Esporte

Beta Olímpica: O lado esportivo das ginásticas

Equilíbrio, força e delicadeza são os pré-requisitos para as ginásticas olímpicas

Não são apenas o futebol, o vôlei e a natação os esportes representados pela seleção brasileira nas Olimpíadas do Rio 2016. Foram 458 atletas convocados para disputar as 33 modalidades olímpicas. Mas você está preparado para torcer pelos atletas do polo aquático? E do badminton? Conhece bem todas as regras do remo? Pensando nisso, a Beta Redação preparou a Série Beta Olímpica, que explicará as regras de cada competição, os aparelhos específicos, o preparo físico e todas as curiosidades desses esportes olímpicos, além de apresentar os representantes brasileiros dessas modalidades no Rio de Janeiro. Serão quatro reportagens sobre os esportes olímpicos pouco conhecidos: as ginásticas olímpicas, o badminton, o polo aquático e o remo.

Antes de começar a leitura, saiba o que os pequenos ginastas acham desse esporte! Clique no vídeo e confira:

 

 

As ginásticas artística, rítmica e de trampolim são as modalidades mais tradicionais dos Jogos Olímpicos. Os exercícios desse esporte ajudam a modelar o corpo, necessitam de força, equilíbrio, flexibilidade e, claro, muita habilidade nos aparelhos. Cada modalidade tem seus próprios aparelhos, divididos entre feminino e masculino, exceto a rítmica – uma modalidade exclusivamente feminina.

Na visão da treinadora e árbitra da ginástica artística feminina Lisiane Levis, essa modalidade é uma mistura de ritmo e força. “A ginástica artística, no momento, é formada por acrobacias, os saltos e os giros, e a dança que vem do ballet.” Para as meninas, os treinos são atividades de flexibilidade, força, coordenação motora e habilidades nos aparelhos de mesa de salto, barra assimétrica, solo e trave de equilíbrio. As meninas que desejam praticar ginástica artística precisam começar a treinar bem cedo, com idade mínima de quatro anos. A treinadora da turma feminina da Sogipa explica que os treinos vão aumentando progressivamente junto com a condição física.

 

(Créditos: Tainá Rios)

Crianças de 6 a 15 anos praticam ginástica artística na sede esportiva da Sogipa. (Créditos: Tainá Rios)


Força, equilíbrio e delicadeza
Todos os processos de desenvolvimento na ginástica artística acontecem muito cedo e, por isso, têm uma carga grande de treino, mas sempre bem dividida. Os treinos são divididos em três grupos: 4 vezes na semana, 5 vezes na semana e 6 vezes na semana. O último representa o nível máximo de habilidade e condição física. As atletas não passam todo o treino, por exemplo, de três horas fazendo só preparo físico. Elas treinam nos aparelhos, as coreografias, os exercícios de ginásticas e, principalmente, a flexibilidade. Essa divisão torna a prática mais moderada. “As pessoas acham que a ginástica gasta muita caloria porque os atletas passam três horas treinando, mas não. O gasto energético é muito pequeno em função de ter várias pausas durante o treinamento”, afirma a professora.


Mulheres x Homens
A divisão da ginástica artística entre as mulheres e os homens está na origem dos aparelhos. Quando surgiram, os fundamentos foram direcionais para as habilidades dos membros inferiores e superiores de cada gênero. Por exemplo, a trave representa o caminhar sobre uma ponte ou um tronco; o cavalo com alça ou a mesa de salto, pular por cima dos animais; as barras assimétricas ou fixas, pendurar-se em árvores. Os homens têm mais a força, o que faz os aparelhos masculinos exigirem mais precisão que os aparelhos femininos. “A argola é força pura. No cavalo com alça tem os volteios, mas trabalha muito a força de braço. Então, a separação vem muito disso, os meninos têm mais habilidade de desenvolver força do que as meninas”, explica a treinadora.


Apenas para homens
Para ter um bom desempenho na ginástica artística é necessário muita habilidade e paciência, já que os treinos são basicamente repetições. Para os ginastas homens, os aparelhos obrigatórios nas competições são o cavalo com alça, a mesa de salto, as argolas, o solo e as barras (paralelas e fixa). Com muita força nos membros superiores e inferiores, os atletas da ginástica artística treinam diariamente todos os seis aparelhos obrigatórios. “Na ginástica não é o mesmo que 100m de natação ou nos 100m de corrida, que você precisa ter focado apenas nesses percursos. Na ginástica você precisa ser bom em seis aparelhos”, ressalta o treinador da Sogipa Vardan Movsisyan.

A cada prova o atleta é avaliado de duas formas: a primeira pela série apresentada no aparelho escolhido e a segunda pela execução dos movimentos. A nota da competição depende da dificuldade de cada atleta, que escolhe qual o tipo de pontuação e qual a dificuldade que pretende atingir. Depois começam os descontos para ter a nota final. “Aqui no Brasil existem provas obrigatórias que todo atleta precisa participar. Por exemplo: são 14 pontos iniciais e os atletas precisam executar as mesmas provas. As avaliações estão na postura e o nos erros de cada apresentação”, explica o ex-ginasta.


O julgamento dos ginastas
Nessa modalidade não existem apresentações em conjunto, apenas individuais. A pontuação é somada conforme o desempenho da equipe. Cada grupo soma as três melhores notas. Por exemplo: cinco ginastas competem no mesmo aparelho, e as três melhores notas somam como a pontuação total da equipe. A ginástica artística masculina tem seis aparelhos e cada um tem o tempo e dificuldade específicos. “A maior dificuldade na ginástica artística masculina é o aparelho de cavalo com alça, porque exige força, coordenação e não pode perder a concentração, senão o atleta pode cair. Assim também é a trave na ginástica artística feminina”, explica Movsisyan.

Entre os aparelhos em comum nas duas ginásticas está o solo. A diferença entre os meninos e as meninas é a parte artística. O solo masculino é composto de acrobacias puras, já as meninas têm a dança, os saltos, os giros, e a parte de interpretação da música, algo muito requisitado pelo código de pontuação – sem esse detalhe a atleta pode sair prejudicada. “O solo feminino tem a parte artística, a ginasta precisa interagir, precisa interpretar um personagem, senão tudo será descontado”, explica a árbitra Lisiane. Os movimentos do solo são pensados em conjunto: com o coreógrafo ou professor de ballet mais a ginasta e o treinador.

“Exige muito treinamento, muitas repetições. São treinos em longo prazo. Não é de um dia para o outro que você vai querer ser ginasta”, explica o treinador Vardan Movsisyan, da ginástica masculina do Sogipa.

 

Conheça os aparelhos da ginástica artística:

(Créditos: Ministério do Esporte)

SOLO: O exercício de solo é realizado em um tablado plano que tem 12m de largura por 12m de comprimento e recoberto com material acolchoado. A prova de solo masculino tem duração de 70 segundos, e a execução dos saltos e acrobacias é feita em silêncio. Para a prova feminina são 90 segundos, e os saltos devem estar relacionados à música e à coreografia. Para dar início à apresentação, o atleta fica posicionado dentro do tablado, e a avaliação começa assim que o primeiro movimento for realizado.

 

 

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MESA DE SALTO/SALTO: Nas competições de salto do masculino, o aparelho utilizado é uma mesa de salto que mede 1,20m de comprimento por 95cm de largura e 1,35m de altura. O ginasta tem 25m para correr em direção ao trampolim, toma o impulso com os dois pés e apoia a mão no aparelho. A apresentação consiste na realização de saltos que incluem rotações de corpo no ar e termina quando o ginasta aterrissa de volta no chão.  No feminino, o aparelho tem medidas diferentes somente em relação à altura, que é de 1,25m.

 

 

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CAVALO COM ALÇAS: O aparelho tem 1,15m de altura e as alças ficam no mínimo a 40cm e no máximo a 45cm de distância uma da outra. A base é acolchoada e tem 1,60m de comprimento por 35cm. de altura. A apresentação começa quando o atleta consegue tocar no aparelho. Para ter a pontuação máxima, o ginasta ganha impulso, segura nas alças e inicia o exercício com giros. É um aparelho exclusivamente masculino.

 

 

Argolas (Créditos: Ministério do Esporte)

ARGOLAS: As argolas possuem 18cm de diâmetro e ficam penduradas a 2,80m de altura do chão. Os cabos ficam separados entre si por uma distância de 50cm. Para iniciar, o atleta recebe ajuda para alcançar as argolas e começa a sua movimentação de força e equilíbrio. É um aparelho exclusivamente masculino.

 

 

Barras Paralelas (Crédito: Ministério do Esporte)

BARRAS PARALELAS: As barras ficam a uma altura de 2m e o comprimento de ambas é de 3,5m. A distância entre as barras é variável. São sustentadas por duas bases verticais que ficam encaixadas perpendicularmente às barras, de forma a mantê-las na horizontal.

 

 

 

Barra Fixa (Crédito: Ministério do Esporte)

BARRA FIXA: A barra fixa deve ter altura de 2,80m, 2,8cm de diâmetro e 2,4m de comprimento. É sustentada por dois postes colocados em cada uma de suas extremidades, do qual partem também os cabos de segurança.

 

 

 

Barras Assimétricas (Créditos: Ministério do Esporte)

BARRAS ASSIMÉTRICAS: Os dois aparelhos possuem barras de 2,4m de comprimento e 4cm de diâmetro, porém, as medidas de suas alturas variam de 2,50m para a mais alta e de 1,70m para a mais baixa. São barras com formato cilíndrico, sustentadas por dois postes laterais, que são equilibrados por cabos de segurança bem fixados ao chão. É um aparelho exclusivamente feminino.

 

 

 

Trave de equilíbrio (Créditos: Ministério do Esporte)

TRAVE DE EQUILÍBRIO: A trave tem comprimento de 5m e altura de 1,25m. A base metálica tem 10 cm de largura. Por exigência da Federação Internacional de Ginástica (FIG), o aparelho é revestido por material capaz de absorver impactos e com toda a segurança e “trabalhando” conforme a movimentação da ginasta. É um aparelho exclusivamente feminino.

 

 

Ritmo, dança e ginástica!

A ginástica rítmica, exclusivamente para mulheres, tem combinações de técnicas de movimentos, terapia respiratória, terapia de relaxamento e muita dança. Segundo a professora da Sogipa Roberta Dornelles Cassel, os treinos dessa modalidade têm duração de quatro horas diárias. “Sem exceção de dias, nós trabalhamos muita flexibilidade, trabalho de força, coordenação e equilíbrio, principalmente. Essas valências físicas são treinadas desde o aquecimento.” Os exercícios da ginástica rítmica são divididos entre solo/individual e conjunto e todos devem exercer as mesmas dificuldades corporais.

Essas dificuldades corporais são compostas de: elementos de rotação, giros e pivôs, elementos de saltos e elementos de equilíbrio. Nas duas apresentações é obrigatório um passo de dança de oito segundos, no mínimo; três riscos, que são os lançamentos dos aparelhos com elementos de rotação embaixo; e cinco maestrias, que são elementos ordinários diferentes que aparecem na série, no máximo.

 

A ginástica rítmica é uma modalidade exclusivamente feminina e exige muita delicadeza. (Crédito: Tainá Rios)

A ginástica rítmica é uma modalidade exclusivamente feminina e exige muita delicadeza. (Foto: Tainá Rios)


No tablado – a apresentação das ginastas rítmicas

No exercício individual, a coreografia dura de 1min15seg a 1min30seg. As atletas podem utilizar qualquer aparelho – a corda, o arco, a bola, as maças ou a fita –, sempre lembrando que todos devem conter seus manejos específicos dentro da coreografia. Além disso, a ginasta precisa apresentar de seis a nove dificuldades corporais.

Nos conjuntos, a apresentação dura de 2min15seg até 2min30seg. As ginastas devem ter 6m de distância uma da outra e devem apresentar uma coreografia em comum e exercícios individuais com os aparelhos. O grupo, composto de cinco atletas, deve executar a mesma coreografia com sincronia para receber o bônus. Além disso, cada atleta deve ter passos de dança individuais de oito segundos com dificuldades corporais, ou seja, ter uma dificuldade de troca.

As dificuldades de troca são as técnicas apresentadas pelas ginastas junto dos aparelhos desejados individualmente, por exemplo, a ginasta deve ter passos coreografados quando manuseia a fita em formatos espirais. “Os movimentos das ginastas têm que ser bem sincronizados, alguns exercícios elas podem fazer diferente uma da outra, mas o que realmente conta no conjunto é o sincronismo entre as meninas”, avalia a treinadora.

 

“No momento em que as atletas estão fazendo o aquecimento corporal, tanto em volta da quadra quanto no solo, elas já estão trabalhando muito a coordenação e a força.” Roberta Dornelles Cassel, treinadora de ginástica rítmica da Sogipa.

 

Conheça os aparelhos da ginástica rítmica:

 

(Crédito: Ministério do Esporte)

 

CORDAS: Os movimentos fundamentais da corda são a passagem por dentro durante um salto, os saltitos, que são movimentos de escapada, os espirais e os movimentos em oito, além da recuperação das cordas nas duas extremidades.

 

 

 (Crédito: Ministério do Esporte)

FITAS: Os movimentos fundamentais da fita são as espirais, as serpentinas, as passagens por dentro da fita e os movimentos de escapada.

 

 

 

(Crédito: Ministério do Esporte)

 

MAÇAS: Os movimentos fundamentais das maças são os molinetes, os pequenos círculos, os movimentos assimétricos e os pequenos lançamentos.

 

 

 

 

(Créditos: Ministério do Esporte)

 

BOLA: Os movimentos fundamentais da bola são o rolamento no corpo, no solo, os movimentos de quicadas, o movimento em oito e a recuperação do aparelho com apenas uma mão.

 

 

 

 

(Crédito: Ministério do Esporte)

 

ARCO: Os movimentos fundamentais do arco são os rolamentos no corpo, os rolamentos no solo, a passagem por dentro do aparelho e os movimentos de rotação tanto no eixo quanto na mão.

 

 

 

O Brasil no Rio 2106

A ginástica rítmica brasileira, na categoria individual, será representada pela atleta Natália Gaudio. A ginasta conquistou a vaga após apresentar a série de fita ritmada por samba no Mundial de Stuttgart de ginástica rítmica. Na 48ª colocação, a ginasta somou 46,766 pontos, com 7,550 de dificuldade e 8,200 de execução. Nascida em Vitória, Natália precisou de uma “vaquinha” dos amigos para participar das competições na Alemanha.

Na categoria conjunto, o Brasil será representado pelas ginastas Beatriz Pomini, Emanuelle Lima, Francielly Pereira, Gabrielle Silva, Jéssica Maier e Morgana Gmach. A comissão técnica foi formada pela brasileira Camila Ferezin e pela russa Eraterina Pirozhkova. O grupo conseguiu uma ótima pontuação no evento-teste e na Copa do Mundo na Bielorrússia, 14,883 nas cinco fitas e 16,183 no arco e maças e 16,700 nas cinco fitas enquanto no arco e maças o conjunto fez 16,850 pontos, respectivamente.

Os atletas da ginástica artística brasileira serão representados pelo time feminino: Flávia Saraiva, Rebeca Andrade, Daniele Hypolito, Jade Barbosa e Lorrane dos Santos. A vaga olímpica foi garantida durante o evento-teste no Rio de Janeiro. Georgette Vidor será a coordenadora responsável pela seleção feminina. Na categoria masculino, até o momento, somente Arthur Zanetti conquistou vaga para o Rio 2016 e disputará no individual de argola.

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