Esporte

Cerimônia de abertura das Paralímpiadas: um show de luzes e sorrisos

A mensagem "o coração não conhece limites" e a alegria dos atletas foram os destaques da noite

Enquanto os grandes canais abertos de televisão transmitiam suas programações normais, apenas a TV Brasil e a SporTV 2 – disponível em televisões por assinatura – cobriam ao vivo a abertura dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 no dia 7 de setembro no Maracanã. Na cerimônia, a coragem, a determinação, a inspiração e a igualdade, os quatro valores paralímpicos, se fizeram presentes em cada momento. Já no início do evento, o maestro João Carlos Martins, reconhecido mundialmente e com atrofia nos dedos das mãos, tocou o Hino Nacional ao piano e emocionou um estádio inteiro.

Durante a abertura, cada delegação entrou com uma peça de quebra-cabeça. De um lado, o nome do país; do outro, fotos das credenciais dos atletas participantes. Os incontáveis e sinceros sorrisos estavam presentes nos rostos dos integrantes de todas as delegações, que acenavam para as câmeras e distribuíam abraços. Por fim, os brasileiros entram com a última peça ao som de Gonzaguinha.

Shirlene Coelho, campeã mundial e paralímpica, carregou a bandeira nacional (Foto: Danilo Borges)

Shirlene Coelho, campeã mundial e paralímpica, carregou a bandeira nacional (Foto: Danilo Borges/Comitê Paralímpico Brasileiro)

Foi o artista plástico Vik Muniz que encaixou a parte final do quebra-cabeça. Formou-se um coração humano com todos os seus detalhes, que logo se projetou em cores e movimentos para retratar a mensagem principal da festa: o coração não conhece limites. A sua pulsação deu o ritmo para as palmas da plateia e mostrou que a simplicidade também impressiona.

Peças de quebra-cabeça formam coração na Cerimônia de Abertura das Paralímpiadas (Foto: Marcio Rodrigues)

Peças de quebra-cabeça formaram coração na Cerimônia de Abertura das Paralímpiadas (Foto: Marcio Rodrigues/Comitê Paralímpico Brasileiro)

Após um show de luzes, o presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC), Phillip Craven, e o presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, discursaram prezando a igualdade e a importância de todos caminharem lado a lado. Os momentos em que se ouviram vaias durante o evento foi quando os discursos citaram o governo e quando o presidente do Brasil, Michel Temer, declarou a abertura oficial dos jogos. A indignação apareceu também nas redes sociais, principalmente no Twitter, onde os internautas já reclamavam da não transmissão da abertura na televisão aberta, inclusive da Rede Globo, patrocinadora dos Jogos Paralímpicos Rio 2016.

A abertura seguiu com projeções tecnológicas e trouxe reflexões sobre os sentidos e as sensações, convidando todos a ampliarem os seus próprios sentidos. Dois bailarinos deficientes visuais, Renata Prates e Oscar Capucho, dançaram sobre um piso tátil para reforçar a importância dessa infraestrutura nas ruas das cidades.

Entre diversas apresentações e representações que transformaram o simples em um espetáculo, quem se destacou foi a bailarina e atleta paralímpica Amy Purdy, com os pés duplamente amputados. No palco, ela representou a relação do homem com a máquina, sambou nas próteses e surpreendeu o público. Um exemplo de superação, orgulho e admiração.

Amy Purdy faz apresentação especial no evento (Foto: Gabriel Heusi)

Amy Purdy fez apresentação especial no evento (Foto: Gabriel Heusi/Comitê Paralímpico Brasileiro)

Os minutos finais foram recheados de emoção. No revezamento da tocha para acender a pira olímpica, todos aplaudiram em pé a corredora Márcia Malsar, que caiu durante o trajeto e, mesmo assim, se levantou e entregou a chama para a velocista Ádria dos Santos. Clodoaldo Silva, nadador e dono de 13 medalhas, foi o atleta responsável por acender a pira olímpica dos Jogos Paralímpicos Rio 2016.

Clodoaldo Silva acende a pira olímpica (Foto: Gabriel Heusi)

Clodoaldo Silva acendeu a pira olímpica (Foto: Gabriel Heusi/Comitê Paralímpico Brasileiro)

As últimas canções – É Preciso Saber e Viver e Eu Acredito É na Rapaziada, entre outras – resumiram os sentimentos da noite e representaram a alegria dos atletas, dos dois mil voluntários e de todos os envolvidos. O encerramento da cerimônia foi o ponto de partida para um abrir de olhos sobre os atletas paralímpicos, pessoas dignas de igualdade e inclusão. Mesmo que, durante a cerimônia de abertura, os principais canais de televisão do país transmitissem programas pouco relevantes para a sociedade.

 

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