Economia

Banco digital conquista público jovem

Nubank se diferencia pelo gerenciamento digital e sem taxas como anuidade

O "roxinho" já foi pedido por mais de 6 milhões de pessoas. Fila de espera ultrapassa os 500 mil. Foto: Reprodução/Nubank

O “roxinho” já foi pedido por mais de 6 milhões de pessoas. Fila de espera ultrapassa os 500 mil. Foto: Reprodução/Nubank

 

Foi-se o tempo em que o consumidor deveria guardar seu dinheiro debaixo de um colchão se quisesse realizar uma compra de maior valor. Ainda usado, mas em menor quantidade, o cheque deu lugar a um pedaço retangular de plástico, o cartão magnético. Todos os bancos oferecem um deles, mas o que não faltam são reclamações quanto à taxa de juros e a anuidade. Foi em meio a essas queixas que em maio de 2013, a empresa Nubank foi fundada. Seu propósito era bastante audacioso: oferecer um cartão de crédito com bandeira internacional, com baixa taxa de juros (que varia de 2,75% a 14% ao mês) e sem anuidade. A título de comparação, a taxa de juros de outros cartões pode chegar a 20% ao mês e a mais de R$ 100 de anuidade. Lançada ao público em setembro de 2014, a empresa veio ganhando espaço no mercado, tornando-se a startup mais famosa do país no ramo, e uma das mais rentáveis. Segundo a Nubank, 70% dos usuários têm menos de 36 anos, ou seja, pertencem à Geração Y.

O cartão “roxinho”, como foi apelidado carinhosamente pelos fãs, requer que a pessoa seja convidada por outra que já possua um Nubank. Então, a empresa analisa sua situação financeira com o SPC (Serviço de Proteção ao Crédito). Finalmente, em um prazo estipulado, o usuário recebe o cartão e já pode começar a usar. Outro diferencial da empresa é que todo o acompanhamento de gastos, aumento de limite e demais configurações do cartão são realizados através de um aplicativo para aparelhos móveis. Segundo a empresa, mais de 6 milhões de pedidos já chegaram à sede do Nubank, localizada em São Paulo. Destes, 500 mil aguardam na lista de espera para pôr as mãos no roxinho. Uma das usuárias do cartão é Vanessa Fonseca, de 24 anos. Moradora de Eldorado do Sul, ela conta que passou a conhecer o cartão a partir de uma indicação de seu primo. Portadora do Nubank desde outubro de 2016, ela conta que os principais benefícios são o controle de gastos pelo aplicativo e o fato de que não é necessário pagar anuidade, coisa que é comumente vista em cartões tradicionais. “Eu fiquei um tempo sem ter cartão de crédito justamente por causa da anuidade, e o Nubank é ótimo justamente por isso. Nunca tive problemas com esse cartão”, diz Vanessa.

O cartão oferece um gráfico com os gastos do mês e em cada setor. Foto: Reprodução/Nubank

O cartão oferece um gráfico com os gastos do mês e em cada setor. Foto: Reprodução/Nubank

Para o economista Francisco Pitthan, apesar de dizer que não há juros, o Nubank cobra sim uma certa taxa: “Ocorre a incidência de juros, mas devido a esse serviço digital o banco consegue cobrar uma taxa de juros menor que a maioria dos outros bancos. Isso vem de um fenômeno de aumento de concorrência auxiliado pelo uso de novas tecnologias. Como é um banco digital, o Nubank consegue explorar ausências na regulamentação financeira e diminuir custos, conseguindo cobrar um preço final bem menor para o consumidor”, diz ele. Para Francisco, a concorrência proporciona benefícios parecidos com os vistos após a chegada do Uber no país: “O Nubank pode ser visto como o Uber dos bancos, mostrando que concorrência, diminuição das regulações e livre escolha são benéficas”, completa.

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