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POR QUÊ SE UNIR?

Aspectos que são levados em consideração no momento de formação dos Blocos Econômicos

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A diminuição das fronteiras, facilidade no trânsito de pessoas e de mercadorias são algumas das vantagens que os países garantem ao participarem de Blocos Econômicos. No entanto, essas relações também criam a interdependência entre os países. Sendo assim, alguns  optam por não participarem de grandes blocos (ou participar relativamente). Esses, normalmente realizam tratados independentes – conhecidos como Blocos Periféricos.

Crédito Imagem: Guia do Estudante – Abril

Para essas uniões serem efetivas, alguns aspectos são levados em consideração. Na América do Sul, a geografia e a língua são fatores decisivos no momento de estabelecer os vínculos. A Amazônia corresponde a 52% da área continental do Brasil. Lá, o tráfego é complicado, o que dificulta a integração e o fluxo de produtos e pessoas. Além dessa, outra barreira geográfica é a Cordilheira dos Andes. Essa muralha natural é fisicamente grande e separa os Estados. Os países a leste da cordilheira têm mais facilidade de se integrar. Já os povos que estão a oeste e são banhados pelo pacífico, tem mais dificuldade. Esses aspectos geográficos dificultam muito a ligação e a circulação entre os países, fator que influencia tanto na política quanto na economia, “o que é diferente na europa, que é plana e você viaja por ela toda de trem”, conclui Marcos Aurélio Barbosa dos Reis, coordenador da Especialização em Relações Internacionais e Diplomacia da Unisinos.

Sobre o aspecto linguístico, a América do Sul é dividida em dois idiomas predominantes: o português e o espanhol. Apesar do espanhol ser parecido com o português e isso facilitar a integração, por outro lado, se nós entendemos o espanhol com certa clareza, quem fala o espanhol tem problemas em entender o português. As possibilidade favoráveis que os brasileiros que vivem na fronteira entre Brasil e Paraguai (compreensão da língua vizinha e solo mais plano), acarretou na “invasão” de brasileiros no Paraguai – tornando-se conhecidos como “brasiguaios”.

Crédito Imagem: Guia do Estudante – Abril

Outro fator que deve ser levado em conta, é a liderança no momento de integração, tanto sobre o ponto de vista político, quanto econômico. Nesse caso, o Brasil não teve condições para ser o líder no processo de construção do Mercosul. Havia a ideia de que, quando Brasil e Argentina se unissem para a formação de um bloco econômico, todos os outros países da América do Sul iriam aderir também, como num efeito dominó. Não foi o que aconteceu.

Os países banhados pelo oceano pacífico são atraídos pelo mercado norte americano, mexicano, chinês, japonês e australiano, o que dificulta o processo de integração político e econômico dos países sul americanos. O Estados Unidos, por exemplo, querem celebrar tratados individualmente com os países, atraindo-os com acordos bilaterais comerciais que são favoráveis aos interesses americanos. Neste caso, nem o Brasil nem a Argentina, que são os dois maiores países da América do Sul e líderes do Mercosul, têm capacidade política e econômica de bancar com uma proposta melhor.

Dentro do Mercosul, temos o caso interessante do Chile. O chile não é membro pleno do Mercosul, devido aos seus acordos vantajosos com países asiáticos e os Estados Unidos. Para Reis, “é muito mais interessante para o Chile colocar os seus produtos no mercado asiático e norte americano, do que colocar no mercado sul americano. Ele vai vender mais”. Já, por outro lado, o Paraguai, a Argentina e o Uruguai apostaram no mercado brasileiro. A partir do momento em que Brasil e Argentina se uniram para criar o Mercosul, trouxeram consigo o Paraguai e o Uruguai, que são países que tem a economia muito dependente desses países, diferente do Chile, que tem a economia mais independente.

E pra entender melhor a relação política do Brasil em seu mais antigo bloco econômico, a Beta Redação preparou um vídeo explicando essa história que começa com a guerra e paz entre nós e os hermanos argentinos.

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