Esporte

Bike: esporte, paixão, vício

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Foto: Viviane Bervian, arquivo pessoal

Há algum tempo pedalar virou moda. Comprar uma bicicleta, um capacete, acessórios de proteção e sair pedalando por estradas, trilhas e lugares pouco desbravados. Mas o esporte, que não tem como finalidade a competição, mas sim a aventura, a descoberta de novas paisagens e a quebra dos limites físicos e mentais, acabou se tornando uma paixão e um vício para aqueles que o experimentam.

Foi assim para a gerente de marketing Paula Fernanda Kirch, 34 anos, moradora de Harmonia, no Vale do Caí. Ela começou a pedalar há dois anos, quando o marido Guilherme fez uma cirurgia no joelho que o impedia de forçá-lo. Por indicação médica, Guilherme passou a andar de bicicleta para fortalecer os músculos, e Paula o acompanhou para incentivá-lo.

“No começo eu mais empurrava a bike do que ficava em cima dela”, brinca Paula. Até que um dia a fisioterapeuta Viviane Bervian viu os dois e os convidou para dar uma volta maior. “Lógico que não venci o percurso, mas começamos a repeti-lo com frequência, eu e o Gui. Experimentei a bike da Vivi e me apaixonei ainda mais pelo esporte. Daí em diante, só queríamos investir em bicicletas e acessórios melhores. Passamos então a explorar novos lugares, cada final de semana um lugar diferente, com um desafio diferente, era impossível não se apaixonar”, comenta.

 

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Paula e o marido Guilherme (Foto: Paula Fernanda Kirch, arquivo pessoal)

Paula conta que tem muito medo de altura e em algumas ocasiões sofre para descer os morros. Por outro lado, isso a fez gostar ainda mais das subidas, que se tornaram seus trajetos favoritos. “A cada volta que dávamos uma nova pessoa ia junto para ver como era. Muitas ficaram pelo caminho, não aguentaram ou não curtiram, e muitas estão conosco até hoje.”

Sobre o investimento financeiro que é preciso fazer para adquirir bikes de qualidade e todo o material necessário para pedalar com segurança, a pessoa vai gastar em média de R$ 7 mil a R$ 8 mil. “Uma bike boa custa em torno de R$ 5 mil. Se tu comprar ainda a sapatilha, o pedal de clipe, bermuda, capacete e lanternas, rapidinho vão mais uns R$ 3 mil. Mas é puro investimento, vale cada centavo. Esse eu considero o investimento mais bacana que já fiz”, ressalta.

“Nunca fui sedentária, mas nunca havia feito um esporte que gostasse tanto. Confesso que diversas vezes, quando estive diante de situações de extremo cansaço e medo, chorei, porque pensava: ‘eu não preciso fazer isso, então por que estou aqui?’. E ao vencer o obstáculo, quebrando meus limites, passava a entender o porquê de estar lá. A gente pedala por todos os cantos e hoje posso dizer que o impossível é logo ali, tudo se tornou tão perto, tão lindo. O corpo já está acostumado, o bumbum não dói mais tanto e parece que a maior cobrança do meu corpo é quando fico uma semana sem pedalar.” Como a turma não para de crescer, Paula conta que é praticamente impossível sair sozinha para pedalar, pois sempre tem alguém disposto a ir junto. Nestes dois anos, ela já acumula 2.600 quilômetros.

O pedal é uma paixão também para Viviane, 35 anos, que incentivou Paula e Guilherme. “Comecei a pedalar há mais ou menos três anos como uma brincadeira, quando meu irmão me convidou para participar de um passeio ciclístico com o grupo de pedal dele. Eu não tinha bicicleta específica para o esporte na época, então peguei uma emprestada e participei do tal passeio fazendo 41 quilômetros de cara. Quase morri de dor na bunda (risos), mas adorei porque o contato com a natureza me fascinou. Comprei uma bike para mim e comecei a participar de passeios, e logo fui convidando amigos.  Um dos primeiros foram a Paula e o Gui, que pedalam comigo até hoje. Assim o grupo de pedal foi aumentando e, consequentemente, os laços de amizade também”, conta.

 

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Viviane em um dos muitos percursos feitos. (Foto: Viviane Bervian, arquivo pessoal)

 

A fisioterapeuta, que pedala duas vezes por semana e já perdeu as contas de quantos quilômetros fez, garante que o esporte aumenta a força, melhora a parte cardiorrespiratória e a flexibilidade, além de liberar hormônios que causam um prazer enorme.

Atualmente, os harmonienses contam com um grupo grande de homens e mulheres, também de municípios vizinhos, já que pedalam e passam por toda região. Além disso, Viviane e Paula participam do Pedal Perfume, um grupo composto só por mulheres.

 

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Grupo de pedal do qual Paula, Vivi e Guilherme fazem parte. (Foto: Viviane Bervian, arquivo pessoal)

 

Outro harmoniense recém-iniciado no pedal é Luis Alexandre Lauermann, 25 anos, motorista, mais conhecido como Loys. Ele também foi convidado por um amigo há cerca de um ano e, desde então, já fez cerca de 1.500 quilômetros em cima da bicicleta.

 

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Loys (esquerda) e o amigo, Alex, que o convidou para pedalar. (Foto: Luis Alexandre Lauermann, arquivo pessoal)

 

“Sempre gostei de pedalar, vivia andando de bicicleta. Vi meus amigos começando a pedalar como esporte, conhecendo lugares diferentes e fazendo novas amizades, e decidi me aventurar também. Não praticava nenhuma atividade física devido à minha profissão e estava ficando fora de forma, e esse foi um dos principais motivos para investir no pedal”, explica Loys, que também considera o ciclismo um ótimo investimento. Ele participou, em fevereiro, de um passeio ciclístico que saiu de São Sebastião do Caí, cidade vizinha a Harmonia, e foi até Tramandaí, no Litoral Norte gaúcho. No total, foram 175 quilômetros, maior percurso já feito por ele. No feriado de Páscoa, Paula, Vivi, Loys e mais alguns amigos também pedalaram juntos de Harmonia até Caravaggio, em Farroupilha, em um percurso de 120 quilômetros.

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Chegada em Tramandaí do pedal de 175 km. (Foto: Luis Alexandre Lauermann, arquivo pessoal)

 

 

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Os três amigos pedalaram juntos até Caravaggio. (Foto: Luis Alexandre Lauermann, arquivo pessoal)

 

“A bike me dá uma sensação muito boa, me sinto leve e tão em paz quando pedalo. Muitas vezes saímos em pedais sem rumo, nos quais apenas vamos fazendo trilhas, parando, conversando, nos superando a cada nova trilha, a cada morro e subida, a cada descida alucinante. Me sinto mais perto de Deus”, acrescenta Vivi.

Apesar de já ter caído, se machucado e sentido medo por diversas vezes, Paula nunca cogitou desistir e abandonar o pedal. “Meu único arrependimento é não ter descoberto antes esse esporte.” E acrescenta que competição realmente não é o objetivo dela: “Eu busco aproveitar cada experiência, curtir a sensação, desbravar lugares e a natureza. A bike te proporciona olhar os lugares que tu passa diariamente de carro com outros olhos, além dos benefícios ao corpo e à alma. No corpo os benefícios são visíveis, são mensuráveis, mas na alma é muito maior. O prazer que tu sente ao final de um passeio, vencendo os obstáculos, é  algo que não dá pra medir”, finaliza.

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A bike virou uma paixão para Paula. (Foto: Paula Fernanda Kirch, arquivo pessoal)

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