveis do time. Tudo isso foi (aparentemente) superado e aí estamos, a pouco mais de uma semana de entrarmos em campo contra o Atlético-MG, na Arena Independência, em Belo Horizonte.

Acho que quando a bola rolar, a ficha vai cair. A tensão e ansiedade serão transformadas em aflição e nervosismo de estar a um passo de erguer uma taça após 15 anos. Estando na final, as coisas se igualam. As equipes se motivam por si só, e estou contando com isso. Confio nos jogadores e realmente acho que temos condições de vencer essa Copa, ao contrário de 2007. Isso me empolga por saber que, enfim, poderei comemorar um título do meu time. Se não ganharmos, a decepção vai ser grande. Mas confesso que ver o Grêmio em uma final já me causa um certo alívio, pois estamos em uma posição que não estávamos há muito tempo. Isso mostra para nós, gremistas, que é possível. Isso faz os desacreditados voltarem a acreditar.

Ao mesmo tempo, todo esse período de seca me preocupa, pois percebo que os jogadores absorvem momentos de decisão de forma negativa. A torcida, a imprensa e quem faz acontecer dentro do campo depositam tudo isso nas costas dos protagonistas. A pressão não vai mudar. Os anos sem títulos vão continuar ali. O que precisa ser feito é usar isso positivamente, motivar os jogadores e a torcida para que mais de 55 mil pessoas apoiem o time na Arena, no dia 30 de novembro, e ajudem o Grêmio a voltar para o lugar que nunca deveria ter saído: o primeiro.

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