Economia

Brasil gasta R$ 227 bilhões por ano com o crime

Tribunal de Contas do Estado promove audiência pública sobre política de segurança até amanhã

Política de Segurança foi o assunto central de Audiência Pública promovida pelo Tribunal de Contas do Estado (RS), que iniciou nessa segunda-feira (05). Os custos da criminalidade no país foram um dos temas apontados por pesquisadores e profissionais.

A palestra “Economia do crime e financiamento da Segurança Pública”, ministrada pelo economista e diretor de estudos e políticas do Estado, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Dr. Daniel Ricardo de Castro Cerqueira, destacou os desafios institucionais, como o recurso financeiro mal aplicado, e os sociais, como a venda de armas, consumo de drogas e a falta de investimento infantojuvenil. Esses dois pontos, segundo Cerqueira, eram vistos até os anos 2000 como um debate simplório: “polícia dura versus questão social”.

Sobre os gastos na área da segurança pública, o economista afirma que “o custo social da violência no país representa 4,11% do PIB brasileiro”. “O Brasil gasta R$ 227 bilhões por ano com o crime. Com perda de capital humano, as mortes, são R$ 138 bilhões”, ressalta. O custo do crime também contabiliza a perda de capital. “Quando deixam um sujeito preso por muito tempo há o efeito de dilapidação humana, que é a perda do capital, uma vez que aquela pessoa tinha uma profissão e deixou de exercê-la”, explica. Nesse caso também é necessário pensar nas oportunidades para o egresso do sistema penal. “Se não der chance a um ex-preso, ele é convidado a retornar para o crime”.

Cerqueira também citou a necessidade de reestrutura do sistema de segurança. “É preciso uma reforma no modelo de polícia. A sociedade precisa entender e ter o controle das ações policiais também, é preciso envolver a comunidade”. Além disso, o economista  defende a vinculação orçamentária de tributos direcionados à área de segurança. Uma solução apontada por Cerqueira é o título de impacto social, que seriam mecanismos para viabilizar programas de prevenção a problemas sociais. “Não são títulos, mas mecanismos de engenharia financeira e social que alinham incentivos de investidores, governo, operadores sociais em torno de um objetivo”, argumenta.

Para a pesquisadora da Fundação de Economia e Estatística (FEE) do Estado, Carina Furstenau, que também fez parte do debate, um dos principais problemas na segurança pública é que “não há normas de gestão da segurança, o que afeta questões como o gasto público na área”.

A Audiência Pública sobre política de segurança ocorre até amanhã, terça-feira (06), no prédio 11 da PUC-RS. A entrada é gratuita. Confira a programação abaixo.

Pesquisadores e profissionais debatem as dificuldades da segurança pública no RS.

Pesquisadores e profissionais debatem as dificuldades da segurança pública no RS.

9h – Mesa a cargo da Secretária de Segurança Pública do RS – “Política de Segurança Pública no RS”
Wantuir Francisco Brasil Jacini – Secretário de Estado da Segurança Pública
Patrícia Sanchotene Pacheco – Delegada Diretora do Departamento de Direitos Humanos/SSP
Luiz Dulinski Porto, Ten Cel QOEM – Diretor do Departamento de Gestão Estratégica Operacional/SSP
Cleber Muller, Perito Criminal – Diretor-Geral do IGP/SSP
Marli Ane Stock, Agente Penitenciária – Superintendente dos Serviços Penitenciários/SSP
Alfeu Freitas Moreira, Cel QOEM – Comandante-Geral da Brigada Militar/SSP
Guilherme Yates Wondracek – Delegado Chefe de Polícia Civil/SSP

12h Encerramento

14h “Segurança Pública: impasses e boas práticas”
Renato Sérgio de Lima
Debatedores: Cláudia Vieira Pereira, Auditora Federal de Controle Externo – SecexDefesa/TCU Alex Sandro Caiel da Silva – Representante do Fórum de Entidades da Segurança Pública do RS Juan Mario Fandino Marino – Professor Colaborador do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFRGS

16h Intervenções do público

17h Encerramento

 

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