Geral

Aula inaugural debate papel da Comunicação em conflitos

O jornalista e pesquisador Fernando Resende palestrou para os alunos dos cursos de Comunicação da Unisinos, na noite da quarta-feira (13)

Fernando Resende na aula inaugural dos cursos de Comunicação da Unisinos

(Foto: Amanda Mendonça Moura)

Sob o tema “A narração do conflito e a produção do acontecimento jornalístico: invenções em torno da África e Palestina”, o jornalista e pesquisador Fernando Resende ministrou a palestra da aula inaugural dos cursos de Comunicação da Unisinos, na noite da última quarta-feira, 13. O encontro ocorreu no Auditório Bruno Hammes e contou com a mediação do professor Ronaldo Henn.

O jornalista trouxe para a discussão as narrativas em coberturas de conflitos impactadas pelos grandes embates e articulações de poder que historicamente dominam a prática da Comunicação. Em sua pesquisa, Resende repensa a necessidade de mudança desse comportamento e o objetivo do jornalismo como um lugar de enunciação. “Jornalismo é uma prática sociocultural, uma reescritura do presente”, defende.

Para a pesquisa, Resende tem como objeto a representação de dois conflitos históricos pela mídia: Israel x Palestina (séc. XX e XXI) e a Revolta dos Malês (séc. XIX – Salvador/BA) .  O jornalista discutiu as invenções criadas pela mídia que reduziram o contexto dos conflitos em política e religião. “Um Oriente e um Ocidente foram criados. A mídia se submete a descrever uma geopolítica do poder e também de um processo de invenção do outro”, destaca.

O jornalista realizou estudos históricos e antropológicos para conhecer as verdadeiras faces dos conflitos e afirmou que, em ambos as narrações, a mídia tornou a invenção do outro como perspectiva hegemônica. “A mídia não se apropria de dados e torna a leitura estereotipada, não muito diferente do que ocorre hoje. A mídia trabalha para dividir opiniões”, conclui.

Aos alunos de Comunicação, Resende defendeu que a verdadeira narração de um conflito é onde sujeitos não são excluídos, e a tensão e as diferenças são mostradas, pois o jornalismo tem o poder de criar imaginários e representações do mundo. “O jornalismo só é possível quando colocamos em cena as dissonâncias. O jornalismo é organizar o campo do visível e do sensível”, destaca. Conforme o pesquisador, a Comunicação vem se mantendo pela sustentação de poder. “Se toma pelo poder do outro para falar o que o outro quer, e ainda prega o discurso de imparcialidade”, ressalta.

A aula inaugural fez parte de uma parceria entre a graduação em Jornalismo e o Programa de Pós-Graduação da Unisinos.

Fernando Resende é formado em Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP) e professor do Programa de Pós-graduação em Comunicação e do curso de graduação em Estudos de Mídia da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Lida 612 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.