Economia

Apesar da crise, empreendedorismo está em alta

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O momento econômico atual, no estado e no país, é delicado e gera preocupação. Mesmo em meio à crise econômica, pesquisas demonstram alguns dos melhores índices em empreendedorismo dos últimos anos. A região Sul ganha destaque por ter o segundo melhor índice do país, de acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), conduzida pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), com apoio do Sebrae.

O GEM revela que 45 milhões de brasileiros são empreendedores (iniciais e estabelecidos). Desse total, cerca de 6,7 milhões, ou 35,1% da população com idade entre 18 e 64 anos, estão no Sul.

“O mais importante mapeamento de empreendedorismo mundial revela um perfil em alta na região Sul. É a segunda maior participação regional, só perdendo para o Nordeste, com 36,4% de empresários”, explica o diretor-superintendente do SEBRAE/RS, Derly Fialho.

De acordo com os dados, existe uma expansão no número de pessoas que opta por abrir o próprio negócio no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O número subiu entre 2013 e 2014. Em 2013 o percentual de empreendedores sobre a população economicamente ativa era de 28,6%. Em um ano, o índice avançou para 31,3%.

“O número de 2014 é um recorde na taxa de empreendedorismo da região. A vitalidade do empreendedorismo indicada pela pesquisa pode ser atribuída a um ambiente legal mais adequado ao surgimento e ao desenvolvimento das micro e pequenas empresas”, avalia Fialho.

No Brasil, a taxa de empreendedorismo também bateu recorde. De acordo com a GEM, três em cada dez brasileiros adultos entre 18 e 64 anos possuem uma empresa ou estão envolvidos com a criação de um negócio próprio. É o maior índice de todos os tempos. “Em dez anos, essa taxa de empreendedorismo saltou de 23%, em 2004, para 34,5%. Metade da taxa corresponde aos empreendedores novos – com menos de três anos e meio de atividade – e a outra metade, aos donos de negócios já estabelecidos há mais tempo”, esclarece o diretor. A taxa de empreendedorismo do Brasil também fica à frente dos outros países que compõem os Brics. São quase oito pontos percentuais à frente da China, com uma taxa de 26,7%. A Índia tem uma taxa de empreendedorismo de 10,2%, a África do Sul, de 9,6%, e a Rússia, de 8,6%. O número de brasileiros que já têm uma empresa, ou que estão envolvidos na criação de uma, é superior, também, a países como Estados Unidos (20%), Reino Unido (17%), Japão (10,5%), Itália (8,6%) e França (8,1%).

Segundo Fialho, os índices do país demonstram que mais pessoas veem no empreendedorismo uma oportunidade de vida. “Esse valor recorde pode ser atribuído, também, ao incremento do número de formalizações que temos presenciado nos últimos anos e às melhorias no ambiente legal, como a criação e ampliação do Supersimples”, acredita.

Hoje, as Micro e Pequenas Empresas (MPEs) representam 95% do total de empresas no Brasil e 99,1% no Rio Grande do Sul. Representam ainda 2% dos empregos formais no País, 40% da massa salarial, 27% do Produto Interno Bruto (PIB) e 9,8 milhões de empresas optantes do Supersimples, 18% na região Sul. No Brasil, 75,6% das MPEs  sobrevivem mais de dois anos – no Rio Grande do Sul, esse percentual é de 75%.

O sonho do negócio próprio

A pesquisa revela que abrir um negócio continua sendo o terceiro maior sonho do brasileiro, atrás apenas de comprar a casa própria e viajar pelo Brasil. “Mas pela primeira vez o número de pessoas que almejam se tornar o seu próprio chefe é praticamente o dobro das que desejam fazer carreira numa empresa”, revela Fialho. Os dados mostram que, enquanto 31% dos brasileiros querem montar um negócio, 16% querem crescer dentro de uma empresa.

Com tantos brasileiros e gaúchos querendo empreender, municípios e Sebrae começam a implantar opções que facilitam a abertura de empresas. Lajeado, no Vale do Taquari, mantém a Central do Empreendedor. O órgão funciona há dois anos, e há um mês integra a Redesim do Sebrae. O objetivo é oferecer aos empresários e empreendedores entrada e saída única de documentos e burocracia reduzida ao mínimo necessário. “Todos os documentos para a legalização de um negócio entram pelo Escritório Regional da Junta Comercial de Lajeado e todos saem pela Central do Empreendedor. E o empresário tem a sua disposição uma Consulta de Viabilidade anterior ao ato de registro, que garante que ele saiba previamente todas as obrigações e custos que terá com a legalização de seu empreendimento”, explica Cristiane dos Reis, agente de desenvolvimento e responsável pela Central do Empreendedor. De acordo com ela, o trabalho da Central reduziu em 95% o tempo de abertura de uma empresa.

Sistema semelhante é implantado na prefeitura de Estrela, município vizinho a Lajeado. A Sala de Apoio às Empresas, também integrada à Redesim, busca fomentar o empreendedorismo no município com agilidade e desburocratização. De acordo com o coordenador da sala, Marcos Quadros, o órgão tem atingido esses objetivos. “Avançamos muito e realmente diminuímos os prazos antes necessários. Atingimos os objetivos e traçamos novos. O tempo médio hoje para abertura de uma empresa que não necessita de liberações ambientais, por exemplo, é de 7 dias. Anteriormente podia passar os 30 dias”, afirma.

As centrais de empreendedores integradas à Redesim trabalham com a união de todas as secretarias envolvidas no processo de criação de empresas: geralmente, Planejamento, Saúde, Fazenda e Meio Ambiente. As centrais e salas centralizam esse processo junto aos empreendedores e seus contadores, que não precisam procurar cada pasta separadamente.

“A equipe é coesa e desenvolve em um mesmo local o atendimento às empresas. Dentro da Central do Empreendedor atua um fiscal de cada secretaria para dar andamento aos processos e prestar as informações necessárias para quem quer empreender em nossa cidade”, explica Cristiane.

O diretor-superintendente do Sebrae, Derly Fialho, acredita que a formalização das empresas é um dos fatores que contribuem com o aumento das taxas de empreendedorismo no país e no Estado.

Empreender em meio à crise

A crise não parece ter afetado os empreendedores. Pelo menos não os desencorajou. Mesmo assim, um cenário delicado exige alguns cuidados. “Neste momento de instabilidade econômica, que requer atenção redobrada por parte dos potenciais empresários e também dos empresários consolidados, faz-se necessário um olhar ainda mais atento para o mercado”, salienta Fialho. Segundo ele, os empreendedores precisam estar atentos e entender quais as principais necessidades da comunidade onde vivem, e de que forma eles podem contribuir para resolver essas necessidades com seu produto ou serviço. “Essa é uma análise extremamente importante e que faz total diferença no mercado atual”, afirma.

A agente de desenvolvimento de Lajeado, Cristiane dos Reis, avalia que os empreendedores estão tendo mais atenção na hora de abrir um negócio. Mas afirma que a taxa de empreendedorismo do município está em crescimento. “Neste último mês tivemos um acréscimo de 50% nos processos tramitantes dentro da Central do Empreendedor. Isso significa que, ao menos dentro de Lajeado, a economia permanece em crescimento”, conclui.

Marcos Quadros, da Sala do Empreendedor de Estrela, também afirma que o número de empreendimentos no município tem aumentado. “Isso é percebido pelo aumento no pedido de Estudo de Viabilidade que chega até a Sala. Assim, os empreendedores informais se formalizam, consequentemente aumentam sua renda e muitas vezes contratam mais um colaborador”, afirma.

A Secretaria de Desenvolvimento de Lajeado, Ivanete Fracaro, acredita que, apesar do momento econômico, as dificuldades podem ser superadas. “Temos setores, como indústrias de alimentos com exportações, que estão com suas atividades num crescente, com um volume maior de vendas. O setor do comércio sofre com a crise e com o desequilíbrio das temperaturas desaquecendo suas vendas. Temos que ter cautela e planejamento para superar o momento. Talvez, como já passamos, em 20 anos, por 47 crises, avaliar o que deu certo e buscar não cometer erros, sermos precavidos e cautelosos nas nossas ações”, avalia.

Fialho afirma que, neste momento, é preciso ser criativo e pensar em inovação. “E quando falamos em inovação, não estamos nos referindo a grandes invenções ou mudanças em processos e produtos. Inovar também é o ‘fazer diferente’, o novo. E o novo é uma necessidade constante do mercado”, pontua. Segundo ele, é preciso que o empreendedor defina suas linhas de reflexões, analise-as e defina as estratégias para não apenas superar o cenário atual, mas criar algo melhor dentro da realidade econômica. “Como diz a famosa afirmação de Nizan Guanaes, ‘Enquanto eles choram, eu vendo lenços’, essa é uma linha de raciocínio que todo empreendedor deve ter”, ressalta.

Perfil do Empreendedor

O perfil do empreendedor no Brasil e no Sul está cada vez mais jovem. “A maioria dos empreendedores do Sul, 52,8%, tem entre 18 e 34 anos. Já os indivíduos com 55 a 64 são os menos dispostos a iniciar um negócio, com 10,3%, um índice pouco superior ao nacional, que é de 10%”, explica Fialho.

A pesquisa revela ainda que 48,1% dos empreendedores iniciais têm pelo menos segundo grau completo ou mais, 58,5% são casados ou vivem em união estável e a imensa maioria, 87,7% de quem começou a empreender na região, é branca.

A maioria dos empreendedores é motivada pela oportunidade, e não pela necessidade, apesar da crise. “Segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), de 2014, de cada 100 brasileiros que começam um negócio próprio no Brasil, 71 são motivados por uma oportunidade de negócios e não pela necessidade. Esse índice vem se mantendo estável nos últimos anos, o que implica diretamente na qualidade do empreendedorismo brasileiro”, avalia Fialho.

Dicas para quem quer empreender

O diretor do Sebrae, Derly Fialho, dá algumas orientações para quem quer empreender. A dica principal é atenção. “Nossa orientação é que não tenha pressa e dedique um tempo para a realização de uma pesquisa de mercado. Principalmente se esse negócio for a única alternativa de fonte de renda”, diz. Segundo ele, para minimizar ainda mais os riscos de a empresa fechar nos primeiros dois anos, é importante o empreendedor identificar com que tipo de negócio tem afinidade, qual o mercado gostaria de atuar, pesquisar informações que poderão auxiliar a visualizar uma oportunidade de negócio. O Sebrae presta orientações e auxílio para essas pessoas. “No Sebrae ele receberá instruções completas de como fazer essas pesquisas, assim também diminuirá o tempo de execução das mesmas. Fomentar o pensamento empreendedor, incentivar que cada empresário, dentro de sua realidade de mercado, encontre a oportunidade e, de forma concisa e planejada, coloque em prática a sua ideia, é como atuamos”, explica.

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