Economia

Assim pedala a humanidade (e a juventude)

Aumento do uso de bicicletas entre jovens reduz interesse por carros

A preocupação da montadora GM em 2012, quando um artigo publicado no New York Times apontava maior interesse de jovens por bicicletas do que por automóveis, não era em vão. Segundo informações da Revista Fórum, até julho do ano passado havia 60 milhões de bikes no Brasil. Ainda de acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira dos Distribuidores de Bicicleta (Abradi), 6 milhões de unidades são produzidas anualmente pelo setor, embora a entidade acredite que a produção poderia ser maior se houvesse incentivo fiscal.

Com o aumento de produção e com cada vez mais iniciativas para fomentar o uso das bikes no dia a dia, é inevitável que este fator também contribua para queda do setor automobilístico. Uma reportagem produzida pela Beta Redação aponta que nos primeiros oito meses deste ano foram vendidos 1,4 milhão de carros, representando uma redução de 19,36% em comparação com 2014.

Caroline Rodrigues adotou a bicicleta há dois anos/Foto: Caroline Rodrigues

Caroline Rodrigues adotou a bicicleta há dois anos/ Foto: Arquivo pessoal, Caroline Rodrigues

Além disso, com a consolidação da cultura da imagem na sociedade, que está ligada diretamente à saúde e ao bem-estar, os jovens têm se apoiado “nesta lógica como meio afirmativo de aceitação social”, analisa o sociólogo Clayton Pereira. Para ele, a bicicleta representa “o senso de hábitos mais sustentáveis e ecológicos e ainda proporciona a sensação de liberdade do pertencimento às tribos urbanas que se unem pelo movimento da qualidade de vida”.

Enquanto as bicicletas se afirmavam como um meio de locomoção pelo menos nos últimos três anos, a estudante Caroline Rodrigues começou a fazer parte desse novo público consumidor. “Comecei a pedalar mesmo há uns dois anos, pelo trânsito, pelo exercício, pela grana que economizo em passagem de ônibus e pelo prazer de uma pedalada bem cansativa. Hoje, se tenho que sair e posso ir de bike, nem penso duas vezes”, conta.

Outros dois estudantes, Gabriel Pires e Eduardo Souza, também adotaram a bicicleta como meio de locomoção. “Opto pela bike porque é um meio de locomoção sustentável e rápido perto do trânsito caótico e denso que temos hoje”, explica Pires. Souza conta que tem utilizado a bicicleta desde o início do ano com maior frequência. “Não vejo a necessidade de utilizar carro para deslocamentos que não sejam longos, já que a bike cumpre um papel excelente para isso. Além disso, tenho estado atento a muitas situações que remetem à mobilidade urbana, ambiental e até mesmo da saúde”, conta.

Questionados a respeito do uso de carros, dois deles compartilham da mesma opinião: necessário apenas para longas distâncias. Caroline não dirige e não possui carteira de habilitação. “Até tenho interesse, mais por motivos de urgência e vontade de meter o pé na estrada e viajar, mas pra rodar pela cidade ou ir trabalhar, não. Não quero ser mais uma motorista estressada no trânsito nas idas e vindas do trabalho e da aula nos horários de pico, no meio de todas as imprudências e loucuras que vejo todos os dias.” Enquanto isso, Pires relata que está fazendo autoescola. “Tenho interesse [em ter um carro e dirigir], pois o carro é ótimo para se locomover a grandes distâncias”, diz. Por outro lado, Souza possui o perfil relatado no início desta matéria: “Dirijo sim, mas  já não vejo a necessidade ou interesse em um carro nesta fase da minha vida”, afirma.

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