Política

“Se desse a desgraça de o Lula morrer hoje, parava tudo isso”, diz Carlos Araújo

Ex-marido e amigo da presidente afastada analisa o que está em jogo por trás do impeachment e conta como Dilma pretende lutar para manter o mandato

Joyce Heurich e Roberto Caloni

 

 "A saída (da crise econômica) que a Dilma propôs talvez não tenha sido a melhor, com algumas políticas que não são tradição da esquerda", diz Araújo. (Foto: Roberto Caloni)

“A saída (da crise econômica) que a Dilma propôs talvez não tenha sido a melhor, com algumas políticas que não são tradição da esquerda”, diz Araújo. (Foto: Roberto Caloni)

 

Era fim de tarde de quinta-feira (19), fechava uma semana desde a abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff no Senado e do consequente afastamento da presidente do poder. No Centro de Porto Alegre, o movimento nas ruas aumentava – havia um protesto marcado na Praça da Matriz contra o governo interino de Michel Temer. Enquanto isso, no conforto do lar, à beira do Rio Guaíba, no bairro Tristeza, o advogado Carlos Araújo, de 78 anos, ouve a campainha tocar. Permanece sentado em uma cadeira, num cômodo envidraçado, de onde podia observar o sol dar lugar à lua. Quem atende a porta em seu lugar é Patrícia, responsável por cuidar do bem-estar de Araújo. Ele também mora com o filho caçula Rodrigo e um cão de pequeno porte que lhe faz companhia.

Ao receber a equipe de reportagem da Beta Redação, Araújo perguntou se a conversa seria longa, não queria demorar. “Já estou ficando sem condições de dar muitas entrevistas. Só hoje uns três jornalistas me ligaram, alguns precisei dispensar”, admite. Ele convive com um enfisema pulmonar, e por isso tem dificuldade para respirar e falar durante muito tempo sem intervalos. Mesmo assim, não poupou palavras em um bate-papo que acabou durando cerca de 40 minutos.

O motivo de tanta procura pelo ex-deputado estadual do PDT, hoje apenas filiado ao partido, tem explicação. Na posição de ex-marido de Dilma Rousseff, Araújo é rotulado pela imprensa, de modo geral, como “conselheiro” dela. Ele, no entanto, nega o título: “Somos amigos, o conselheiro dela é o Lula”. Além da fama de consultor, é para a casa dele que a presidente, afastada do cargo desde o dia 12 de maio, costuma ir quando visita Porto Alegre. No dia seguinte ao afastamento, Dilma viajou para a capital gaúcha e passou o fim de semana em família na casa de Araújo, onde almoçou com a filha Paula Rousseff de Araújo e os dois netos.

Nessas ocasiões, Araújo diz que evita falar sobre política, já que a presidente visita o Estado para descansar. Ainda assim, entre uma conversa e outra, a ex-esposa compartilha com ele como se sente sobre o ocorrido e comenta estratégias para tentar preservar o mandato. Sobre isso e sobre o que está em jogo por trás do impeachment, Carlos Araújo fala à Beta Redação no vídeo abaixo. Confira:

 

 

Lida 1012 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.