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Antigos hábitos de higiene são tema de exposição no Museu de Sapiranga

Batizada de “Passando a limpo: preceitos higiênicos”, a mostra ocorre até 25 de abril

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Objetos expostos. Foto: Roberto Caloni/Beta Redação

Entre os dias 23 de março e 25 de abril, o Museu Municipal Adolfo Evaldo Lindenmeyer, de Sapiranga, apresenta a exposição “Passando a limpo: preceitos higiênicos”. A iniciativa mostra, através de objetos, antigos hábitos de higiene da população. “Resolvemos realizar a exposição, principalmente, para as crianças, que não sabem que antes não existia banheiro, por exemplo”, conta a funcionária do museu Anelise Bloss.

“As crianças nos perguntam: mas eles tomavam banho nessa banheira? Então, explicamos a elas que não, que existiam banheiras maiores. Também contamos que não havia vaso sanitário, mas sim as latrinas, que ficavam fora das casas”, relata Anelise.

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Anelise Bloss trabalha há 18 anos no museu. Foto: Roberto Caloni/Beta Redação

Dentre os objetos que compõem a exposição, há, ainda, um antigo absorvente de pano. “Hoje em dia, estamos acostumados com produtos de higiene que são descartáveis, mas, antigamente, eles eram feitos para durar”, lembra a funcionária.

Além dos itens específicos para higiene, a exposição também traz alguns livros do acervo bibliográfico de Leopoldo Sefrim, importante figura para a emancipação do município. Anelise acrescenta que, enquanto montavam a exposição, a equipe do museu percebeu que esses livros falavam sobre medicina, cuidados de higiene e psicologia. “Achamos legal colocá-los junto na exibição, pois eles mostram que havia a preocupação com corpo e, também, com a mente”, afirma Anelise.

A ex-moradora da cidade Leonir da Silva, 44 anos, que hoje vive em Uruguaia, aproveitou a visita ao município para ir até o museu. “Quando morrei aqui, vim algumas vezes. Como estamos pela cidade, resolvemos passar no museu”, conta. Ela destaca que gosta de ir a museus para descobrir as histórias por trás dos objetos. “Gosto bastante de objetos antigos, e, vindo ao museu, consigo saber mais sobre a história deles”, observa.

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Jonatas Tito e Leonir da Silva aproveitaram a visita à cidade para passar no museu. Foto: Roberto Caloni/Beta Redação

“Achei o museu bem diferente do da minha cidade. Aqui, tem mais objetos. Em Uruguaiana só tem fotos”, aponta Jonatas Rafael Tito, 24 anos, enteado de Leonir.

A exposição “Passando a limpo: preceitos higiênicos” faz parte do cronograma do museu. Todo mês, uma exibição diferente é apresentada. “Realizamos essas exposições temporárias para dar destaque a objetos que, muitas vezes, passam despercebidos ao público que visita o museu”, avalia Anelise.

Confira o cronograma de exposições para 2017:

Exposicao Museu Sapiranga

Atividades e funcionamento do museu

Inaugurado em 1996, o museu está localizado no prédio da antiga Estação Ferroviária de Sapiranga, local que representa o marco do desenvolvimento urbano do município. Tendo como objetivo resgatar, estudar, documentar e difundir o patrimônio cultural da cidade, o local abriga objetos antigos, muitos doados pela comunidade sapiranguense e da região.

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Museu está localizado na antiga estação de trem da cidade. Foto: Roberto Caloni/Beta Redação

Para a secretária de Educação, Cultura e Desporto de Sapiranga, Cláudia Kichler, preservar a história da cidade é fundamental para que seja possível compreender a trajetória da comunidade. “O museu municipal tem esta missão de resgatar e preservar a memória de nossa cidade e região, servindo de ponte entre passado, presente e futuro”, reforça.

Sobre os projetos realizados no local, a profissional destaca especialmente as exposições temporárias; o funcionamento do museu aos domingos – uma opção de lazer para a comunidade; e o trabalho realizado junto às escolas, que levam os alunos até o local. “O espaço tem um importante papel neste trabalho de manter viva a memória de nossa cidade”, afirma Cláudia.

O museu está aberto à visitação de segunda à sexta-feira, das 8 horas às 11h30 e das 13 horas às 17h30. Aos domingos, das 13h30 às 17h30. Para saber mais sobre a sua história, acesse aqui.

Queda no número de visitantes

Segundo dados disponibilizados pelo Museu Municipal Adolfo Evaldo Lindenmeyer, o ano de 2016 registrou 4.992 visitantes, entre alunos e comunidade. Comparado a 2015, o número representa uma queda de 12%.

Veja o gráfico abaixo.

No ano de maior movimento, em 2015, o museu registrou 5.670 visitantes. Contudo, este ainda é um número baixo para uma cidade com mais de 80 mil habitantes. Para o professor e doutor em história Daniel Gevehr, os museus, hoje, são vistos, infelizmente, como um “depósito de coisas velhas”. Para ele, a baixa procura está atrelada, em síntese, a dois aspectos: a questões culturais do país e a uma má administração pública do patrimônio histórico.

“Nós, brasileiros e latino-americanos, não temos a tradição de preservar a memória”, pondera Daniel Gevehr.

Para o professor, isto é percebido não só pela pouca procura por museus, mas também devido a maneira que as pessoas lidam com o patrimônio histórico. “Preservar uma casa antiga é visto como custo, e não benefício”, exemplifica.

Outro ponto que Gevehr destaca é a própria política da cidade em torno do museu. “A forma que a gestão municipal compreende esse local de memória – afinal, antes de tudo, o museu é um local de memória -, é extremamente ultrapassada”, critica. A falta de um museólogo no local, por exemplo, é um dos motivos pelos os quais o doutor justifica sua posição. “A presença deste profissional é importante. É dele a responsabilidade de criação, programação e atualização das ambiências do museu”, complementa.

“Eu penso que, principalmente, a baixa visitação do museu é reflexo da má administração pública em relação ao local”, avalia o doutor em História.

O pesquisador ainda questiona: “A pergunta que fica é: como a comunidade vai valorizar o seu museu, se a própria municipalidade não entende que a educação patrimonial é algo urgente?”. Segundo Gevehr, é preciso que haja, ainda, um projeto de modernização que valorize a cultura material e imaterial do município. “Por terem se modernizado e serem interativos, os museus norte-americanos ou europeus são tão visitados. Precisamos agir dessa maneira aqui também”, finaliza.

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