Política

Esteio zera fila de espera na educação infantil

4.971 crianças são atendidas no município que tem o título de Cidade Educadora

Foto Virgínia Machado

Foto: Virgínia Machado

A educação infantil é composta por quatro pilares essenciais para a formação humana, segundo o relatório “Um tesouro para descobrir”, elaborado em 2008 por Jacques Dellors para a Unesco. O pesquisador aponta que a educação básica “é um indispensável passaporte para a vida, que faz com que os que dela se beneficiam possam escolher o que pretendem fazer, possam participar na construção do futuro coletivo e continuar a aprender”, sendo ainda “essencial se quisermos lutar com êxito contra as desigualdades quer entre sexos, quer no interior dos países ou entre eles”. Baseando-se nesses preceitos, as diretrizes escolares passaram por diversas remodelações, concentrando o foco principal na construção de práticas cotidianas que fortaleçam esses objetivos. Em Esteio, com cerca de 84 mil habitantes, essa prática não só foi levada a sério como garantiu ao município o título de Cidade Educadora em 2008.

Tendo como umas das principais propostas de campanha em 2012 o fortalecimento da educação infantil, a segunda gestão de Gilmar Rinaldi (PT) já atingiu sua principal promessa: aumentar em quatro vezes as vagas nas creches e pré-escolas. Ao todo, o município possui atualmente 4.971 crianças atendidas, sendo destas, 1.943 em escolas municipais. Todo esse esforço se reflete por conta de uma das metas do Plano Nacional de Educação (PNE), apresentado em 2009, que previa zerar a fila de espera para vagas nas pré-escolas até 2021.

Segundo a secretária municipal de Educação, Carla Escosteguy, esse resultado só foi possível porque o município realizou uma força-tarefa em parceria com as instituições particulares para conseguir atender todos os inscritos, além da construção e reforma das escolas municipais.

A coordenadora da Central de Vagas do município, Maria Eduarda Chitolina, informa que somente na Escola Fundamental Gustavo Nordlund mais de 200 crianças são educadas através de parceria com a prefeitura. Além da compra de vagas nas particulares, a Secretaria Municipal de Educação e Esporte (SMEE) realiza o trabalho de assessoramento e fiscalização das instituições conveniadas, primando sempre pela qualidade do ensino e o respeito aos Princípios e Práticas Cotidianas das Escolas do Município de Esteio, cartilha lançada em 2012 que tem como objetivo a padronização do ensino em toda a cidade.

 

Escola aberta em tempo integral: mais educação aos pequenos

A educação infantil é dividida em duas etapas: a creche, de zero a três anos, e a pré-escola, composta por crianças de quatro e cinco anos. Outro pilar dessa construção é a conquista da educação integral, também prevista nas propostas de governo em 2012 e garantida atualmente. Ao todo, são seis escolas municipais e três escolas conveniadas, que realizam um trabalho não só de cuidar dos pequenos, como de embasar uma educação transformadora.

Segundo Joelma Guimarães, assessora escolar de educação infantil, são realizados anualmente diversos estudos que buscam reformular o modelo de aprendizado, fazendo com que passemos a observar mais a educação infantil como formação humana e cidadã e menos como assistencialismo para mães trabalhadoras. A assessora reforça que todos os funcionários participam de seminários para que estejam inteirados do convívio com as crianças e o comportamento especializado para lidar com a época de diversos aprendizados.

Foto Virgínia Machado

Foto: Virgínia Machado

 

Menina dos olhos do município, a Escola Municipal de Educação Básica Irmã Sibila é a única que realiza atendimento por meio do Pró-Infância, programa do governo federal que não só destina recursos para a construção de escolas infantis como também reordena os processos educativos. Inaugurada em 2011 e completando neste mês cinco anos de funcionamento, a escola, planejada para 120 alunos, já atinge atualmente a capacidade máxima de 170 matriculados. Atendendo crianças de zero a cinco anos, das 7h às 19h, a instituição é norteada pela rede Pró-Infância, que busca o aprendizado através do convívio social e práticas formativas. Segundo a diretora Vera Tancredi, os desafios são grandes, mas os ganhos são maiores ainda. Pensada como modelo educacional, a escola Irmã Sibila é um exemplo a ser seguido pelo município, já que atende 70% das crianças do Bairro do Parque e arredores.

Por conta da compra de vagas, Vitória Ramos, 23 anos, não teve dificuldades para matricular o filho Renan, na época com 1 ano e 3 meses. Aluno da escola Gustavo Nourdlund, uma das principais conveniadas, Renan possui os mesmos benefícios das crianças que pagam para estudar. Para Vitória, uma solução não só para ter com quem deixar o menino, mas também um lugar onde ele possa se desenvolver com segurança. “Eu gosto muito da escola, foi onde o Renan não só aprendeu a dividir as coisas, mas também a sentar para comer e realizar diversas atividades. Todo dia ele chega contando uma brincadeira nova que aprendeu”, reforça.

Assim como outras crianças, Renan é atendido pela educação integral, ficando na escola das 8h30 às 17h, para que Vitória possa trabalhar. Nesse período, ele recebe alimentação completa, uniforme escolar doado pelo município e ainda participa de atividades durante todo o dia.

 

Alimentação saudável é sinônimo de aprendizado reforçado

Por conta do turno integral, as crianças da educação básica realizam boa parte de suas refeições na escola. Vera reforça que esse momento também é importante na construção da ideia da alimentação como um pilar da educação, também um aprendizado. Ela explica que o almoço das crianças é junto ao dos funcionários, pois “é no almoço pedagógico que podemos dar a eles uma visão da importância do alimento, corrigi-los sobre como segurar um garfo ou se portar na mesa. Além de ser educativo, é sempre divertido para eles”, afirma.

Segundo Lislei Arozio, coordenadora do setor de nutrição da SMEE, uma equipe de nutricionistas pesquisa constantemente qual a alimentação adequada para as crianças, como fazer melhor uso de todos os alimentos e como aproveitar as estações para o consumo de frutas da época. Ela ainda informa que as crianças realizam cinco refeições na escola: café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde e, ainda, um lanche reforçado ao fim da tarde. A coordenadora reforça que o recurso repassado pela União, que neste ano foi de R$ 361 mil, não é suficiente para a demanda, mas que a prefeitura completa o valor conforme a necessidade.

Além de servir como refeição básica para muitas crianças que só têm o ambiente escolar como lugar de alimentação, a escola, explica Lislei, também estimula mudanças no comportamento alimentar, conforme atestam pesquisas com as crianças. “Nos últimos anos percebemos um aumento no número de intolerâncias ou alergias, a lactose ou outros derivados. Como precisamos atender essas crianças também, optamos por alimentos diferenciados como leites especiais. Isso gera um custo extra e uma preocupação constante”, informa a nutricionista.

Informações

Para saber mais sobre a educação infantil e o período de matrícula basta entrar em contato com a Secretaria de Educação, que fica na Rua Alegrete, 455. O horário de atendimento é de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 18h. Informações no 3473-0601 ou pelos e-mails [email protected] e [email protected]

Lida 778 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.