Política

“Temos que aprender a viver com a diversidade”, prega antropólogo

Xavier Albó explicou o conceito de Bem-Viver, baseando-se em experiências indígenas, em evento na Unisinos

Francine Malessa, Beta Redação“No soy nada sin ti y tú eres nada sin mí.” A afirmação é do antropólogo, teólogo, doutor e professor Xavier Albó, que palestrou durante uma atividade realizada pelo Instituto Humanitas, da Unisinos, no fim do mês de agosto. A fala faz referência ao conceito de Bem-Viver que acredita na experiência de vida compartilhada.

“Viver isolado não é algo bom. Temos que aprender a viver com a diversidade. Este é o modo natural do mundo. Para isso, devemos aceitar os distintos e diversos de igual para igual, e isso inclui convivência com os demais humanos e com a mãe terra”, afirma o antropólogo.

A proposta do Bem-Viver é baseada na  cultura de diversos povos indígenas que povoaram e ainda povoam a América Latina. Não por acaso que Albó, natural da Espanha, reside desde 1952 na Bolívia, um dos países com maior índice de população indígena, 62%, segundo a ONU.

Dessa forma, como explica o professor,  o Bem-Viver se baseia em dois conceitos: o primeiro é viver em equilíbrio com os outros seres humanos e o segundo, conviver com a madre tierra. “Inicialmente cabe aceitar os que são distintos, incluindo outras orientações sexuais. O pluralismo é o ponto de partida. Todos devem ser pluri e, para que haja lógica, é necessário ser inter.” No entanto, para essa relação funcionar de maneira efetiva, deve haver uma divisão de poder entre todos, o que também se encaixa em um pluralismo político.

Já com relação à natureza, para o antropólogo, os seres humanos devem defender a terra, que está viva. “Devemos compartilhar com a natureza porque ela é parte de nós. E se formos avaliar pelo histórico de formação do meio ambiente, nós somos os últimos seres ligados a esse processo de vida”, garante.

Visto que o conceito de Bem-Viver foi adotado pelos indígenas, os exemplos práticos de Albó trazem a concepção histórica desses povos, como os guaranis. “O primeiro passo para viver bem é ser autêntico. Também não se pode aproveitar a terra sem tentar acabar com o mal que há nela. E os guaranis buscaram”, afirma. Além dos guaranis, Albó citou ainda a história de outras tribos, do Brasil e do Equador, que foram em busca de uma vida melhor.

O conceito de Bem-Viver é uma reflexão que vem sendo feita de forma emergente, principalmente pelos movimentos sociais. Acima disso, é uma ideologia que difunde a ideia de convivência entre os seres humanos em um sistema equilibrado. Ou, como afirmou Albó: “Viver bem é uma maneira de viver melhor. Deve haver um equilíbrio entre todos. Buscamos dividir essa experiência com todos os seres vivos”.

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