Cultura

Arte nos bits

Arte e videogame podem andar juntos

Click. Ao apertar de um botão, centenas de impulsos elétricos são instantaneamente emitidos e traduzidos por um complexo emaranhado de fios e placas. Na tela, forma-se uma imagem. E com pequenos movimentos somos capazes de comandar exércitos, salvar a princesa, livrar a humanidade dos mais terríveis fins. Ou exterminá-la. Mas poderia ser tudo isso encarado como arte?

Com o surgimento de Pong, uma espécie de pingue-pongue arcaico e pixelado, os games se tornaram grandes amigos nas horas vagas. E das nem tão vagas assim. Por outro lado, temos a arte, que está presente no cotidiano humano há milhares de anos e já passou por diversas modificações, chegando hoje ao que conhecemos como arte contemporânea. O encontro entre a plataforma videogame e o objetivo artístico só poderia dar em uma coisa: mais arte.

Julia Stateri é doutoranda pelo Instituto de Artes da Unicamp. Ela explica que os meios utilizados para se fazer arte surgem de maneira experimental, principalmente quando se envolve tecnologia. É o caso da fotografia e do cinema, por exemplo, que levaram certo tempo para que fossem considerados genuinamente artísticosO mesmo acontece com o videogame. Para a arte contemporânea, não importa o meio através do qual o artista se expressa. Pode ser uma tela, pode ser o corpo, pode ser o muro de um prédio. A experiência estética possui o mesmo potencial. “Mesmo que os primeiros jogos tenham sido desenvolvidos com propósitos mais técnicos, é possível apreciar neles um teor estético”, enfatiza Julia.

Se pegarmos o exemplo de uma pintura que retrata uma pessoa, ela será mais artística quanto mais chamar a atenção para a própria pintura e não tanto para aquilo que ela representa. Esse é um conceito de arte que valoriza a forma. A maneira de se perceber uma pintura, um filme ou um jogo.

“No entanto, a experiência estética é voltada somente para o olhar. O videogame oferece símbolos para outros sentidos, além de envolver a ação.” O exemplo é do professor Edson Pfutzenreuter, também da Unicamp. Os games têm como finalidade principal gerar uma experiência lúdica, mas também contêm aspectos referentes à forma. E aí entra a tal experiência artística. Assim, jogos como Space Invaders, com todos aqueles pixels à mostra, pode ser tão arte como Journey, que foca na beleza estética.

Antes de acabar o texto, é importante lembrar que os games não se restringem mais aos jogos que você compra em lojas, na Steam ou baixa pirateado. O avanço da tecnologia democratizou o acesso à plataforma e, hoje, muitos artistas utilizam os games para vender sua arte.

É o caso da instalação What it is Without the Hand That Wields it, do artista Riley Harmon, que chama a atenção para todo o sangue derramado nos games.

 

 

Ou do Museu Itinerante do Videogame, que já passou por diversas cidades do Brasil e recebeu até reconhecimento do Instituto Brasileiro de Museus. O intuito da coleção é mostrar diferentes tipos de consoles e os games criados em cada época. Assim, acaba sendo tanto um museu que resgata uma história quanto um que oferece uma experiência artística.

Mas, afinal, games são arte ou não? Buscar uma resposta definitiva para o campo cultural é sempre perigoso. Os jogos se apresentam há um bom tempo como mais um suporte para se fazer arte. Logo, há o Shakespeare dos bits e o autor de best-sellers em massa. Ou seja: pode ser feito e absorvido como tal ou pode ser apenas para ganhar mais dinheiro. E o best-seller não é arte, então? Esse assunto fica para outro texto.

Para saber mais sobre games e arte, veja os links abaixo.

Até mais e bom jogo!

Click, desligo.

 

Super Mario chega ao Museu”

Jogos são cultura?

Curso gratuito sobre a relação entre arte e games

Museu do Videogame

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