Esporte

Beta Olímpica: O duelo de gigantes dentro d’água

O Polo Aquático foi o primeiro esportivo coletivo das Olímpiadas

Não são apenas o futebol, o vôlei e a natação os esportes representados pela seleção brasileira nas Olimpíadas do Rio 2016. Foram 458 atletas convocados, para disputar as 33 modalidades olímpicas. Mas você está preparado para torcer pelos atletas do polo aquático? E do badminton? Conhece bem todas as regras do remo? Pensando nisso, a Beta Redação preparou a série Beta Olímpica, que explicará as regras de cada competição, os aparelhos específicos, o preparo físico e todas as curiosidades desses esportes olímpicos, além de apresentar os representantes brasileiros dessas modalidades no Rio de Janeiro. Serão quatro reportagens, sobre a ginástica olímpica, o badminton, o polo aquático e o remo.

O polo aquático foi o primeiro esporte coletivo a ser disputado em Olimpíadas. A estreia desse esporte foi em 1900. E é um esporte coletivo com muita interação. Nele, os atletas conseguem trabalhar de forma mais completa o corpo, a respiração e o condicionamento físico. Isso tudo porque se trata de uma atividade aquática. Além de saber nadar, é imprescindível ter um bom senso coordenativo, coordenação motora muito aprimorada, já que se trabalha com os dois lados do corpo. No polo aquático não existe posição fixa, como em outros esportes – por exemplo, o futebol. É necessário um rodízio na marcação e no ataque. “Dessa forma, o atleta consegue ‘chutar’, passar a bola, receber um passe”, explica o graduado em Educação Física e professor de polo aquático no Parque Esportivo da PUCRS Daniel Godoy.

 

As cores vermelho e azul são utilizadas nos tocas do Polo Aquático para diferenciar os times. (Créditos: Tainá Rios)

As cores vermelho e azul são utilizadas nos toucas do polo aquático para diferenciar os times. (Foto: Tainá Rios)

 

A resistência dentro d’água

O polo aquático pode ser praticado por homens e mulheres. São dois times de sete competidores, que devem ser diferenciados pela cor das toucas, vermelhas e azuis. É considerado o esporte coletivo com a maior dificuldade. Segundo o professor Daniel, é imprescindível que os atletas saibam fazer o nado de peito, pois essa é a base do polo aquático. Os pré-requisitos para a prática dessa modalidade olímpica são simples: boas noções de natação e bom preparo físico, pois podem ocorrer muitas lesões físicas, já que é um esporte muito vigoroso.

Como é praticado em piscinas olímpicas, com profundidade de dois metros, os atletas precisam aprender a manter o equilíbrio dentro d’água. As principais técnicas exercitadas pelos componentes desse esporte são a eggbeater e o palmateo. São movimentos rotativos, de pernas e braços, em formato de oito – isso permite a sustentação vertical dos competidores. “É obrigatório saber nadar para começar a praticar o polo aquático, portanto, quem tem interesse e ainda não sabe nadar precisa procurar um local para fazer aulas de natação”, salienta Godoy.

 

Os treinos

Os treinos duram em média uma hora e meia, e os atletas nadam cerca de 15 minutos para se aquecer. Depois é feita a parte física, geralmente com bola, natação mais voltada também ao físico, trabalhando perna e braço, e, por fim, a parte técnica e tática, com a bola. “Nossos treinos partem de um aquecimento com natação e exercícios de movimentação. Posteriormente, realizamos exercícios técnicos de condução de passe, chutes a gol, exercícios físicos para o condicionamento no jogo, parte tática e, nos últimos 45 minutos, treino coletivo”, explica o professor.

 

Apenas 30 segundos para marcar

A competição de polo aquático ocorre dentro de um espaço delimitado de 30m de comprimento por 20m de largura na piscina, com goleiras de 3m de largura por 90cm de altura. São sete jogadores em campo e seis no banco, divididos em pontas, alas, armador, goleiro e um boia – a pessoa que joga de costas para o gol. A pontuação é corrida, ou seja, quem marcar mais gols ganha. O armador, jogador que tem a posse da bola, tem apenas 30 segundos para efetuar a jogada, atravessar o campo e marcar o gol. Os jogos dessa modalidade são divididos em quatro tempos de oito minutos. “Do primeiro tempo para o segundo, são dois minutos de intervalo; já do terceiro para o quarto, são cinco minutos”, explica o treinador.

Para iniciar o jogo, o árbitro deve estar no lado de fora da piscina, com uma boa visão do centro do campo. Os jogadores ficam posicionados em meia-lua ou em leque, a mesma formação que o handebol, na linha de fundo. Quando o árbitro apita os nadadores que estão mais da lateral devem sair o mais rápido possível para pegar a bola. Aí está formado o ataque no polo aquático. “O time que primeiro pegar a bola vai ser responsável pelo primeiro ataque, e a partir dali são marcados os 30 segundos de ataque. Daí acontece o deslocamento até o ataque do adversário, o posicionamento de armação e a jogada para fazer o gol”, explica Daniel.

Para defender no polo aquático, a marcação fica no mesmo posicionamento de meia-lua, porém invertida. Cada jogador da defesa é responsável por marcar um do ataque, com exceção para as jogadas dos marcadores, onde eles se deslocam e acabam marcando dois competidores ao mesmo tempo.

Segundo Godoy, é complexo explicar como são anotados as faltas no polo. Para ele, o que o juiz vê de agressivo ou algum movimento que impeça o jogador de se movimentar ou de fazer um passe será considerado uma falta. “Como é um esporte praticado dentro d’água, o árbitro não consegue ver quase nada. Principalmente quando dá muito tumulto, todos os jogadores estão nadando e não dá pra ver nada, e por isso acaba sendo um jogo muito agressivo”, afirma.

Conheça os critérios da falta no polo aquático no vídeo:

 


O Brasil no Rio 2016

A seleção brasileira masculina de polo aquático será representada pelos atletas João Pedro Fernandes, Matheus Stellet, Luan Barbieri, Pedro Henrique de Matos Mazzini, Ítalo Vizacre, Thiago Ferreira, Bruno Henrique Sales, Lucas Geronymo Golzio, João Vítor da Silva, Rodrigo Alves e João Carlos de Mattos. A equipe técnica é formada por Átila Sudar (técnico), Vinícius Marques (auxiliar-técnico) e Fábio Pezão (chefe de equipe). Já a feminina terá como jogadoras Emanuelli Albuquerque, Giovana Barbosa, Julia Simões, Ana Alice, Isabela Mendes, Kemily Leão, Julia Monteiro, Ana Julia Batista, Isabeli Andrade, Letício Belorio e Patrícia Biguete. A técnico será Ricardo Crivella, que contará com o auxílio de Emerson Martins e Maria Bárbara Amaro e Roberto Cabral como chefe da delegação.

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