Política

Acampamento na Praça da Matriz discute democracia

Desde a última segunda-feira (11), lonas, taquaras e bandeiras coloridas formam um mosaico na Praça da Matriz, em Porto Alegre. O “Acampamento da Legalidade e da Democracia”, organizado pela Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo, é contra o processo de impeachment que está em andamento no país. As duas Frentes são compostas por movimentos sociais, partidos políticos e centrais sindicais.

 

Foto: Sabrina Stieler/Beta Redação

(Foto: Sabrina Stieler)


No acampamento, a bandeira que mais se destaca é a do Movimento Sem Terra (MST). Segundo Catiana de Medeiros, da assessoria de comunicação da Frente Brasil Popular, cerca de 500 integrantes do MST estão acampados no local. Outros grupos vinculados a movimentos sociais também se somam. “Ontem à noite (terça-feira) havia mais de 800 pessoas aqui”, salienta Catiana.

No local, além das barracas, tendas dos movimentos estão instaladas. Banheiros químicos dão suporte aos participantes e uma cozinha comunitária foi montada. “Os vegetais, como salada, moranga, batata e o arroz são de assentamentos do MST. Estamos recebendo doações e todo dia há um revesamento para ajudar a fazer as refeições”, esclarece Juarez de Souza Ribeiro, integrante do Assentamento Apolônio de Carvalho, de Eldorado do Sul.

 

 

Foto: Sabrina Stieler/Beta Redação

Foto: Sabrina Stieler/Beta Redação

 

Durante todo o dia, acontecem diversas atividades organizadas pelos participantes. “Na parte da manhã, temos atividades de estudos e formação, à tarde acontecem oficinas, no final do dia sempre tem uma aula pública e à noite, ocorrem atrações culturais”, afirma Catiana. As aulas públicas são ministradas por convidados, que vão voluntariamente até a Praça discutir temas vinculados a conjuntura política atual.

O fascismo em discussão

Na tarde de quarta-feira (13), ocorreu a aula pública sobre “O avanço do ódio e do fascismo”. A conversa foi realizada pela filosofa e escritora Márcia Tiburi e a deputada estadual  Manuela dÁvila (PCdoB). As falas das participantes foram principalmente sobre os discursos de ódio que têm se acirrado na internet e fora dela. 

Para Márcia, a palavra democracia está sendo usada atualmente em dois sentidos no Brasil. “Um, no sentido radical. É aquela (democracia) que tentamos realizar com as pessoas que estão próximas e acreditam em uma mesma visão. O outro sentido é quando se utilizam da palavra democracia para acobertar um processo totalmente antidemocrático”, opina a professora. Ela ainda ressaltou a necessidade de criar diálogo com aqueles que pensam diferente. “Nós precisamos entrar em processos de diálogo se quisermos construir uma democracia que seja consistente”, ressalta a filosofa.

 

Foto: Sabrina Stieler/Beta Redação

(Foto: Sabrina Stieler)

 

A deputada Manuela d’Ávila afirmou que há um novo fascismo em nossa sociedade. “Isso que ocorre hoje em dia não é um fascismo disfarçado, como muitos querem acreditar”, e lembrou o episódio da médica pediatra que recusou atendimento a uma criança por ser filha de uma militante do Partido dos Trabalhadores. “Não podemos cometer os erros do passado e criar categorias para o ser humano, como se não fosse de carne e osso, que não tem uma história, que não tem uma família, que não tem uma vida. Foi feito isso com os judeus, por exemplo”, salientou a deputada.

Lida 524 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.