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Abril Verde: mês dedicado à saúde do trabalhador

Movimento busca chamar atenção para a prevenção de acidentes de trabalho

Para cada mês, uma cor e um significado. O movimento Abril Verde busca chamar a atenção da sociedade para os altos índices de acidentes de trabalho e partiu de uma iniciativa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) de escolher o dia 28 de abril como Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes de Trabalho. Neste mês também é comemorado o Dia Mundial da Saúde, no dia 07 de abril.

Segundo a OIT, o Brasil é o quarto país com maior registro de acidentes trabalhistas, atrás da China, Índia e Indonésia. Conforme o Anuário Estatístico da Previdência Social, divulgado em 2014, ocorreram cerca de 700 mil acidentes do tipo no país. Já os números mais recentes da Previdência, relativos a 2015, indicam que houve uma redução do número de ocorrências, baixando para 612 mil. No Rio Grande do Sul, foram registrados 59.658 acidentes de trabalho em 2014, situação alarmante que deixa o estado na terceira posição, ficando atrás apenas de São Paulo (239.280) e Minas Gerais (73.649).

Para o desembargador Raul Zoratto Sanvicente, gestor regional do programa Trabalho Seguro, a redução do número de acidentes não é motivo de comemoração. “Reduzir os patamares inaceitáveis de acidentes no Brasil é um desafio para toda a sociedade. É importante observar que esta redução, multifatorial, não provém de investimentos em prevenção, houve uma retração na atividade econômica, além dos acidentes que não são notificados”.

O funileiro Jonathan Jainne tornou-se parte das estatísticas esse ano, lesionando o dedo da mão esquerda enquanto trabalhava. “Fui fazer uma peça de reposição para colocar no para-choque de um caminhão. Quando precisei furar a peça, segurei a chapa de ferro com a mão, a broca da furadeira trancou e a chapa acabou atravessando o meu dedo”, conta.

Além da ida ao hospital, Jainne levou 15 pontos no dedo, ficou cerca de um mês sem trabalhar e segue fazendo fisioterapia para conseguir recuperar todos os movimentos da mão. Ele lembra que quando o acidente ocorreu estava sem o equipamento de proteção: “Nós temos as luvas, agora sempre uso”.

 

(Foto: Jonathan Jainne)

Jonathan ficou um mês sem poder trabalhar (Foto: Jonathan Jainne)

 

Durante o mês de abril, o movimento busca chamar atenção da população para uma prevenção que deve ocorrer durante todo o ano, tornando o ambiente de trabalho cada vez mais saudável. Segundo o cipeiro da empresa TAP ME, Adriano Pontes, , as Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPAs) auxiliam nessa função. “É a norma NR5. Toda a empresa com mais de um certo número de funcionários deve contar com uma CIPA. A comissão age de forma preventiva, observando e relatando para a empresa quais medidas são necessárias para tornar o ambiente mais seguro para os funcionários”, explica.

Pontes ainda ressalta a importância dos equipamentos de proteção, os EPCs e EPIs: “Também está na lei, são equipamentos indispensáveis”. O EPI está relacionado aos utensílios individuais do trabalhador, como, por exemplo, o capacete. Já os EPCs são itens que garantem a segurança coletiva, como um dispositivo de bloqueio ou uma grade. A técnica em segurança do trabalho da Corsan, Álida Van Der Maat, destaca as diferenças entre os dois tipos de equipamento: “Ambos são muito importantes, mas o EPI não evita o acidente, evita a lesão, diferente do EPC”.

 

Trabalho em altura

O uso do equipamento de proteção é estabelecido por lei (Foto: Corsan)

 

Segundo Álida, além da lei NR5, outras leis são fundamentais para a prevenção de acidentes, como a Norma Regulamentadora Nº 9, o programa de prevenção de riscos ambientais. “A partir desta norma é realizado um reconhecimento do ambiente, sendo então relatados todos os riscos e as medidas que devem ser providenciadas pela empresa”, explica.

A técnica em segurança do trabalho também cita a importância da NR1, norma que trata sobre as disposições gerais relativas à segurança do trabalho. Para o desembargador Raul Zoratto Sanvicente, as normas são bem elaboradas, mas precisam ser cumpridas de maneira mais efetiva pelas empresas: “A NR 1 impõe deveres aos empregadores e aos empregados.  Trata-se de implantar definitivamente e de forma consciente uma cultura de prevenção de acidentes e doenças ocupacionais equiparadas. A legislação brasileira em matéria de saúde e segurança no trabalho é muito boa, mas de forma geral é cumprida sob uma visão meramente burocrática”.

Programa Trabalho Seguro

O Programa Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho é uma iniciativa do Conselho Superior da Justiça do Trabalho e do Tribunal Superior do Trabalho, em parceria com diversas instituições públicas e privadas para diminuir o número de acidentes ocupacionais. No Rio Grande do Sul, o programa é representado pelo Desembargador do Trabalho Raul Zoratto Sanvicente e pela Juíza do Trabalho Luciana Caringi Xavier.A gestão regional do Programa Trabalho Seguro estrutura-se em parcerias com diversas instituições, como Ministério do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho. Atualmente, a meta nacional vêm trabalhando com o tema da prevenção de transtornos mentais relacionados ao trabalho. É um tema considerado tabu, que envolve muito preconceito”, explica Sanvicente.

 

(Foto: Inácio do Canto - TRT-RS)

Fachada do TRT – RS é iluminada em apoio a campanha Abril Verde (Foto: Inácio do Canto – TRT-RS)

 

28 de abril – Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes de Trabalho

A data escolhida pela Organização Internacional do Trabalho para lembrar às vítimas teve origem devido a um acidente que matou 78 trabalhadores em uma mina no Estado de Virgínia, nos Estados Unidos, em 1969. A iniciativa da OIT surgiu devido a uma campanha de sindicatos canadenses. No Brasil, a lei nº 11.121, promulgada em maio de 2005, instituiu o dia 28 de abril como o Dia Nacional em Memória às Vítimas de Acidentes e Doenças de Trabalho.

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