Economia

Capacitação para driblar o desemprego

Bancos Sociais oferecem cursos gratuitos em Porto Alegre

Laíse Feijó e Laís Albuquerque

Conforme relatório da Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul (FEE) publicado no final de março, a taxa de desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre atingiu 10,1%. Diante da crise, milhares de porto-alegrenses fazem fila semanalmente em frente às sedes do Serviço Nacional de Emprego (Sine) da Capital em busca de oportunidades. Entretanto, segundo o Sine do município, cerca de 1.200 vagas ainda estavam abertas, até sexta-feira (29), para diferentes áreas de atuação. Apesar de muitas cobrarem apenas o básico de instrução, como ensino fundamental ou médio, boa parte segue sem ser preenchida devido à falta de qualificação profissional.

Pensando nisso, um projeto da Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais de Porto Alegre vem há 10 anos proporcionando oportunidades viáveis para quem busca incrementar o currículo. Com o lema de “transformar o desperdício em benefício social”, a fundação oferece cursos ministrados e certificados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-RS). “Os cursos são totalmente gratuitos e com exigência mínima de escolaridade e idade, podendo ser realizados por grande parte da população carente. Os alunos ainda recebem todo o suporte necessário, como material didático, uniforme e lanche para que possam se manter na capacitação”, explica Paola Monti, relações públicas dos Bancos Sociais.

Foto: Lucelene Navarro

(Foto: Lucelene Navarro)

 

Ao todo, são 10 cursos diferentes dentro das áreas de vestuário, construção civil, mobiliário e informática. “Contamos ainda com parcerias para inclusão dos formandos no mercado de trabalho. Os cursos nas áreas de vestuário e construção civil, por exemplo, mantêm parcerias com o Sindicato das Indústrias de Vestuário do Rio Grande do Sul (Sivergs), com o Instituto Cyrela e com o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS). Todas as entidades possibilitam que, depois de formados, os alunos se insiram no mercado de trabalho com mais facilidade”, ressalta Paola.

A Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais acompanha os alunos por até 90 dias após a conclusão do curso, para saber se estão conseguindo se inserir no mercado de trabalho. “Realizamos a avaliação de impacto com os formandos e identificamos quais foram empregados. Observamos que os alunos formados estão sendo aproveitados no mercado de trabalho e muitos abrindo a sua própria empresa. Isso é uma grande satisfação para nós”, diz a relações públicas.

A aluna Eliane Fraga, de 53 anos, começou um negócio próprio a partir dos cursos que fez. Com as aulas de reaproveitamento de tecido e de customização, ela aprendeu a usar coisas que iam para o lixo e transformá-las em artigos de vestuário e acessórios. “Eu não sabia nem colocar o pé na máquina de costura”, recorda. Antes desempregada, hoje a artesã ganha sua renda fazendo bolsas de calça jeans. Ela aproveitou a chance e também cursou informática e montagem de móveis, o que aprimorou ainda mais o seu currículo.

Eliane (primeira à esquerda) e colegas no curso de móveis Foto: Lucelene Navarro

Eliane (primeira à esquerda) e colegas no curso de montagem de móveis. (Foto: Lucelene Navarro)

 

Para fazer a inscrição nos cursos de iniciação profissional dos Bancos Sociais basta ter 16 anos completos e apresentar carteira de identidade e comprovante de residência. Especificamente para o curso de Costureiro Industrial é pré-requisito ter idade mínima de 18 anos e máxima de 59 e ter o 4º ano do ensino fundamental. Mais informações podem ser obtidas no site dos Bancos Sociais ou pelo telefone (51) 3026-8020. As vagas são limitadas.

Confira abaixo a lista de cursos oferecidos pelos Bancos Sociais:

Construção civil:

– Pedreiro de Alvenaria (160 horas) – com turmas nos dois semestres de 2016

– Pedreiro Revestidor (160 horas)

Informática:

– Básico de Manutenção de Equipamentos de Informática (80 horas) – com três turmas em 2016

– Básico de Informática (80 horas) – com turmas nos dois semestres de 2016

Vestuário:

– Transformação de retalhos têxteis em peças de decoração (60 horas) – com três turmas em 2016

– Costura e acabamentos em peças confeccionadas com retalhos (nº de horas não informado – com três turmas em 2016

– Reaproveitamento de roupas/customização (40 horas) – com três turmas em 2016

– Costureiro industrial (456 horas) – uma turma no ano

Mobiliário:

– Básico em Marcenaria (80 horas) – com três turmas em 2016

– Técnicas de montagem de móveis (40 horas) – com três turmas em 2016

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