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Você conhece a água que está bebendo?

Problemas invisíveis contidos na água podem gerar várias doenças

Água é vida. Acredito que você já tenha ouvido essa afirmação. Além das indicações da quantidade de água que se deve ingerir diariamente, pois nosso corpo é composto em sua maioria por água. No entanto, o cidadão gaúcho conhece a água que está consumindo? Quais os parâmetros básicos para que o tão precioso líquido possa ser considerado potável? Pois é, as pessoas só reparam que há algum problema na água quando há alguma coloração diferente, cheiro ou gosto, mas existem problemas que são gerados por micro-organismos que, apesar de contaminarem a água, permitem que esteja inodora, insípida e incolor.

A infectologista e coordenadora da disciplina de Doenças Infecciosas e Vacinologia da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Lessandra Michelin, 42 anos, aponta que existem diversos perigos ao ingerir água contaminada. “Há risco de adquirir bactérias, vírus, fungos e parasitas que podem causar doenças gastrointestinais ou sistêmicas. A ingestão de metais pesados também pode trazer graves danos ao organismo, como doenças neurológicas e neoplasias”. No entanto, segundo Lessandra, há uma gama mais comum de doenças que são adquiridas por pessoas que ingerem água que contenha coliformes totais e fecais, por exemplo. “Algumas doenças mais comuns que as pessoas contraem são hepatite A, febre tifóide, leptospirose, cólera, rotavírus, norovirus,  e diarréia causada por enterobactérias, entre outras doenças de transmissão fecal-oral”, concluiu a infectologista.

Corpo humano é composto por cerca de 60% de água

Corpo humano é composto por cerca de 60% de água

 

A Portaria Nº 2.914, de 12 de Dezembro de 2011 dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade. No Rio Grande do Sul, há órgãos estaduais e municipais responsáveis pelo tratamento e distribuição de água nos municípios. A Companhia Riograndense de Saneamento (CORSAN), é uma organização estadual que detém o direito de tratamento e distribuição em mais de 300 municípios no Estado, divididos em superintendências regionais . Os outros órgãos que cuidam da água são municipais. O Departamento de Manutenção de Água e Esgotos (DMAE), e o Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (SAMAE), em Porto Alegre e Caxias do Sul, respectivamente, são dois exemplos desse tipo de serviço.

Existem alguns parâmetros indicados a partir de testes físicos, químicos e microbiológicos que devem estar em conformidade com a Anexo da Portaria 2914/2011 para que a água esteja potável. Eduardo Kieling, 51 anos, médico veterinário, coordenador do programa de Vigilância da qualidade da água (VIGIAGUA) na 5ª Coordenadoria Regional de Saúde (5ª CRS), que abrange a fiscalização e apoio de 49 munícipios, explica que a fiscalização quanto a qualidade da água é um instrumento que deve seguir um conjunto de ações entre União, Estado e Municípios. “Toda água destinada ao consumo humano, distribuída coletivamente por meio de Sistema ou SAC, deve ser objeto de controle e vigilância da qualidade da água. A Portaria 2914/2011 define as competências da União (Art. 6° ao 10°), Estados (Art.11) e as competências dos Municípios estão definidas no Art. 12.”

No entanto, existem alguns processos, desde a captação até a distribuição, que a água passa para chegar a casa das pessoas. O site da CORSAN mostra algumas formas de tratamento dessa água. Kieling explica alguns desses processos conforme o tipo de captação(Superficial ou Subterrâneo), que determinará o tratamento a ser realizado para que a água se torne potável: “Um exemplo pode ser em Caxias do Sul, onde toda captação é superficial, ou seja, captação em barragens. Toda captação superficial passa por um processo de tratamento bem mais complexo e criterioso do que se fosse captação subterrânea. Da captação na barragem a água segue por adutoras até chegar na Estação de Tratamento de Água (ETA), onde inicia seu processo de tratamento para se tornar potável. Chegando na ETA, ela passa inicialmente pelo processo de floculação, após decantação, depois filtração e por final quando estiver potável vai para reservação. Em todo este processo desde a chegada na ETA ela recebe alguns produtos químicos até se tornar potável e também passa por inúmeras análises laboratoriais definidas pela Portaria 2914/2011 que irão garantir a sua qualidade e potabilidade. Dos reservatórios ela segue para o Sistema de Distribuição até chegar às residências”.

Há outros casos também, onde a captação da água é subterrânea, ou seja, é captada em poços, direto dos lençóis freáticos. Assim, o tratamento mais comum é a fluoretação e cloração da água, por meio de bombas dosadoras, na saída dos poços. No entanto, há muitas pessoas que associam a água esbranquiçada, além da formação de uma crosta branca em chaleiras e resistências e chuveiros a cloração exagerada da água. Segundo Kieling, o problema é outro. “Quando a água sai branca da torneira, é porque ocorreu interrupção no abastecimento de água por algum motivo, como conserto de rede e outros, ocorrendo a presença de ar na tubulação, por isso que a água fica branca. É só deixar em repouso por alguns minutos que ela volta a ficar incolor. Já a crosta em chaleiras e chuveiros ocorre devido a presença de sais minerais na água, acontecendo em locais com altos índices de dureza na água”. conclui o coordenador do programa VIGIAGUA.

No ensaio abaixo, a equipe da Beta Redação mostra um teste simples para saber a quantidade de cloro que a água que você está ingerindo possui.

 

 

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