Economia

A ascensão dos brechós infantis na Capital

Lojas chegam a ter preços 70% mais baratos

Em 2016, o comércio brasileiro fechou o ano com a maior queda de vendas no varejo desde 2001, com um déficit de 6,2%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Contudo, as vendas em brechós vem crescendo. Em tempos de crise e de consumo consciente, as pessoas estão buscando novas alternativas na hora das compras. Nos brechós, o lucro pode ser tanto do proprietário quanto do consumidor, que pode vender as suas roupas, artigos e acessórios sem uso, mas em boas condições. E assim o consumidor consegue adquirir novos produtos sem ter que botar a mão no bolso.

Em Porto Alegre, esse nicho de brechós está se popularizando com o passar dos anos e vem modificando a forma de consumo das famílias da Capital. Janaina Sonnenfeld, que é mãe de Davi, afirma que antes comprava em lojas convencionais. “As crianças crescem muito rápido e as roupas deixam de servir em um piscar de olhos. Comprar em brechós facilita porque consigo fazer trocas também”.

Há quatro anos Luciana Bottona e sua irmã decidiram investir em um novo negócio e abriram um brechó infantil na Zona Leste de Porto Alegre, chamado Brechózinho. O lugar para abrir o empreendimento foi escolhido de maneira estratégica pelas proprietárias, visto que na época, não havia brechós na localidade. “A ideia surgiu ao ver as crianças da família crescerem, foi aí que percebermos que muitas roupas ainda não tinham sido usadas e nem serviam mais. Pensamos em como dar um destino a essas roupas que eram novas ou seminovas para atender as necessidades de outras mães de forma acessível”, ressalta Luciana.

 

Além de vender roupas semi-novas, o Brechózinho confecciona borys personalizados. Foto: Arquivo pessoal

Além de vender roupas seminovas, o Brechózinho confecciona bories personalizados. Foto: Arquivo pessoal

 

A proprietária do Brechózinho afirma que apesar do movimento da loja ser grande, é possível sentir efeitos da crise, mesmo tendo um produto diferenciado:  “Não aceitamos roupas manchadas, rasgadas ou com qualquer danificado. Isso faz com que os clientes confiem na qualidade do que estamos vendendo”, conclui.

Chaianna Bugs que é empresária e tem dois filhos, costuma passar toda semana no brechó Era meu Agora é teu para conferir se chegou alguma novidade para os filhos. Chaianna acredita que comprar em brechós, além de mais barato, é uma forma de fazer um consumo consciente das roupas e acessórios, visto que as crianças usam por um período curto. “As meninas da loja já me conhecem, estou sempre aqui. No momento em que vejo que as roupas dos meus filhos deixam de servir, trago para trocar por outras peças”, completa.

Cada brechó lida de formas diferentes quanto as trocas de mercadorias. Alguns só trocam as roupas usadas  por outras da mesma categoria e não possuem número mínimo de peças para troca. Já outros, como o brechó Era meu Agora é teu, possuem regras específicas para cada produto vendido na loja. O brechó só aceita mercadorias de acordo com a necessidade, além de reservar dias específicos para a avaliação dos produtos. “Para trocas, trabalhamos com um número mínimo de 10 peças para que seja realizada a avaliação. Depois de avaliadas, o cliente pode escolher usar o valor com produtos novos ou seminovos, visto que no fundo da loja possuímos um outlet”, afirma a vendedora, Débora Oliveira.

 

Chaianna e sua filha Lara escolhendo as peças que irão comprar. Foto: Stéphany Franco/Beta Redação

Chaianna e sua filha Lara escolhendo as peças que irão comprar. Foto: Stéphany Franco/Beta Redação

 

Nesse nicho do mercado é possível encontrar peças de diferentes valores, que chegam a sair até 70% mais baratos do que em lojas convencionais. De acordo com a professora Angela Maria Carvalho, os brechós localizados em bairros menores possuem o preço das mercadorias mais atrativo. “Quando minhas filhas eram crianças, eu costumava comprar muita coisa em brechó. Agora que elas são adolescentes continuo indo nos brechós infantis, porém para presentear”.

Para chamar a atenção dos consumidores, os brechós, mesmo sendo mais baratos, ainda fazem promoções com roupas da estação, além de oferecerem outros produtos, como brinquedos e livros: “O produto que mais tem saída são as roupas, independente da época. Aqui na loja, os clientes encontram peças a partir de R$ 2. Outra coisa que tem bastante saída são os aromatizadores de ambiente, que são muito elogiados pelos clientes”, ressalta Débora. Já Luciana, do Brechózinho, afirma que, sem dúvida, as roupas que são mais vendidas são as de inverno. “Sinto que no verão as pessoas não estão muito preocupadas em como vestir os seus filhos. No inverno a coisa muda, eles sentem-se na obrigação de comprar vestimentas que protejam os seus filhos do frio”.

De acordo com Carolina Kluwe, proprietária do brechó Tempo de Criança, na loja é possível fazer um enxoval completo para as crianças de zero a 12 anos com um preço cerca de 60% mais barato do que o mercado. “Temos produtos que chegam a custar ⅕ do valor encontrado em lojas tradicionais do ramo”. Quanto às vendas, os brechós afirmam que, diferente das outras lojas, o movimento tem aumentado a medida em que a crise vai afetando as famílias da Capital.

 

Com a crise a procura por brechós tem aumentado gradativamente. Foto: Stéphany Franco/Beta Redação

Com a crise a procura por brechós tem aumentado gradativamente. Foto: Arquivo pessoal

 

 

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