Economia

Agroindústrias Familiares: solução e problema

Crise econômica afeta o produtor, apesar de auxílio por programas do Governo Estadual

 

No dia 17 de Janeiro de 2012, o Governo Estadual criou a LEI N.º 13.921, a fim de instituir a Política Estadual de Agroindústria Familiar no Estado do Rio Grande do Sul.  Segundo dados da Secretaria Estadual do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo(SDR) já são 2747 agroindústrias cadastradas no programa. Uma dessas agroindústrias familiares é a Agroindústria Vini, em São Vendelino, município situado no pé da Serra Gaúcha. Produtor de conservas vegetais e doces, o empreendimento foi iniciado em 2013, a partir do Programa Estadual de Agroindústria Familiar (PEAF). Coordenada pelo produtor Inácio Herpich, 51 anos, a agroindústria foi criada para que os produtos produzidos pudessem ser vendidos no mercado formal. “Antes, fazíamos as conservas e compotas em casa, e vendíamos somente para amigos e familiares. Mas, vendo que as vendas poderiam crescer, resolvi formalizar o negócio”, disse Herpich.

page_1Para que o produtor rural pudesse produzir os pepinos, picles e beterraba em conserva, além das compotas de laranja e figo, ele teve que “se enquadrar” diante das diversas exigências para poder ser incluído no PEAF. A primeira questão foi o levantamento de documentos para arquitetar a infraestrutura necessária. Herpich teve muitas dificuldades no início, pois, segundo ele, as coisas não andavam. “Tive que ir atrás de muitas coisas, documentos, como dos bombeiros, por exemplo. Durante 3 meses, eles ficaram pedindo diversos documentos e cursos, sendo que no final só precisava de uma visita deles ao local, pra ver que era de baixo risco”, disse Herpich, referindo-se ao Alvará de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (APPCI). No final, o produtor, por intermédio do PEAF, conseguiu um financiamento de R$ 80.000,00 reais a juros baixos, para serem pagos em 10 anos, o que propiciou que construísse uma estrutura para a produção das compotas e conservas.

Umas das ajudas que Herpich recebeu foi da Extensionista Rural de Nível Superior da Emater, Márcia Ruff da Silva Falcade. Como representante da Emater de São Vendelino, a engenheira agrônoma foi a responsável por intermediar a comunicação e documentação do produtor com o Estado. Segundo ela, foi um longo trabalho até que o produtor pudesse começar a produzir legalmente. “Quando o Inácio nos procurou, vimos que poderia se enquadrar no PEAF, por ter a produção rural da matéria prima. Porém, a legalização e a inclusão no programa são processos que realmente levam certo tempo”, disse Márcia.

A engenheira agrônoma diz que o esforço vale à pena, pois são muitas vantagens para o produtor. “Além dele poder comercializar o alimento processado via talão do produtor, sem a necessidade de abrir uma empresa, o livrando de certo impostos, há também todo o auxilio que ele recebe da Emater. Desde a criação de rótulos, tabelas nutricionais, métodos de produção, ou seja, auxilia os produtores em todos os processos”.

Outro problema foi apresentado a Herpich, agora na manutenção da estrutura física da agroindústria. Em uma das fiscalizações da 5ª Coordenadoria Regional da Saúde (5ª CRS), de Caxias do Sul, foram encontrados alguns problemas em sua área de produção. “Segundo os fiscais, haviam algumas irregularidades, como portas sem fechamento automático, bacias em material  e cor inadequados, além da falta de um tipo de pintura específico nas paredes”, comentou o produtor.

Inácio Herpich faz aos poucos as adequações sanitárias solicitadas pela Vigilância Sanitária. Foto: Guilherme Rossini/Beta Redação

Inácio Herpich faz aos poucos as adequações sanitárias solicitadas. Foto: Guilherme Rossini/Beta Redação

O Especialista em Saúde na 5ª CRS, Edson Pedro Berti, 59 anos, diz que há varias questões que são levadas em consideração nas inspeções. “Inicialmente, as orientações são para a área física buscando atender a legislação no que diz respeito a: paredes, piso e forro de todos os ambientes da agroindústria que devem seguir a legislação específica. Além de banheiros para ambos os sexos, ralos, portas, janelas, entre outros devem seguir a mesma legislação. A produção deve atender uma sequência linear e evolutiva o que significa: das áreas sujas para áreas limpas. Da entrada da matéria prima, passando pelas áreas de produção, seguindo para embalagem após expedição”, explicou Berti.

Para obter o alvará sanitário, o dono da agroindústria está designado a desembolsar pouco mais de R$ 8.000, a fim de sanar todos os problemas apontados pela fiscalização. “Sabemos que é importante cumprir essas exigências, e estamos fazendo isso aos poucos. A Márcia está conduzindo um projeto para que somente precisemos pagar 20% do que foi orçado”, disse Herpich.

O produtor contabiliza todos os seus gastos com a agroindústria até agora, e diz que são superiores a R$ 100.000,00. “No primeiro e segundo ano da agroindústria eu produzia e vendia o bastante para pagar o financiamento de R$ 80.000,00 que precisei fazer. No entanto, a crise me afetou bastante, tanto na diminuição das vendas, como também no valor do produto. Nesse ano, não estou produzindo e vendendo nem para pagar o financiamento, o que complica muito a minha situação. Espero que o ano que vem seja melhor, senão, provavelmente terei que fechar as portas”, concluiu Herpich.

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