Geral

Ajuda que vem de fora

Há 62 anos, volutários se unem na Liga Feminina de Combate ao Câncer para auxiliar pessoas diagnosticadas

No mês de conscientização para o câncer de mama, conhecido como Outubro Rosa, empresas, instituições e a população em geral  aderem à campanha de combate à doença, incentivando a prevenção e a realização de exames para o diagnóstico precoce. Esse é o segundo tipo de câncer mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres. Ao todo, a cada ano, são 57 mil novos casos no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Para auxiliar pessoas diagnosticadas não só com o câncer de mama, mas com diversos tipos da doença, a Liga Feminina de Combate ao Câncer do Rio Grande do Sul (LFCC/RS) trabalha há 62 anos.

A Liga é uma entidade filantrópica, sem fins lucrativos, que visa assistir ao doente carente portador de câncer e conscientizar e educar a população para a prevenção da doença. Hoje, a entidade se expandiu em diversos municípios, com as chamadas Ligas Regionais. “A Liga assiste a todos os doentes carentes portadores de qualquer tipo de câncer, mulheres, homens e crianças, indistintamente”, afirma Nelma Gallo, de 63 anos, que está na presidência da Liga desde 2015.

 

Equipe reunida da Liga de Combate ao Cancêr

Equipe reunida da Liga Feminina de Combate ao Cancêr. Foto: LFCC/RS.

 

Além de conscientizar a população, a Liga oferece serviços básicos para o paciente diagnosticado. Um deles é o assistencial, que se destina a fornecer todos os recursos necessários para o paciente em tratamento e para o acompanhante: passagem, remédios, refeições, conforto psicológico, além de empréstimos de perucas e doação de lenços, bonés, turbantes e próteses mamárias externas. Há, também, o serviço ambulatorial, que é composto por médicos voluntários, no qual é oferecido o exame de papanicolau, pequenos procedimentos e biópsias. As pacientes de risco ou diagnosticadas são aconselhadas e encaminhadas para tratamento.

A Liga Feminina de Combate ao Câncer é subdividida em grupos de apoio. O Grupo de Apoio aos Laringectomizados (Grupo Gala), por exemplo, acolhe pessoas que tiveram câncer nas cordas vocais ou na garganta. Fonoaudiólogos, fisioterapeutas e nutricionistas, todos voluntários, atendem uma vez por semana esses pacientes. Há, também, o setor social, que cuida de eventos para arrecadar fundos. “A Liga de Porto Alegre não recebe nenhum valor dos órgãos públicos”, frisa Nelma. Já o setor de prevenção, composto por médicos, enfermeiros e voluntários, ministra palestras de prevenção, mostrando vídeos e outras maneiras de como manter uma vida saudável. A Liga Jovem fica responsável por doações, além de promover oficinas para os pacientes hospitalizados.

De acordo com a presidente da Liga do Rio Grande do Sul,  embora o trabalho seja o mesmo durante o ano todo, no mês de outubro, devido à campanha, a procura por palestras, distribuição de folders e laços cor de rosa aumenta para a conscientização geral.

Cuidados que fazem a diferença

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) relata que 30% dos cânceres de mama podem ser evitados com a adoção de hábitos saudáveis, como praticar atividade física regularmente, alimentar-se de forma saudável, manter peso corporal adequado, amamentar e evitar ingerir bebidas alcoólicas. “Tive um bom tratamento, porque eu sempre me cuidei”, afirma Catia Vecchio, 53 anos, que é tesoureira da Liga há cinco anos e que, em 2014, descobriu que estava com câncer de mama.

 

Cátia em um evento da Liga, ao lado da filha Andréa Gastal. Foto: arquivo pessoal, Catia Vecchio.

Catia em um evento do Outubro Rosa de 2014 promovido pelo Hospital Mãe de Deus, ao lado da filha Andréa Gastal. Foto: arquivo pessoal, Catia Vecchio.

 

“Não é só nosso corpo que adoece, mas também nossa mente, e quando isso acontece, o corpo responde”, diz Catia. Ela destaca a importância de três bases fundamentais para manter a sobriedade: a prevenção, a fé e o apoio familiar e psicológico. “Além disso, procurei blogs e sites com dicas para amarrar lenços e onde comprar perucas. São detalhes que ajudam com a autoestima”, completa. Cátia sugere que pacientes diagnosticadas com o câncer de mama evitem olhar sites relacionados à troca de experiências de pessoas que estão em tratamento: “Li o caso de uma mulher que inflamou o cateter. Não indico, pois aumenta a paranoia”.

Mesmo com todas as consequências que um câncer e seu tratamento podem trazer, Catia afirma que em momentos difíceis é importante não relutar. “Conheci mulheres que se recusaram a fazer a quimioterapia, porque não queriam perder o cabelo, e isso não é o mais importante, o cabelo cresce de volta.”

 

Após o tratamento, Catia se recuperou normalmente. "Manter hábitos saudáveis me ajudou na minha recuperação." Foto: Érika Ferraz / Beta Redação

Após o tratamento, Catia se recuperou normalmente. “Manter hábitos saudáveis ajudou na minha recuperação.” Foto: Érika Ferraz / Beta Redação

 

Em sua atuação na Liga, depois de sua experiência, Catia entendeu a importância do trabalho voluntário e conta que passou a valorizar mais o que fazia e a valorizar o apoio dado em um momento de fragilidade.

Diagnóstico e tratamento

Camile Stumpf, 34 anos, é médica mastologista, mestranda pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em ginecologia e obstetrícia, sua linha de pesquisa é voltada para a mastologia. O mastologista é o médico que trata, diagnostica e orienta sobre alterações benignas da mama como cistos, fibroadenoma, dor mamária e tem papel fundamental no diagnóstico do câncer de mama,  realizando o tratamento clínico, cirúrgico e reparador da mama. “Para o diagnóstico, precisamos sempre de uma avaliação clínica (exame físico), exames de imagem e biópsia da lesão”, orienta Camile.

A mastologia tem atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o Brasil. Em Porto Alegre, por exemplo, existem médicos mastologistas que atendem pelo SUS no Hospital de Clínicas, Hospital Conceição, Hospital Fêmina, Hospital Santa Casa e Hospital São Lucas. Além do tratamento, Camile destaca que a reconstrução da mama também é coberta pelo SUS. “O procedimento é oferecido a todas as pacientes que terão um prejuízo estético com o tratamento cirúrgico para o câncer de mama e o tipo de reconstrução é indicado conforme a cirurgia que foi realizada.”

Todo tratamento de câncer é individualizado. Tudo depende do tipo do tumor, tamanho do tumor e resposta à quimioterapia e radioterapia. Quanto mais cedo a doença for diagnosticada, maior é a chance de cura, por isso o trabalho de prevenção da Liga é importante. “O que nós fazemos é apenas um pingo num oceano. Procuramos suprir as necessidades básicas de alguém que, além da condição carente, está fragilizada pela doença”, diz Nelma.

Lida 806 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.