Economia

Agência de conteúdo é um novo formato de comunicação

Alexandre de Santi e Sílvia Lisboa, sócios da Fronteira, trabalham com criação e edição de conteúdo multimídia e autoral

O casal de jornalistas Alexandre de Santi e Sílvia Lisboa resolveu desbravar o mercado do empreendedorismo investindo em uma maneira própria de produção de conteúdo. A Agência Fronteira, fundada em 2011, trabalha com narrativas em diferentes formatos de mídia e a ideia de criá-la surgiu a partir da insatisfação de ambos em relação ao conteúdo jornalístico presente no mercado. Essa percepção foi o fio condutor por trás da ideia de oferecer material de qualidade tanto a veículos midiáticos, quanto a empresas e demais interessados.

Com experiência em outros veículos de comunicação, a Fronteira não foi a primeira agência de conteúdo de Santi. Ele já havia tido um negócio neste formato, junto a outros sócios. Sílvia, por sua vez, acumulava o conhecimento de ter trabalhado em outros veículos, e, na época que decidiu empreender com o seu parceiro, terminava o mestrado na UFRGS. A oportunidade de investir em algo juntos veio a calhar, especialmente devido ao fato de que ambos não estavam mais contentes com o mercado no qual estavam inseridos.

E a iniciativa parece ter dado certo. Atualmente, em seu portfólio, constam publicações em veículos como a Superinteressante, Multishow, Canal Bis. Além disso, há livros, documentários e conteúdos para marcas como Tramontina e La Roche-Posay. A capacidade de centralizar a pesquisa, produzir e criar conteúdo para os mais variados canais de publicação, independente do tipo de mídia, são os principais diferenciais da Fronteira. O resultado deste trabalho é, sem dúvida, um material personalizado.

Mas, afinal, o que seria essa personalização? Alexandre explica. “O que nos difere é que temos um trabalho que é a cara do cliente. Uma assessoria, por exemplo, tenta vender um produto ou um release, que não vai ser veiculado na íntegra. Na agência, nós vamos entender que tipo de trabalho o nosso cliente quer alcançar, já eles estão buscando, efetivamente, conteúdo”, pontua.

Objetivos

O foco da Agência Fronteira não são notícias, visto que, segundo o casal, esse papel já é desempenhado por jornais, entre outros profissionais contratados para desenvolver matérias. Mas, embora já tenham vendido conteúdo esportivo e político para veículos como ESPN e Folha de S. Paulo, o objetivo do negócio são trabalhos maiores e que demandem mais tempo. Saúde e Ciência são, inclusive, algumas das editorias que a agência mais tem abordado.

Estudante de Jornalismo, Eduardo Dorneles conheceu a Fronteira quando buscava por conteúdos diferentes dentro do olhar jornalístico. “A Fronteira apareceu em uma das minhas pautas cotidianas e chamou atenção pelo conteúdo especializado, em que cada marca representada captava recursos distintos. É muito difícil unir tantas plataformas diferentes de comunicação”, enfatiza.

Contudo, para o sócio da iniciativa, a pesquisa para escrever um material para a Fronteira não se difere muito do trabalho feito por todo e qualquer jornalista. “Basicamente, funciona igual uma redação. Pesquisamos sobre o conteúdo, usamos fontes, utilizamos Skype, e-mail, o que estiver ao nosso alcance. Temos buscado muita informação também em artigos científicos e livros”, destaca Santi.

Desafios pela frente

Um caminho que ainda precisa ser trilhado – e que o jovem casal vem estabelecendo -, é o de unir jornalismo e publicidade. E a agência é o ponto de encontro entre essas duas áreas, pois ela deixa de ser algo utópico e passa a ser discutida na prática. Esse era, no início, o conceito do nome “Fronteira”, quando o negócio nasceu.

Hoje em dia, a agência conta com mais dois estagiários. Mas vale ressaltar que ela começou despretensiosamente, no formato home office. Porém, a medida que foram aparecendo clientes, ficava cada vez mais difícil conciliar as demandas com o trabalho fora. Então, seis meses depois que o projeto a Fronteira saiu do papel, ele ganhou um espaço físico na Rua Duque de Caxias, em Porto Alegre, para atender um grande contrato em que era necessário uma equipe.

Acordos

Segundo Santi, o contrato de trabalho baseia-se em uma relação de confiança. “Ninguém compra um texto de quem não conhece. Nosso trabalho também acontece muito por recomendação e é fechado por acordos. Claro, se demanda um contrato, como a editoria de um livro, também realizamos”, pondera.

Para o casal, empreendedorismo exige planejamento e muito esforço. Mas, entre os principais desafios, está o fato de que, na sua avaliação, não há, no mercado, um modelo para se espelhar. Entretanto, este pode ser o grande diferencial do negócio e o motivo pelo o qual a agência continua ampliando seus serviços e colhendo os bons frutos de estar na vanguarda.

Conteúdo produzido pela Agência/ Foto: Arquivo Pessoal

Conteúdo produzido pela Agência/ Foto: Arquivo Pessoal

Lida 734 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.