Esporte

Adão, um vencedor

Em 1983, atleta venceu a primeira edição da Maratona de Porto Alegre, que levará milhares de corredores para as ruas no próximo domingo (12)

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Adão foi atleta da Sogipa (Foto: Henrique Standt)

 

O sol começa a se esconder, e a noite se aproxima. É o momento de Adão Juarez Camões, 65 anos, encerrar o treino com um aluno no Complexo Esportivo da Unisinos, em São Leopoldo. Ainda na pista de atletismo, passa as últimas orientações ao pupilo, que o escuta atentamente, e dá início a uma prova com alguns obstáculos, colocados no meio do caminho pelo tempo, para relembrar aquele dia gélido vivido na Porto Alegre de 1983.

À época, após mais de duas horas e meia de esforço, Adão cruzava a linha de chegada antes dos cerca de 130 concorrentes. Tornava-se, na ocasião, o primeiro vencedor da maratona da Capital, cuja 33ª edição ocorrerá no próximo domingo (12). Era a consagração na cidade grande do homem que um dia fora menino no interior do Vale do Caí. “Estava muito frio naquele dia”, recorda.

Adão trabalhava na Embratel, onde começou a carreira como office boy, e treinava na Sogipa. Formado em Educação Física em 2009, depois de 20 anos na faculdade, ele frisa que a vitória não foi resultado de uma preparação minuciosa para a prova. Sua rotina nos anos 1980 não lembrava a de um atleta profissional. Era após o expediente de trabalho que se dedicava aos treinos. Sobravam, assim, em média, de quatro a cinco horas para o sono diário. “Eu trabalhava de manhã e de tarde na Embratel. À noite, conseguia treinar na Sogipa. Não tinha, por exemplo, uma alimentação adequada”, ilustra.

A agitação das corridas de outrora continua visível em Adão. Enquanto garimpa o passado, não deixa de gesticular. Sorri constantemente. E filosofa: “A gente aqui é passageiro”.

Durante a fala, diz ter saído de casa ainda jovem para começar a carreira no Exército. Deixou para trás o campo, onde podia buscar frutas no pomar quando a fome dava as caras, e rumou para São Leopoldo. Mal sabia ele que, em meio às tarefas no quartel, nasceria o encanto pelo atletismo. “Comecei a correr no Exército. Mas, antes disso, já jogava futebol. Era meia pelo lado esquerdo do campo”, conta.

 

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Adão guarda em um álbum a imagem com o corredor queniano Paul Tergat. (Foto: Henrique Standt)

 

Depois de oito anos de serviço militar, Adão viu-se diante das incertezas geradas pelo desemprego. Resolveu retornar para Harmonia em 1977, que à época pertencia a Montenegro. No entanto, a vida interiorana foi interrompida novamente com a chance de trabalhar como segurança de um banco em Porto Alegre. Além disso, passou a treinar atletismo no Internacional. Contudo, a sensação de insegurança no trabalho o perturbava. Foi então que resolveu prestar concurso na Embratel.

Além da aprovação na empresa, Adão trocou o Inter pela Sogipa, onde morou em um alojamento. Apesar de se orgulhar de ter vencido a primeira Maratona de Porto Alegre, o aposentado salienta que teve a oportunidade de viajar pela Embratel e correr em estados como São Paulo e Rio de Janeiro.

Já é noite quando Adão relata que, atualmente, além de orientar treinamentos de interessados na prática de atletismo, permanece mais tempo dentro de casa e auxilia a esposa em algumas atividades. “Ajudo a fazer comida, a lavar a roupa”, destaca, sem esconder o sorriso. Entretanto, menciona que não abandonou o atletismo. Com tênis adequados e roupa esportiva, realiza corridas e caminhadas por lazer. “Correr é uma integração social”, classifica.

 

 

O esporte na terceira idade

Coordenadora do programa Pró-Maior, da Unisinos, que desenvolve atividades físicas com idosos, Suzana Hübner Wolff ressalta que a prática de esportes, se desenvolvida de maneira consciente, proporciona benefícios independentemente da idade. “O diferencial dos idosos é que esses benefícios contribuem significativamente para a manutenção ou alcance de capacidades, diminuindo o impacto natural de perdas físicas e orgânicas que ocorrem nessa etapa da vida”, analisa Suzana.

 

Maratona deste ano tem recorde de inscrições

A 33ª edição da Maratona Internacional de PoA recebeu 2.850 inscrições para as provas masculina e feminina, de acordo com o Clube dos Corredores de Porto Alegre (Corpa). Esse é o maior número já registrado pelo evento. Na soma de todas as modalidades, segundo a organização, 7,5 mil inscritos tomarão as ruas da capital gaúcha, outro recorde.

 

Confira os horários das provas:

6h45min: Maratona feminina

6h55min: Cadeirante, handbike e especial (maratona)

7h: Maratona masculina e meia maratona

7h15min: Rústicas

8h30min: Maratoninha infantil

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