Esporte

A berlinda colorada que não acaba

Uma temporada que era pra ser de remontagem e renascimento, começa a ganhar contornos melancólicos.

O ano de 2017 desde o seu início se desenhava de uma maneira diferente para os horizontes colorados. A Série B, inédita na história do clube, seria a dura realidade durante o ano. Trocas expressivas do plantel de jogadores, presidente eleito recentemente, promessa de uma filosofia arejada e condizente com a realidade.

Enfim, o ano era para se remontar, construir uma base forte e voltar com toda a intensidade para a elite do futebol brasileiro. Mas não é isso que tem ocorrido pelos lados da Padre Cacique. Após um Campeonato Gaúcho fracassado, em que a classificação geral da primeira fase foi a quinta colocação, com míseras quatro vitórias, o desempenho da equipe não era convincente. As vitórias se davam a partir de jogadas individuais, e na final do campeonato o Inter foi derrotado nos pênaltis pelo Novo Hamburgo.

Começava, então, o desafio de retornar à elite do Campeonato Brasileiro. A instabilidade só aumentava. Após uma sequência de apenas duas vitórias num total de 10 jogos, Zago não resistiu e acabou sendo demitido no último sábado, 27, após a derrota contra o Paysandu. O treinador deixou a equipe na 10ª colocação do campeonato, com quatro pontos conquistados. Em 30 jogos à frente do time, Zago obteve 14 vitórias, 10 empates e seis derrotas, com um aproveitamento de 57,27%.

Zago deixou o comando da equipe após uma sequência de maus resultados. Foto: Ricardo Duarte/S.C Internacional.

Zago deixou o comando da equipe após uma sequência de maus resultados. Foto: Ricardo Duarte/S.C Internacional

 

O que vem ocorrendo nos planejamentos do Inter? Teriam os mandatários colorados escolhido Zago sem conhecê-lo de fato, sem analisar seus trabalhos? Qual o panorama que se apresenta daqui para frente? Para responder estes e outros questionamentos, a Beta Redação foi ouvir especialistas.

Para o repórter e comentarista esportivo do Grupo Band Filipe Duarte, o principal fator que levou à demissão do técnico foi a falta de evolução na equipe. Duarte frisa que, mesmo com alguns reforços tendo chegado há pouco tempo, como é o caso de William Pottker, “o time seguia apresentando problemas notados nos primeiros jogos da temporada, como: posse de bola improdutiva (entre zagueiros e volantes), vulnerabilidade a contra-ataques, dependência das jogadas pelo lado de campo e ausência de criação pelo meio”. “Quase cinco meses de trabalho e pouca evolução”, resume Duarte.

Para Douglas Ceconello, autor do blog Meia Encarnada no site Globoesporte.com, o que levou à queda do treinador é o fato de o Inter não poder se dar ao direito de cometer deslizes no ano de 2017 em relação à Série B. Segundo Ceconello, o trabalho de Zago não dava indícios de que o retorno à elite estivesse garantido. “Bem pelo contrário, tudo que vimos nesses cinco meses apontava para uma extensão do fiasco de 2016”, afirma.

Ao longo da sua história o Inter não se destacou por conquistar grandes títulos com técnicos sem afirmação, como os chamados “técnicos emergentes”. Esse seria o caso de Antônio Carlos Zago, que havia se destacado no Juventude, mas não despontou em um grande time. Na visão de Filipe Duarte, a escolha por Zago não se demonstrava equivocada. Segundo ele, no discurso o treinador demonstra ter boas ideias de futebol. “Penso que foi mais a dificuldade de colocar a teoria na prática”, avalia.

Time não demonstrou um desempenho convincente nos primeiros meses do ano. Foto: Ricardo Duarte/ S.C Internacional.

Time não demonstrou um desempenho convincente nos primeiros meses do ano. Foto: Ricardo Duarte/ S.C Internacional

Já para Douglas Ceconello, o Inter avaliou de maneira equivocada as características de Zago. De acordo com o jornalista, “o trabalho no Juventude apontava exatamente para o oposto do que o Inter vai enfrentar na Série B, quando precisará propor o jogo em todos os jogos e enfrentará adversários que vão se dedicar a esperar e reagir”.

Sem um nome ainda confirmado para comandar o time no restante da temporada, o futuro é incerto. A única certeza que se sobrepõe às dúvidas é o desejo de subir para a Série A. Para Duarte, o Inter tem um elenco suficientemente capaz para subir, mas ele ressalta que é necessário entrar nos trilhos o quanto antes.

O comentarista diz que é importante o treinador que assumir ter como princípio propor o jogo com posse de bola, infiltrações e troca de passes. Segundo ele, “não serão poucos rivais fechados, que especulam o contra-ataque e a bola parada, que o Inter encontrará na Série B”.

Um dos nomes cotados para assumir é Guto Ferreira, com passagens recentes por Chapecoense e Bahia, este último recentemente campeão da Copa do Nordeste. Guto esteve no comando do time do oeste catarinense em 50 partidas, tendo 23 vitórias, 17 empates e dez derrotas, obtendo aproveitamento de 56,2%.

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