Esporte

Bate-papo: uma conversa com o skatista de Downhill Speed Mauricio Mantovani

"É um esporte pouco conhecido e respeitado, com pouco investimento. Acho que talvez por isso morra tanta gente", diz

 

O que atrai Mauricio Mantovani a subir no longboard é a adrenalina alcançada a 140 km/h. Foto: Arquivo pessoal

O que atrai Mauricio a subir no longboard é a adrenalina alcançada a 140 km/h. Foto: Arquivo pessoal

Sempre que sobra um tempo, Mauricio Mantovani, 30 anos, pega seu longboard, veste um macacão que recobre todo o corpo, e se aventura a 140 km/h pelas curvas acentuadas das estradas no interior de Carlos Barbosa, na Serra. O competidor de Downhill Speed se apaixonou por skate aos 13 anos de idade e há 4 começou a se dedicar ao esporte.

Segundo reza a lenda entre os skatistas, essa é a modalidade mais antiga de skate. Ela teria iniciado quando surfistas da Califórnia, nos Estados Unidos, teriam tido a ideia de colocar eixos e rolas de patins para experimentar a adrenalina no surf fora da água. Atualmente é o esporte que mais concentra brasileiros profissionais disputando o Circuito Mundial da IGSA (International Gravity Sports Association). A Beta Redação fez um bate-papo com Maurício para saber sobre seu envolvimento.

 

Beta Redação: Como é a sua rotina de treino?

Mauricio Mantovani: Treino em média três vezes por semana, por questão de tempo. Gostaria de treinar todos os dias, mas como meu trabalho [gerente em um posto de gasolina] ocupa muito tempo no meu dia, nem sempre consigo treinar, e as ladeiras geralmente não têm iluminação para treinarmos durante a noite. Treino geralmente em Farroupilha, Bento Gonçalves e em Nova Roma do Sul. As três cidades têm um monte de ladeiras.

 

Beta Redação: Você costuma participar de competições estaduais, nacionais e até mundiais. Alguma vez sagrou-se campeão?

Mauricio Mantovani: Já fiquei bem posicionado em alguns campeonatos, mas nunca cheguei a ganhar. Participo de campeonatos porque neles a evolução no esporte é maior. Como os custos muitas vezes são altos, não consigo participar de muitos. Já andei quatro etapas de campeonatos mundiais e de brasileiros. Quando as etapas são no Rio Grande do Sul ou em Santa Catarina geralmente eu vou. Neste ano participei de uma etapa do campeonato argentino.

 

Beta Redação: O município de Garibaldi tem realizado frequentemente etapas de competições mundiais. O que há na “estrada do Araripe” que propicia o esporte?

Mauricio Mantovani: Garibaldi é um lugar onde antigamente atletas do país inteiro vinham treinar. A primeira curva é muito rápida e técnica. Depois que tivemos alguns problemas com moradores e a polícia, foi organizado uma etapa do Campeonato Brasileiro, porém o asfalto está muito ruim e acredito que não vai mais sair nada ali. Hoje existem pistas melhores. O nosso modo de andar mudou um pouco, acredito que isso influenciou a galera a não andar mais em Garibaldi.

 

Beta Redação: Quais são os próximos campeonatos de Downhill Speed em que você pretende competir?

Mauricio Mantovani: Eu irei participar de um treino fechado no Morro da Borrúsia, em Osório [no dia 27 deste mês], um dos melhores lugares para andar aqui no sul do país. Também vou participar de um campeonato independente que vai acontecer em Porto Alegre, mas nada que seja homologado por federação.

 

Beta Redação: O que te atrai no esporte?

Mauricio Mantovani: Sou apaixonado pelo Downhill. Acredito que a velocidade e a concentração que o atleta tem que atingir nesse esporte é que o torna tão especial. É como um vício: depois que você aprende tem que praticar muito ou o seu nível vai.

 

Beta Redação: É comum ocorrem acidentes?

Mauricio Mantovani:  Recentemente, no começo deste ano, um amigo meu, de 50 anos, acabou falecendo praticando o Downhill em Caxias do Sul. O nome dele era Evandro Schenato. Quando ele caiu, o capacete acabou estourando e ele morreu na hora. No último final de semana, um cara na Franca [São Paulo] bateu de frente em um carro e também veio a falecer. É um esporte pouco conhecido e respeitado, com pouco investimento. Acho que talvez por isso morra tanta gente.

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