Economia

Equipe de brasileiro ganha US$ 500 mil em competição de games

O eSport irá movimentar mais de US$ 1 bilhão em 2019, segundo pesquisa

Qual o emprego dos seus sonhos? Você, com toda a certeza, já deve ter imaginado como seria bom que um de seus hobbies se tornasse a sua principal fonte de renda. O eSport é exatamente isso. Os  jogos eletrônicos vem, cada vez mais, ganhando espaço no mercado. Com o avanço da tecnologia no desenvolvimento dos games e a evolução constante do serviço de internet no mundo, o eSport atinge números que impressionam.

Com esse crescimento global do eSport, não seria diferente que o Brasil também acompanhasse essa evolução. No entanto, como acontece em quase tudo que envolve tecnologia no país, o start sempre vem um pouco depois em relação a países mais desenvolvidos economicamente. Mas a quantidade de torneios e o espaço na mídia são indicativos do crescimento considerável do mercado brasileiro de jogos eletrônicos. 

Atualmente, a Liga Nacional de Esportes Eletrônicos (LNEe) organiza 13 campeonatos a nível nacional, com os jogos mais populares em competições, como League of Legends (LoL), DotA 2, Starcraft II e Counter Strike (CS). Além disso, os canais  brasileiros ESPN e Rede Globo dedicam fatias de suas grades de programação ao eSport. A Rede Globo estreou este ano o programa Zero1, que fala sobre o mundo dos games, campeonatos e cultura geek, com a apresentação de Tiago Leifert. Já a ESPN, como canal de esportes, vem transmitindo as principais partidas de algumas dessas competições, a nível nacional e internacional.

A final do Campeonato Brasileiro de LoL de 2015 foi sediada no Allianz Parque, em São Paulo, com a presença de mais de 12 mil espectadores. A amplitude do evento pode ser vista no vídeo da abertura, produzido pelo canal oficial de LoL no Youtube do Brasil.

 

 

Atualmente, no Brasil, além dos canais oficiais de transmissão, como a ESPN, também existem os portais independentes, que, além de transmitir, geram os mais variados conteúdos sobre os games e seus campeonatos. Canais brasileiros do Youtube como rezendeevil, com quase 10 milhões de inscritos, e BRKsEDU, com números próximos a 5 milhões, são alguns dos que fazem mais sucesso, com conteúdos humorísticos e criativos.

Contudo, quando se refere à transmissão de campeonatos, esse ainda é um mercado novo no país. Existem alguns canais, como o NomadTV, que faz a narração de partidas e campeonatos de Dota 2. Os números do canal ainda não são expressivos, mas vêm crescendo vertiginosamente, de acordo com a assessoria do NomadTV. “O mercado de games e de eSport só aumenta com o passar dos anos, estando ainda em expansão no cenário mundial e nacional. Com isso, existe muito espaço e potencial para investidores e grandes empresas, que podem atuar em um público-alvo específico e consumidor ávido”, avalia a assessoria do canal. Eles ainda explicam que existem algumas virtudes nesse grupo que estão incentivando o crescimento desse modelo de negócio. “O amor pelos games e pessoas envolvidas no meio cria um vínculo de confiança e proximidade, desenvolvendo uma empatia com os produtos oferecidos. As empresas internacionais já perceberam isso, e aos poucos as empresas nacionais também estão vendo o real potencial desse mercado.”

 

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No ônibus para a faculdade, Dris assiste vídeos em seu smartphone com as principais jogadas dos profissionais. Imagem: Divulgação/Dota 2

 

Conforme citado no início, muitas pessoas jogam por prazer, apenas imaginando que aquilo possa ser sua fonte principal de renda. Para o estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas Douglas Kaspary Dris, 23 anos, é exatamente isso que acontece. “Os jogadores amadores normalmente jogam para se divertir, descontrair, e quem sabe conseguir um patrocínio para participar de algum campeonato ou time”, comentou o estudante. Atualmente, Dris concilia os estudos, trabalho e namorada com seu jogo preferido, Dota 2. Para ele, os jovens vêm fazendo com que a modalidade se desenvolva cada vez mais. “Ao meu ver, o eSport tende a crescer cada vez mais. Para os mais velhos, isso é uma bobagem, mas para as novas gerações este é um mercado com grandes perspectivas”, complementa.

Um exemplo dos jovens que vêm comprovando a rentabilidade dos esportes eletrônicos é Fernando Alvarenga, que deixou os cursos de Engenharia da Computação e Engenharia Civil para viver o que muitos jogadores amadores sonham, tornar-se um profissional da modalidade. “Fer”, como é chamado no meio, tem 25 anos, e é profissional desde 2014. O brasileiro joga CS, que é um jogo de tiro em primeira pessoa, e já ganhou vários torneios fora do país. Ele explica que a sua rotina é como a de qualquer outra profissão. “Temos horário pra dormir, pra acordar, pra comer, pra treinar. Nós temos salário fixo, que ganhamos da nossa organização, a SK-Gaming. Fora isso, recebemos dinheiro de premiações dos campeonatos, patrocínios pessoais, do time e propagandas”, salienta Fer. Ao vencer um competição nos EUA, a equipe da qual ele faz parte, a Luminosity Gaming, ganhou um prêmio de US$ 500 mil.

 

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Equipe de Fer comemora ao vencer a CS:GO – Major Championship: Columbus/2016. Foto: Reprodução, Youtube

 

O brasileiro é natural de Rezende, no Rio de Janeiro, mas atualmente mora nos EUA, devido à falta de oportunidade no mercado brasileiro. No entanto, para ele, isso está mudando. “Acredito que os nossos resultados fora do país abriram os olhos de grandes empresas para investir no nosso cenário. Vemos aqui fora que a televisão está entrando no meio, temos muitas empresas milionárias se interessando e é apenas questão de tempo para acontecer o mesmo no Brasil”, explica. O atleta acredita que isso é um processo natural. “Já tivemos campeonato grande, como a ESL ProLeague, que trouxe as finais para o Brasil. Isso abre muitas portas para o investimento aumentar no nosso país. Então, com certeza, o mercado está expandindo. No entanto, a demora é normal, visto que tudo no Brasil chega depois”, afirma.

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