Geral

Aplicativo promete melhorar a autoestima das pessoas

Lançado há mês por um psiquiatra, Cíngulo utiliza técnicas de diversas linhas de psicoterapia

Foto: Roberto Caloni

Foto: Roberto Caloni/Beta Redação

 

Algum dia você já se sentiu incapaz de realizar uma tarefa ou até mesmo pensou que era inferior a outras pessoas? Tais sentimentos podem ser decorrência de problemas de autoestima, que afetam a maneira como uma pessoa se percebe, se reconhece e se avalia. Pensando em auxiliar quase 60% dos brasileiros que declaram ter autoestima baixa – segundo o International Stress Management Association, ISMA-BR -, foi criado um aplicativo de autoterapia com foco na aceitação própria e melhoria da confiança do indivíduo, o Cíngulo.

Essa é uma iniciativa do psiquiatra Diogo Lara, que pesquisa principalmente os temas temperamento, transtornos de humor, autoestima e personalidade. A ideia da ferramenta, lançada há menos de um mês, é possibilitar sessões simples e práticas de terapia individual a qualquer um e em qualquer lugar. As técnicas se dão através de textos, vídeos, áudios, esquemas e perguntas interativas para reforçar a confiança do usuário.  “São técnicas que vêm de diversas linhas de psicoterapia para tornar o processo mais interessante, dinâmico e eficaz”, conta Lara.

Para o lançamento do app, foi feita uma extensa pesquisa com mais de 5 mil pessoas para saber as principais aflições e dores advindas da autoestima frágil. Os respondentes ainda nortearam a equipe quanto a técnicas que gostariam de ver num aplicativo.

O psiquiatra acredita que, na verdade, as pessoas estão frente a diferentes tipos de autoestima: alta, frágil, baixa e boa. “Erroneamente se pensa que a autoestima deve ser alta, mas a saudável é boa, simplesmente boa. Não é preciso se sentir especial, acima da média, ‘poderosa’ para ter uma relação boa consigo. Este sentimento não passa de uma maneira de tentar compensar inseguranças”, revela.

A psicóloga Sabrina Rezende concorda que a autoestima frágil é um problema que aflige a população de forma bastante negativa. Isso porque, assim, o indivíduo tem crenças ruins a seu respeito, baixa iniciativa, postura crítica e punitiva e não se percebe capaz de realizar suas atividades. “Como consequência está a dificuldade de se relacionar, de encarar desafios pessoais ou de trabalho, menor capacidade de resolução de problemas”, acrescenta.

Além disso, de acordo com Sabrina, esse diagnóstico pode gerar quadros de isolamento social, baixo rendimento no trabalho ou estudos, ansiedade elevada e até mesmo depressão. Pensamentos como “não sou capaz de realizar essa tarefa”, “isso é muito difícil para mim”, “não posso errar!”, ” nunca vou ser reconhecido pelo meu trabalho”, ” o fulano é tão melhor”, “não tenho sucesso nas minhas relações” e “agora que está dando tudo certo, devo me preparar para o pior” são comuns no dia a dia de uma pessoa que enfrenta tais dificuldades.

O app também reforçou o conceito de autoterapia, visto que o usuário pode fazer as sessões no seu ritmo e através de suas técnicas favoritas. “Gostamos muito do conceito de autoterapia. Sabemos que livros de autoajuda podem até ser interessantes de ler, mas não mudam muita coisa. Este formato é algo bem mais profundo e personalizado, por tirar proveito das novas tecnologias. Uma grande vantagem é que o usuário é realmente o grande agente da sua própria mudança e evolução”, diz o psiquiatra Lara.

Sabrina acredita que toda a terapia é válida e que o importante mesmo é que o paciente se identifique com a abordagem. Porém, reforça o diferencial de ter auxílio profissional: “O indivíduo pode se questionar sobre o que realmente o faz feliz? Sobre quais são os seus pontos fortes e limites?”, indaga.

Para Lara, as pessoas têm procurado, cada vez mais, diferentes alternativas de terapia. “Com o mundo cada vez mais agitado, a maioria das pessoas se depara com problemas emocionais em algum momento da sua vida, mas nem todas conseguem acesso a um bom apoio ou tratamento por diversas razões: custo, tempo, disponibilidade de profissionais, medo e vergonha de se expor, privacidade”, destaca.

Fernanda Albuquerque, empresária e usuária do aplicativo, foi uma das participantes da pesquisa realizada pela equipe do Cíngulo. “Eu não entendia que a minha autoestima frágil me incomodava tanto até realizar o teste”, conta. “Eu faço terapia cognitivo-comportamental há alguns anos, e é bom saber que posso utilizar outras técnicas em casa para ajudar no meu cotidiano”, complementa. Inclusive, este é um dos objetivos do app: complementar abordagens de terapia.

Para a empresária, a técnica com a qual mais se identifica são os textos do aplicativo, uma vez que sofre diariamente com pressão e com a necessidade de dizer não. “Ele tem me ajudado a perceber as consequências de não dizer ‘não’, de me sentir inferior, especialmente no dia a dia do meu trabalho”, completa.

Já para o farmacêutico Rafael Silva o aplicativo se mostrou um grande aliado contra a baixa autoestima. “Eu, na verdade, me sentia um lixo. Achava que não merecia nada de bom e nada do que eu fazia era útil”, revela. “Claro que ainda não estou 100% melhor, mas é bom ‘sentir’ que não estou sozinho e abrir o app sempre que quiser para responder os testes e pensar um pouco”, conclui.

Lara avalia que ambos os sexos sofrem com a autoestima frágil. “Quando se fala de autoestima, aqui logo se pensa em beleza (mais nas mulheres) e poder/resultados/posses (mais nos homens), que são calcados em fatores externos”, diz. Sabrina ainda exemplifica a dificuldade das mulheres: “Parece que, quando não percebe a sua autoimagem como idealiza, a mulher sente que tudo está perdido, levando a um pensamento extremista: 8 ou 80”, argumenta.

Alguns dados corroboram com a importância do aplicativo. Com foco nas mulheres, a marca Dove realizou uma pesquisa para compreender a autoconfiança delas – e como isso influencia em suas vidas. Veja o infográfico abaixo:

RELATÓRIO GLOBAL DE AUTOCONFIANÇA FEMININA

A verdade é que a tecnologia também pode ajudar para que as pessoas se sintam mais motivadas e possam compreender suas dores. Nem sempre é possível realizar sessões de terapia convencional, mas a busca por novas alternativas têm mostrado uma motivação inicial. “Quando conseguimos fazer o movimento da autoestima baixa, frágil ou alta em direção à autoestima boa, nos protegemos desses problemas e uma série de situações difíceis da vida passam a ser resolvidas. Afinal, somos nós que temos o leme e as velas do nosso barco na mão. Ter uma autoestima boa é saber como navegar o nosso barco pelos mares da vida”, finaliza o idealizador da ferramenta.

O aplicativo é gratuito para as três primeiras sessões e, depois disso, é possível ativar a assinatura premium para continuar recebendo conteúdo. O usuário também pode acessar sua conta através do computador, caso não tenha o sistema iOS, requisitado pelo app.

Interface do app

Interface do app.

Lida 4337 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.