Cultura

As impressões de uma novata

Carmina Burana e a temporada 2016 da Ospa

Você já assistiu a uma apresentação de dança com orquestra sinfônica? Nada disso? Eu também não, até semana passada. A Temporada 2016 da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre Carmina Burana com coro, solistas e dançarinos. A minha estreia nesse gênero foi grandiosa. O espetáculo foi executado no Auditório Araújo Viana, com casa cheia.

As primeiras impressões de um concerto de música erudita são as disposições dos músicos e, principalmente, do palco. A orquestra fica entre a plateia e o palco. Lá em cima, o coro e um telão, tudo muito deferente dos shows de música pop que estou acostumada a assistir. Antes de a apresentação começar, aplausos para a entrada dos cantores – que timidamente se organiza em cima do palco. Em seguida, e nada discreto, o mastro agradece os aplausos e dá início ao concerto. Com uma varinha, um livro de partituras e muitos gestos, ele comanda os músicos, o coro e todo o enredo de Carmina Burana.

Para uma novata, o conjunto da obra já estava lindo e emocionante, mas o recital precisava de mais adeptos. Os dançarinos flutuavam pelo palco. Com muita leveza nos conduziam ao ritmo da música orquestrada pelo regente. Homens e mulheres, muito bem caracterizados, tentavam me passar uma mensagem – em alguns momentos me senti navegando em mar aberto; em outros, festejando uma grande conquista. Com todo esse conjunto de fatores eu só conseguia repetir: que lindo! que lindo! que lindo! Pouquíssimas vezes assisti algo tão bonito e ouvi melodias tão ricas. Quando os solistas entraram no palco, o espanto foi maior. Que belíssimo ouvi um cantor lírico ao vivo, que surpreendente ver um artista tão bem preparado. Carmina Burana contou com três solistas: uma mulher e dois homens.

Após as diversas entradas dos convidados, tons de vermelho ocuparam os espaços principais do palco: nos figurinos e nas projeções de fogo do telão. Agora estamos falando de paixão e amor. Em três idiomas diferentes: italiano, latim e alemão medieval, o público é conduzido a acompanhar a história do casal. Há momentos de indecisão, desconfiança e dor, mas tudo termina com um beijo – um final feliz para os contos mais românticos.

O final feliz não foi somente da montagem, mas do maestro, do coro, dos dançarinos, dos solistas e, principalmente, do público que lotou o Auditório Araújo Viana. Após a apresentação da música “O Fortuna”, a plateia aplaudiu de pé – interruptamente – o belíssimo espetáculo. Foi, assim, noite embalada por outro ritmo que deixou esta novata  aqui com brilho nos olhos e uma vontade de voltar e virar admiradora.

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