Cultura

A cultura não acabou

Turista de Porto Alegre que viajou para Paris para ver o U2, show que foi cancelado, relata como está o cenário cultural da cidade após os atentados

Quem nunca sonhou em ir para Paris, conhecer a Torre Eiffel a Catedral Notre Dame, uma cidade romântica, encantadora, luxuosa? Esse foi o destino escolhido pelo casal Gisele Caroline Folli e Jorge Soares, de Porto Alegre. Conforme planejado desde o início do ano, eles viajaram para assistir ao show da banda U2, que aconteceria no domingo, dia 15, dois dias depois de Paris sofrer os atentados terroristas do Estado Islâmico.

Gisele relata que estava no hotel, que fica a uns cinco quilômetros do Bataclan – um dos seis lugares que foram atingidos na série de ataques coordenados, com explosões e tiroteios -, quando então começaram a passar muitos carros de polícia e ambulâncias, porém ela ainda não sabia o que estava acontecendo. Então, ao ligar a TV, e ver os noticiários locais, pôde acompanhar ao vivo os ataques que, depois, afetariam inclusive a cultura da cidade.

A casa de shows Bataclan está na 50 Boulevard Voltaire, foi projetada em 1864, e seu nome faz referência à ópera de Jacques Offenbach. Era muito conhecida na cidade, pois além de shows, era uma casa de teatro. No dia 16, a equipe da casa emitiu a seguinte nota em seu site: “Caros amigos: Não há palavras suficientes para expressar a magnitude da nossa dor. Nossos pensamentos estão com as vítimas, os feridos e seus entes queridos. Vocês gostariam de vir e prestar suas homenagens no Bataclan, mas, infelizmente, as autoridades ainda precisam trabalhar no local. Vamos mantê-los informados sobre quando será possível reunir em frente à casa. (…) Agradecemos seu apoio, que nos toca profundamente”.

"Reze por Paris", diz faixa pendurada na frente do Bataclan / Foto: Gisele Folli

“Reze por Paris”, diz faixa pendurada na frente do Bataclan / Foto: Gisele Folli

Enquanto isso, a casa de espetáculos Le Zénith Paris retomou no dia 17 a sua programação, com o show do grupo britânico Simply Red. No site da casa, houve um pedido de paciência e organização, uma vez que era esperado um público de mais de 6 mil pessoas, para facilitar as revistas pessoais e em bolsas.

A cultura da cidade está visivelmente abalada, segundo Gisele. O maior movimento é de policiais e homens do exército. As pessoas se assustam muito facilmente, e o simples estouro de um copo, por exemplo, é motivo de correria. Mas os pontos turísticos, como a Torre Eiffel, o Museu do Louvre e a Catedral Notre Dame, estão funcionando normalmente. Porém, a pedido do governo local, o Museu do Louvre não está recebendo grupos de alunos – isso só será permitido a partir do dia 22 de novembro – e as pessoas que visitarem o mesmo não podem conter bagagens maiores que as medidas 55cm x 35cm x 20cm.

Torre Eiffel   Com a Monalisa - Museu do Luvre

Fotos: Gisele Folli

A ministra da Cultura da França, Fleur Pellerin, no entanto, pronunciou-se dizendo que os centros culturais estão funcionando normalmente. Ela reiterou que nesses momentos trágicos que a França está atravessando a cultura tem de ser mais do que um símbolo de descobrimento de si próprio e dos outros.

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