Cultura

“Adaptações”, um roteiro original da Beta Redação

Totalmente baseado em fatos reais, reportagem especial coloca escritores e roteiristas em cena para contar histórias de transposição da literatura ao cinema

Ariane Laureano, Arthur Isoppo, Dankiele Tibolla, Guilherme Rossini

Você com certeza já assistiu algum filme adaptado. No entanto, você sabe como são idealizadas essas obras?

 A adaptação fílmica ou cinematográfica é o processo de utilização do conteúdo de um livro para a gravação de um filme. Até aí tudo bem, o processo parece bem simples. Mas, você sabe, por exemplo, se é utilizada a história do livro todo para produzir o roteiro de um filme, ou até se alguma parte dessa história pode ser modificada nessa adaptação? Acreditamos que você já tenha se perguntado sobre isso, e com essas dúvidas, produzimos um documentário onde conversamos com alguns profissionais que já produziram e dirigiram diversos roteiros adaptados. Confira no vídeo!

“Adaptação é captar a essência da obra literária. Não os episódios daquele romance, não os eventos daquele romance, mas o que esse romance diz. Então se o filme captar isso está bem. Na verdade, eu acho que o que o autor pensa não é significativo”, explica o escritor Assis Brasil. Ele reafirma a ideia de que livro e filme são coisas completamente diferentes, no entanto,  ele entende que o livro tem uma interação muito maior com as pessoas que os filmes.  “O leitor participa mais do livro, do que o espectador do filme. O livro vai permanecer. O livro vai permanecer por muito tempo na cabeça do leitor. E o filme, por melhor que seja, terminado o filme, bom, ok, já vi”.

 O cineasta Vicente Moreno percebe que, ao produzir adaptações fílmicas, existem alguns fatores que influenciam diretamente na idealização do roteiro. “Tem vezes que a gente lê a obra e percebe que a estrutura dela não vai servir para o cinema, porque é um livro muito grande, porque é um livro que se dá em um tempo muito dilatado, ou porque é um livro que a própria linguagem exige coisas que no cinema não vai funcionar. Nesse caso a gente pode se libertar mais”, explica Moreno. Diante disso, ele entende que o importante é avaliar tudo o que se sentiu e se buscou na produção do roteiro e entender que o que se tem é uma nova obra, não uma cópia do livro.

Moreno reitera que, esse processo de adaptação é algo que “passa pela mão de muita gente”, e que por isso, inevitavelmente, o resultado final será diferente da obra literária em que se baseou. “Eu não vejo isso como problema, pelo contrário, eu acho que a gente tem que abraçar essa diferença, entender que ela existe e curtir como duas coisas. Por isso que eu acho problemática essa visão do fã do livro querer ver exatamente o que ele leu no filme. Ele tem que se libertar daquilo e conseguir aproveitar as duas coisas”, finaliza o cineasta.

Para o crítico de cinema Rodrigo de Oliveira, o processo de adaptação é apenas uma visão dos diretores e roteiristas e que há grande dificuldade em compará-las. “A linguagem cinematográfica e a literária são muito diferentes e, portanto, não é possível fazer juízo de valor se uma é melhor que a outra, por exemplo. São tão diversas que uma comparação seria impossível”, explica o crítico.  Segundo ele, o cinema nacional tem grandes obras adaptadas devido a qualidade e criatividade de seus cineastas. Para provar tal fato, Oliveira fez uma lista com cinco obras adaptadas do cinema nacional que todos deveriam ver ao menos uma vez. Veja os trailers dos cinco filmes indicados pelo crítico Rodrigo de Oliveira:

Saiba mais sobre os profissionais da reportagem:

Nome: Luiz Antonio de Assis Brasil

Profissão: Escritor

Principais obras adaptadas:  Livro “Manhã Transfigurada” que foi adaptado para um filme de mesmo nome, diferentemente do livro “Um Quarto de Légua em Quadro”, que deu origem ao filme “Diário de um novo mundo”.  Já o romance “Concerto Campestre (1997)”, foi adaptado para um filme de mesmo nome. Confira o filme Concerto Campestre aqui.

Nome: Bruno Goulart Barreto

Profissão: Diretor e Professor – UNISINOS

Principal adaptação:  “Linda, uma história horrível”, para um curta-metragem, a partir do conto de Caio Fernando Abreu de mesmo nome. Assista o curta “Linda, uma história horrível” aqui. 

Nome: Vicente Moreno

Profissão: Roteirista e Professor – UNISINOS

Principal adaptação: adaptou o livro “O Louco do Cati” de Dyonelio Machado,  que   resultou no filme “A última estrada da praia” (2011), em conjunto com o Fabiano de Souza.

Nome: Fabiano de Souza

Profissão: Diretor e Coordenador – PUCRS

Principais adaptações: Trabalhou como diretor no filme “A última estrada da praia” (2011), além de ter escrito sua  tese de doutorado como um roteiro fílmico do livro de Caio Fernando Abreu, “Morangos Mofados”.

Nome: Tabajara Ruas

Profissão: Escritor e Cineasta

Principais adaptações: foi um dos consultores da minissérie “A Casa das Sete Mulheres” (2002-2003), da Rede Globo. Produziu um documentário sobre o político Leonel Brizola chamado de “Brizola – Tempos de Luta” (2007). Em 1999, co-produziu e roteirizou a adaptação de seu próprio livro “Netto perde sua alma”, que você pode assistir aqui. Seu último trabalho foi a adaptação e direção do filme “Os senhores da Guerra” (2016), produzido a partir do livro de mesmo nome, escrito por José Antônio Severo.

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