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Bruxismo do sono: sinais, sintomas e perigos da doença

Estresse e ansiedade são causas comuns da doença

O bruxismo é um movimento oral caracterizado pelo ranger dos dentes e pode acontecer durante o sono (bruxismo do sono) ou durante o dia (bruxismo de vigília). Existe ainda o bruxismo cêntrico, que é o apertamento excessivo dos dentes e pode ocorrer de dia e à noite. O mais comum são os pacientes que fazem esses movimentos enquanto dormem, sem perceber. No artigo publicado para a Revista Dental Press de Ortodontia e Ortopedia Facial, a dentista e pesquisadora e coordenadora de Buscas de Estudos Clínicos no Centro Cochrane do Brasil, Cristiane Rufino Macedo explica porque é tão difícil encontrar dados sobre essa doença: “A prevalência exata do bruxismo do sono na população é imprecisa e subestimada. Isto ocorre porque os estudos epidemiológicos são baseados em populações e metodologias diferentes. Por exemplo, o relato de indivíduos que dormem sozinhos e não têm consciência dos sons produzidos durante o seu sono, pode ser diferente dos questionários preenchidos por portadores ou familiares com diferentes definições clínicas e diferente sintomatologia”. 

Ainda segundo Cristiane, o bruxismo pode estar associado ao tabagismo, álcool, cafeína, estresse, ansiedade, drogas e transtornos psiquiátricos do sono. Ao sentir dores na mandíbula ou no rosto ao acordar, além de dor nos dentes, uma pessoa deve procurar um dentista para identificar a possibilidade de estar com bruxismo noturno. 

Quem explica os sinais e os sintomas do bruxismo é a dentista Fabiane Pires: “Um sinal é quando o paciente percebe que a anatomia do dente está ficando alterada, com as bordas desgastadas e os dentes retos. Os sintomas são dores na frente da orelha, desconforto e cansaço na mastigação e sensibilidade excessiva nos dentes”. Além disso, ela reforça: “O bruxismo é uma doença psicossomática, associada ao estresse e à ansiedade, mas pode ter uma fundamentação genética quanto a formação da articulação e do disco articular. Maloclusão, dentes tortos, mandíbula cruzada e apinhamento dentário também justificam a doença”. 

Normalmente, pessoas que dormem sozinhas demoram mais a perceber o bruxismo. É o caso do estudante Gabriel Ferrão, que sofre com o bruxismo noturno há aproximadamente 10 anos e não chega a sentir incômodos durante a rotina. Ele conta: “Quem percebeu a doença foi a minha mãe, que acordava durante a noite com o barulho dos meus dentes rangendo. Uma vez, meu dente chegou a rachar”. Para tratar a doença e evitar o atrito entre os dentes, Gabriel usa uma placa oclusal enquanto dorme.

O bruxismo está associado ao estresse e à ansiedade e pode ocorrer durante a noite. (Foto: Divulgação)

As placas oclusais fazem parte do tratamento mais comum para a doença, pois evita o desgaste dentário, apesar de, muitas vezes, não solucionar a causa do problema, como cita a dentista Cristiane. Fabiane Pires explica que além das placas oclusais, podem ser utilizadas fitas para relaxar a musculatura. “São como as fitas que os jogadores de vôlei utilizam nas mãos. Elas são posicionadas na articulação e colocadas ao redor da orelha”, esclarece. 

Sobre os perigos da doença, Fabiane destaca o desgaste ósseo, não apenas o dentário. “O primeiro é muito mais grave, pois o paciente e os familiares podem perceber o desgaste dentário. Já o desgaste articular e da parte óssea, não. No desgaste cartilaginoso, não existe nem a dor. A pessoa começa a ter dificuldade de mastigação e pode precisar de tratamento de canal para tratar a sensibilidade”, fala a dentista. 

A homeopatia pode ser utilizada no tratamento do bruxismo para promover um relaxamento muscular na região e, assim, a pessoa dorme mais tranquila, fazendo menos pressão e diminuindo o ranger. 

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