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Automutilação deixa marcas no corpo e na alma

InTCC promove palestra para debater o tema

Foto: Thais Ramirez/Beta Redação

Assunto, apesar de delicado, deve ser debatido dentro e fora de casa / Foto: Thais Ramirez/Beta Redação

Não é de hoje que se ouve falar em automutilação, ato associado a transtornos psicológicos. Mas, tendo em vista as repercussões do jogo da Baleia Azul, em que um de seus desafios consiste na automutilação, o assunto teve maior proporção e um aumento desta prática pelos jovens. O maior índice de ocorrência, segundo a psicóloga Marina Gusmão Caminha, é entre meninas de 12 e 15 anos, e os lugares mais comuns são os braços, barriga, pernas e partes íntimas.

Esta atitude se manifesta através de cortes e perfurações pelo corpo, muitas vezes feitos com estiletes, vidros, agulhas e lâminas de barbear. Ricardo Moreira, psiquiatra e coordenador do Centro de Promoção à Vida e Prevenção ao Suicídio do Hospital Mãe de Deus, conta que, quando uma pessoa se mutila, libera uma substância secretada no cérebro que transmite prazer, satisfação e alívio. “Eles trocam a dor psíquica pela dor física, que faz com que esqueçam o sofrimento psicológico. Essa sensação de alívio pode causar dependência entre os automutilados”, explica. Contudo, a automutilação não chega a ser uma doença. De acordo com o profissional, ela é um dos sintomas da depressão. O Brasil é o 5º país mais depressivo do mundo e o de maior incidência de ansiedade, relata o psiquiatra.

Moreira sugere que os pais olhem o corpo dos filhos e conversem: “Muitos jovens de hoje em dia estão abandonados. O desamparo gera angústia, que, prolongada, gera o desespero. Por carência e falta de atenção eles procuram uma maneira de alertar e chamar a atenção”, acrescenta.

A psicóloga Marina acredita ser fundamental a abertura para falar sobre esses temas entre pais e filhos, já que o espaço de discussão e troca já é, por si só, uma forma de prevenção. “Quanto mais atentos e próximos os pais estiverem de seus filhos, melhor a comunicação entre eles. Consequentemente, mais abertos os jovens ficam com os pais e mais espaços têm para dividirem suas angústias”, opina. Segunda ela, assuntos tabus, como automutilação e comportamento, suicida são difíceis de serem conversados em qualquer âmbito, mas deveriam ser encarados de frente para evitarmos mais prejuízos para os adolescentes. “Proporcionar situações de discussão sobre os temas, espaços que visem prevenir a exclusão e o bullying e aumentar comportamentos cooperativos e empáticos pode ajudar muito”, destaca.

A também psicóloga Cristiane Bortoncello diz que o tema automutilação faz parte e surge em diversos momentos da formação e atuação do psicólogo e outros profissionais da saúde. Mas, ultimamente, este assunto passou a aparecer, também, em grupos de discussão entre pais e escolas. “A automutilação é um comportamento de risco que pode, inclusive, levar à morte. Pouco se fala sobre esse tema, que deveria ser mais discutido entre adultos e cuidadores dessa faixa etária.”

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Palestra gera debate sobre o tema

O Núcleo de Apoio as Escolas (NAES), iniciativa do InTCC Ensino, Pesquisa e Atendimento Individual e Familiar, especializado em terapias cognitivo-comportamentais e terapia familiar, é um grupo de estudos e promoção de palestras e eventos que possam contribuir com escolas, pais e demais cuidadores de crianças e adolescentes.

Localizado em Porto Alegre, o InTCC oferece qualificação aos profissionais da área da saúde e educação, por meio de aportes teóricos e práticos. “Acreditamos que uma forma de contribuir para a saúde mental das crianças e adolescentes é realizar um trabalho que possa atender a determinadas demandas da escola, no sentido de auxiliar na formação de adultos mais saudáveis para conviver consigo mesmo e com os outros”, relata a idealizadora do NAES, a psicóloga Marina.

Depois do ambiente familiar, a escola é o espaço mais importante na vida do ser humano. É nela que o sujeito vai se constituindo como ser social, pensante e questionador. O colégio participa, cada vez mais cedo, da vida das crianças e trabalha na perspectiva de dar ênfase, não só ao desenvolvimento dos conhecimentos científicos, mas também na formação da subjetividade, construção de valores e promoção da saúde mental. Estas, portanto, são metas relevantes do processo educativo, que contribuem para a formação de uma sociedade mais justa e equilibrada.

Direcionada para todos os públicos, a palestra tem como tema central adolescência, automutilação e prevenção ao comportamento suicida. Ela ocorre na próxima quarta-feira, dia 10, na sede do IntCC, na Av. Plinio Brasil Milano, 232, no bairro Higienópolis, em Porto Alegre, das 19h às 20h30. O valor do ingresso é de R$ 30,00.

Para demonstrar interesse na palestra basta acessar o link.

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