Política

A baixa representatividade feminina na política

Segundo o TSE, apenas 13,5% dos vereadores são mulheres

Foto: Câmara dos Vereadores de São Leopoldo/Banco de Imagens

Foto: Câmara dos Vereadores de São Leopoldo/Banco de Imagens

Aristóteles foi um dos primeiros filósofos a sistematizar o pensamento político a partir do estudo das instituições, estruturas e constituições de um país. É dele a ideia de que o governo deve garantir o bem estar da sociedade em geral, como se esse instrumento fosse uma ciência “maior”. Somente através de militância por políticas públicas afirmativas que mulheres conquistaram seus direitos, começando a assegurar seu bem estar como o restante da população.

Garantir os direitos da mulher em sua totalidade é desafio de quem se aventura pela militância política a fim de seguir os preceitos do filósofo. Infelizmente, o número de cadeiras ocupadas na câmara dos vereadores por elas ainda é irrisório se comparado com o número de homens. Em 2008 e 2012, duas mulheres fizeram parte dos 13 vereadores eleitos. Neste ano, a representatividade feminina aumentou com a eleição de três vereadoras, contrapondo os dez representantes masculinos.

Iara Cardoso (PDT) é a atual presidente da câmara de vereadores e uma das três mulheres que representarão a cidade a partir de 2016. Vereadora por três mandatos, também presidiu o poder legislativo em 2002, quando comandou a sessão de cassação de diversos vereadores envolvidos no famoso caso das fitas. Neste período foi prefeita interina e promulgou a lei que criou o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher.

A vitória nas eleições é pequena se analisada a população de São Leopoldo. Segundo o censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município conta com 225.620 habitantes, sendo que 115.458 são mulheres. Mesmo assim, além de não ter nenhuma candidata a prefeita, a cidade sofre com a soberania masculina.

No restante do Brasil não é diferente. Apesar da população ser composta por quase 52% de mulheres, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dos quase 58 mil vereadores eleitos no último mês de outubro, apenas 13,5% disso são mulheres.

Em entrevista à Agência Senado, no último dia 3, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), procuradora especial da mulher no Senado, disse que a mulher não participa da política porque a política no Brasil é feita por homens e para homens. Ao comentar sobre o pequeno número de mulheres eleitas, a procuradora analisa que existe um problema estrutural na organização política brasileira que inibe a participação feminina.

Em maio de 2015, a União Inter-Parlamentar publicou dados que mostram o Brasil ocupando a 116ª posição no ranking de representação feminina no Legislativo. A pesquisa foi realizada em 190 países. As taxas brasileiras ficam abaixo da média mundial, sendo que os números do país são inferiores aos do Oriente Médio, com uma taxa de participação feminina de 16% nos estados brasileiros.

Falta de representatividade gera insegurança

A falta de representatividade é preocupante quando, em outubro, o Fórum Econômico Mundial (WEF, em inglês) divulga análise que o Brasil levará 95 anos para alcançar a igualdade de gênero. O amplo relatório examinou as diferentes oportunidades para homens e mulheres em 144 países. O país ficou na 79ª posição.

O Brasil ainda engatinha quando se trata de igualdade de gênero. Mulheres ganham, em média, 30% a menos do que homens para exercer a mesma função. A maioria tem que se dividir entre trabalho fora e dedicação doméstica. Também são líderes em estatísticas de assédio sexual no trabalho. Segundo a Secretaria de Políticas para Mulheres do Governo Federal, a cada 12 segundos uma mulher é violentada. A cada dez minutos, uma mulher é estuprada, de acordo com o Mapa da Violência. Em 90 minutos uma mulher é assassinada, de acordo com o IPEA.

Se os representantes do país não garantirem políticas afirmativas que assegurem o bem estar da sociedade em geral, como se esse fosse o instrumento de mudança pensado por Aristóteles, a insegurança de ser mulher sem representatividade no legislativo só tende a aumentar.

 

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