Cultura

Ativismo cibernético ou criminosos amparados pelo anonimato?

O documentário Deep Web, de 2015, tem 89 minutos e traz uma investigação ampla sobre o caso do site Silk Road, um portal na chamada internet profunda que negociava principalmente drogas de naturezas diversas.

William Ross Ulbricht, sob o pseudônimo de Dread Pirate Roberts (DPR), seria o grande responsável pelo site que movimentou milhões de dólares em bitcoins (criptomoeda e sistema de pagamento online,  independente de qualquer autoridade central. Um bitcoin pode ser transferido por um computador ou smartphone sem recurso a uma instituição financeira intermediária).

Mais do que isso, a partir de entrevistas com usuários do Silk Road, DPR seria um grande ativista cibernético. Inspirado no movimento dos Cypherpunks dos anos 90, Ross idealizava uma internet livre do controle governamental, completamente anônima. Com seus códigos de conduta, DPR não negociava pedofilia, moedas falsas, serviços fraudulentos ou qualquer outro produto que fosse prejudicar pessoas inocentes. Para Ross, o uso de drogas era de escolha pessoal e a natureza violenta do narcotráfico não se reproduzia nas vendas online, sem a participação dos traficantes e dos policiais que multiplicavam a violência das negociações.

O administrador é apresentado como um idealista, que pensa na limitação do controle do governo para garantir a liberdade dos usuários. Nesse idealismo que entram a Deep Web e o uso de uma moeda impossível de rastrear, dentro de um vasto espaço online, totalmente criptografado e livre das pressões governamentais. Essa espécie de anarquismo cibernético já foi tema de documentários e reportagens. Em 2013, o documentário TPB AFK: The Pirate Bay away from keyboard conta a história dos três fundadores do site de compartilhamento de arquivos sem custos para os usuários. O Pirate Bay foi alvo de diversas ações por crimes cibernéticos e violações dos direitos autorais, e seus criadores estão refugiados longe dos países de origem, sendo que um se encontra preso.

Não é de hoje que essas ferramentas da internet causam fascínio. Julian Assange, jornalista e ciberativista, criador do site WikiLeaks, dedica a vida a denunciar casos de abusos governamentais no controle da internet, disseminando informações hackeadas dos sistemas de investigações de governos de todo o mundo. Mais recentemente, Edward Snowden, ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), provocou um escândalo ao divulgar escutas ilegais feitas pela NSA contra diversos países, entre eles o Brasil, com gravações inclusive de ligações da presidente Dilma Rousseff.

O ciberativismo ou os crimes cibernéticos, dependendo de quem avalia, são um assunto atual e fascinante. O documentário apresenta, além da personalidade desses ciberativistas, toda a linha investigatória que levou à prisão de William Ross Ulbricht, o DPR, e a cobertura da mídia no caso. As denúncias de julgamento midiático nos transportam para o momento político atual no país. O documentário leva à reflexão sobre a espetacularização da mídia e também sobre todas as ações que envolvem a pouco compreendida Deep Web.

 

Ficha técnica

Direção: Alex Winter

Elenco: Keanu Reeves, Cody Wilson

Gênero: Documentário

Nacionalidade: EUA

Ano: 2015

Duração: 89 minutos

Disponível em: Netflix

Lida 688 vezes

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