Economia

Alta do desemprego requer trabalho duro e criatividade

Com o aumento das taxas de desemprego neste ano na Região Metropolitana, o porto-alegrense precisa se dedicar e ser inventivo na hora de trabalhar

Segundo relatório da Fundação de Economia e Estatística (FEE) divulgado no final de março de 2016, o desemprego em fevereiro na Região Metropolitana de Porto Alegre foi de 10,1%, um aumento de 4,3% se comparado ao mesmo período no ano passado. No levantamento, que compara a participação no mercado por faixa etária, a mais afetada é a de 16 a 24 anos, com queda de mais de 6% também se comparado ao ano anterior. Com o aumento dessas taxas, surge o questionamento sobre como a população está fazendo para se sustentar. A seguir, a Beta Redação apresenta dois casos bem distintos de porto-alegrenses que, à sua maneira, batalham para ganhar o seu pão.

 

Estabilidade profissional: um desejo de muitos

Pertencente à faixa etária mais atingida pelo desemprego, Miguel Prytoluk, 23 anos, que é funcionário público da Câmara Municipal de Porto Alegre e já passou do estágio probatório (tempo necessário para o novo funcionário adquirir estabilidade), está seguro em seu emprego como assistente legislativo. Miguel começou profissionalmente em escritórios de contabilidade, passou por uma bolsa de iniciação científica e foi funcionário temporário no IBGE até ficar sabendo de um concurso. Um colega lhe falou que estavam fechando as inscrições para um concurso na Câmara que teria um bom salário e uma boa função. “Em janeiro de 2012 fiz a prova e logo descobri que tinha ficado dentro do número de vagas (5º lugar de 13 vagas), aí em fevereiro de 2012 saí do IBGE porque sabia que seria chamado. Comecei na Câmara em dezembro de 2012 e estou aqui até hoje, 3 anos e 3 meses depois.”

Miguel reconhece a posição privilegiada. “Vejo muita gente com diploma pegando subemprego, muita gente com bolsa que não consegue se sustentar inteiramente e muita gente remando e não conseguindo ter uma carreira sólida”, comenta. Apesar de ter emprego garantido, ele afirma que incomoda um pouco o fato de ter que trabalhar 8 horas por dia e também a resistência do serviço público para mudanças e melhorias. Mas o lado bom é poder financiar seus hobbies e ter uma renda com a qual possa contar e, com isso, ter tranquilidade para planejar o futuro. “No momento estou montando uma empresa com um sócio, no ramo de geração de energia, que é pra ser meu trampolim para fora, daqui um ano e pouco. Estar num trabalho que me dá capital para isso é o que eu preciso na verdade.”

 

Multitarefas, multiempregos

Keista no exercício de DJ e Taróloga/Foto de Pietra Costa

Keista no exercício de DJ e Taróloga. (foto: Pietra Costa)

 

Há jovens que vivem em uma situação contrária à de Miguel. “Comi dando aulas e vestindo as sandálias, corrigindo temas e respondendo mensagens”, diz Keista Kichel Dorigoni, 28 anos, formada em Letras-Inglês na UFRGS desde 2012. Keista, que mora sozinha há 8 anos, tem muitas fontes de renda diferenciadas. Mas quando questionada se tem algo assinado na carteira, responde: “não, porque eu sou ‘vida louca’”. Ela cita várias razões para não ter um vínculo fixo com algum trabalho, como não gostar de estar presa a algum lugar e ter a liberdade de poder viajar quando, como e se quiser: “Se eu resolver que quero ir embora mês que vem eu posso ir pra Chapada Diamantina, por exemplo”.

Segundo ela, ser professora de português é a sua atividade principal. As outras profissões são complementares, mas não são poucas. Keista diz que não conhece muitas pessoas que, assim como ela, acumulam tantas ocupações tão diferentes entre si. Revisora de inglês, DJ em festas e outros eventos, organizadora de feiras e taróloga, ela ainda faz bolinhos para vender para fechar as contas. “Não trabalho demais, eu trabalho pra pagar as contas. Não chego a fazer 40 horas semanais, então ainda me sobra tempo.”

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