Cultura

ENTREVISTA: Ariadne Decker, a arte como paixão

Artista plástica de Novo Hamburgo é apaixonada por desenhos desde criança

Foto: arquivo pessoal

Foto: arquivo pessoal

Desde criança, a artista plástica Ariadne Decker é apaixonada por desenho e, ainda muito jovem, começou a colecionar prêmios relacionados à arte. O caminho mais natural não poderia ser outro que não o sucesso. Com um vasto currículo em exposições e contribuições ao município de Novo Hamburgo, onde mora desde os seis anos, ela ministra aulas desde os 17.

Formada em Artes pela Universidade Feevale, Ariadne está sempre fomentando a cultura local. Ela ministra, em seu atelier (Rua Arlindo Pasqualini, 189, Vila Nova – Novo Hamburgo), cursos de pintura, além de contar com outros dois professores renomados.

Confira, a seguir, uma entrevista exclusiva com a artista.

Há quanto tempo você é pintora?

Não sei bem há quanto tempo sou artista visual… Acho que desde sempre (risos). Eu era uma criança que gostava muito de desenhar e que continuou desenhando. Inclusive, eu até usava isso como ferramenta de inclusão social, porque eu era muito tímida. Por conta dos desenhos, as pessoas se aproximavam de mim; os professores e alunos pediam para eu fazer trabalhos. E, no fim, eu nunca parei de desenhar.

Ser artista sempre foi um sonho seu?

Na verdade, uma coisa foi levando a outra. Com 12 anos já participei da fundação de um clube de artes na minha escola, depois comecei a apostar em concursos… Aos 14, recebi o prêmio SESCBRAL, cuja premiação era material de pintura. Ali, ganhei praticamente um atelier inteiro. Isto é, não tinha o espaço físico, mas tinha tudo que precisava. Assim, meus desenhos foram ficando melhores e isso foi determinante.

Qual é a sua trajetória enquanto artista plástica?

Como falei, sempre desenhei. Antes de ingressar na faculdade de Artes, na Feevale, eu já dava aula de desenho. Depois, ganhei prêmios na própria faculdade que davam créditos em disciplinas e assim foi. Quando me formei, tive minha primeira exposição individual e as coisas foram acontecendo.

Você sempre teve o seu atelier?

Sim. Por um tempo, eu até trabalhava durante o dia numa empresa e me dedicava, durante à noite, ao meu atelier. Porém, quando tive meu segundo filho, tive que escolher entre a carreira de artista plástica ou continuar nesse local onde eu trabalhava. Preferi arriscar pois não queria me arrepender. E deu certo!

Foto: Reprodução

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Você nasceu no RJ, mas logo se mudou para o Vale do Sinos. Como isso lhe influenciou?

Eu tenho um carinho enorme por Novo Hamburgo! Meu coração é daqui e minha vida também. Minha formação, minha família, tudo. Muitas exposições foram inspiradas nessa cidade. Inclusive, ano passado lancei um livro de colorir do município (foto).  Além disso, fomento muito a cultura de Hamburgo Velho. Teve até uma ação que fiz, na qual desenhava os prédios históricos na rua, as pessoas olhavam o quadro e falavam “Que bonito!”, sem perceber que aquilo era real, estava na frente delas. Também estou com a série de noturnos de Novo Hamburgo, além de participar de feiras de calçado, nas quais exponho há muito tempo – desde que a cidade era a capital nacional do calçado.

Quantas exposições você já teve?

Nossa, nunca parei para pensar. Foram, sem dúvida, muitas.

Qual foi a que mais lhe marcou?

Tem uma história que é engraçada. Eu estava com uma exposição pronta e era sobre bares. Mas quando decidi pedir a opinião dos meus amigos sobre qual imagem escolher para o convite, percebi que eles não tinham gostado. Aquilo fez com que eu não quisesse mais a exposição, mas como estava tudo certo, criei uma nova em questão de um mês. Essa, então, foi batizada de “Tendas da Beira de Estrada”, e foi um sucesso.

Foto: arquivo pessoal

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Há quanto tempo você ministra cursos?

Nossa, há muito tempo. Como falei, desde os 17 anos já dou aula. Mas aqui no meu atelier, desde 2008.

Quem pode participar?

Basicamente, todo mundo. Desde quem quiser aprender, até quem quiser aprimorar o seu desenho. As pessoas que já desenham, ajudo a corrigir, melhorar; e as que querem aprender, ensino desde o começo. Posso dizer que, no curso, se aprende o ABC do desenho. Depois, direciono cada um conforme seus interesses.

São aulas individuais ou em grupo?

São individualizadas. Eu ministro aulas nas segundas e quintas-feiras, das 14h às 22h da noite. O aluno escolhe qual horário ir e, quando ele chegar, o material estará na mesa e eu o acompanharei durante as 3h de duração da classe. Às vezes temos mais alunos no mesmo horário, mas cada um é direcionado para o seu propósito.

Qual é a duração?

A base são 4 meses. Mas, se a pessoa quiser seguir para aprimorar, pode continuar. Ou, se alguém quer fazer menos tempo, também pode. Quem determina o prazo é o aluno.

Qual o perfil dos seus alunos?

Tem de tudo. Tem gente que quer aprimorar o desenho e faz só uma parte, tenho alunos que querem focar em tatuagem, têm também os estudantes de moda… Enfim, de tudo um pouco. Todos são bem-vindos.

Tem idade mínima para realizar as capacitações?

Sim, 12 anos.

Quais outros cursos têm no seu atelier?

Temos o curso de desenho e HQ com o Daniel HDR, que é desenhista da Marvel e DC Comics; e a capacitação de pintura a óleo com ênfase na figura humana, ministrado por Marciano Schmitz.

Você está sempre em movimento?

Sim! No momento, estou finalizando um trabalho que vou levar para uma feira em Bogotá e acabei de voltar de uma capacitação em São Paulo sobre “como apresentar o produto cultural”. Também estou trabalhando em uma história em quadrinhos que será lançada na feira do livro de Dois Irmãos, além de mais um livro de colorir que estou produzindo. Já tenho a feira de calçado Zero Grau em novembro e, em janeiro, a Couromoda. Ou seja: estou sempre trabalhando em projetos e fazendo o que amo.

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