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7 mitos e verdades sobre a castração

Tire suas dúvidas sobre a importância de castrar seu pet

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A prática estimula a adoção responsável / Foto: Pexels

Qualquer pessoa que saia às ruas consegue comprovar que há dezenas (e até centenas) de cães e gatos abandonados. Segundo a Organização Mundial da Saúde, estima-se que, atualmente, há mais de 30 milhões de animais desabrigados no Brasil (10 milhões de felinos e 20 milhões de caninos).

Por isso, o assunto castração tem sido motivação para campanhas, ações de ativistas da causa animal e discussões em redes sociais, sempre trazendo à tona a importância do procedimento para reduzir o número de pets abandonados nas ruas. Além disso, também busca-se esclarecer que a castração pode mantê-los longe de doenças sérias como câncer de mama ou tumor de próstata.

O problema, contudo, é que muitas vezes as pessoas não percebem o quão significativo o procedimento pode ser para os animais domésticos. Isso porque há a circulação de muitos pensamentos falsos a respeito do tema. Entenda mais sobre os mitos e verdades:

1) Evita animais abandonados nas ruas.

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A OMS revela que, em cidades grandes, 10% dos pets estão sem lar e, em cidades pequenas, eles são equivalentes a 1/4 da população humana. Isso quer dizer que há uma reprodução descontrolada, e a castração pode mudar o cenário. “Não castrar leva a gestações indesejadas para as fêmeas, gerando uma alta reprodução de animais e, consequentemente, ao abandono”, aponta Rosane Reichelt, veterinária. Além disso, há perigos constantes para os que não têm lar: “Também devemos lembrar do sofrimento deles, especialmente por questão de atropelamentos e brigas na rua”, continua Rosane.

 

2) Os procedimentos são sempre muito caros.

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Existem diversas campanhas de castração acontecendo com incentivo da prefeitura e ONGs. Em Canoas, por exemplo, estão abertas as inscrições no Centro do Bem-Estar Animal para realizar o procedimento gratuitamente até o fim de abril. Além disso, Porto Alegre conta com a Associação Riograndense de Proteção aos Animais (ARPA) para procedimentos com valores mais baixos (a partir de R$50,00). Para saber sobre outras cidades, o adotante pode entrar em contato com ONGs locais e descobrir clínicas que têm baixos preços.

3) É necessário esperar a fêmea ter um cio para castrar.

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Muitas pessoas acham que a fêmea deve ter tido um cio – ou o macho deve ter se reproduzido pelo menos uma vez – para realizar a castração. De modo geral, veterinários não compartilham desta opinião. “O ideal é castrar as fêmeas em torno dos cinco meses, quando ainda não tiverem tido seu primeiro cio e tiverem sido dadas as vacinas”, afirma Rosane. “Já para os machos, eu particularmente recomendo em torno de oito meses para felinos e, para os cães, assim que as vacinas já estiverem em dia”, avalia. Fernanda Dias, protetora de animais da cidade de Viamão, afirma: “Antes de iniciar a causa, acreditava que só era preciso castrar depois da primeira ‘cria’. Mas todos os veterinários aconselham castrar por volta dos cinco meses. E faço questão de que todos os adotantes (para quem doo os filhotes) saibam disso”, conta.

Ainda de acordo com Rosane, a castração tardia pode acelerar o aparecimento de tumores, como o de mama, por exemplo.

 

4) Previne doenças.

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A castração é uma forma de prevenir doenças sérias e fazer com que o pet viva mais tempo. “No caso das cadelas, temos o benefício de evitar tumores de mama, útero e ovário, além da piometra (uma infecção grave de útero). Já nos cachorros machos, é possível reduzir o aparecimento de tumor de próstata e testículo”, afirma Rosane. De acordo com a Associação World Animal Protection, quando o procedimento é realizado cedo, antes do primeiro cio das fêmeas, pode diminuir em 99% a chance de câncer de mama.

Já para os felinos, a veterinária revela que a castração evita os “passeios”, fazendo com que ocorram menos brigas entre os gatos. Isso reduz, também, cortes, machucados, contração de viroses, AIDS felina, leucemia, micoses e ectoparasitas (pulgas e sarnas, por exemplo). “Normalmente atendemos a animais mais velhos, alguns já com metástase e tumores inoperáveis. Às vezes tendo que passar por cirurgias arriscadas, quimioterapia, sem contar os gastos com exames. A verdade é que a maior parte das fêmeas não castradas, infelizmente, vão apresentar, em algum momento, um tumor de mama ou infecção no útero”, constata Rosane.

Tereza Gonçalves conta que recentemente perdeu sua cadela, a Mel, de raça Daschund, aos seis anos, devido a um câncer de mama. “Eu não castrei a Mel. Achei que não fosse necessário porque ela vivia comigo no apartamento. Quando levei na veterinária, aqui em Canoas, já era tarde demais. Fiquei muito arrependida, se pudesse voltaria atrás”, conclui.

5) A castração é um sofrimento para o animal.

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O procedimento é simples, confirma a veterinária. Em fêmeas, retiram-se o útero e os ovários, sendo necessária a roupa cirúrgica, medicação e alguns dias de repouso. Os machos, por sua vez, têm seus testículos retirados independentemente da raça, podendo usar, às vezes, o colar elizabetano.

Muitas pessoas acreditam que castrar o pet é uma forma de retirar o seu desejo sexual. Porém, é importante destacar que a libido dos animais funciona de forma diferente do que os humanos. Segundo a Associação World Protection Animal, o procedimento reduz a frustração sexual, a necessidade por buscar “namoradas” e, também, comportamentos agressivos e marcações por urina.

6) Torna a adoção responsável.

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Atualmente, somente no Rio Grande do Sul, há no mínimo 20 grupos no Facebook com foco em adoção de animais. Por ali, ocorre a divulgação de cães e gatos resgatados para encontrar adotantes. Com uma frequência alta de postagens, diversos animaizinhos já acharam um lar por ali. Porém, a exigência de castração tornou-se uma triagem para protetores doarem os pets. Lucila Machado costuma interagir bastante com o grupo “Adoção de gatos Canoas – RS” e reporta que já realizou diversas doações. “Não sou protetora, mas sempre que posso ajudo. Quando doei alguns filhotes, falei com o adotante antes e o informei que era obrigatória a castração a partir dos cinco meses. Eu envio um termo de adoção também, para que eles respondam e me confirmem que se comprometem com esse requisito. Tive sorte porque todos os que doei castraram e me mandaram fotos, inclusive, para mostrar. Mas já vi protetoras que pegaram o filhote de volta porque o adotante não quis castrar”, recorda. “Além do questionário, também converso com a pessoa. Um rapaz já me disse, durante o papo, que tinha duas cadelas sempre presas na corrente. Daí vi que ele não cuidaria tanto assim, que deixaria sempre presa. Não é só dar água e comida, são precisos cuidados. E castrar é um deles”, declara. Por fim, Lucila fala: “Tenho uma amiga que atua na causa animal e é advogada. Ela me contou que, no termo de adoção, estipula uma multa em caso de maus tratos.” pontua.

A veterinária Rosane aconselha, antes da doação, “avaliar suas condições, o espaço que você tem em casa, o tempo que pode dispor para o animal e, assim, também evitamos o abandono”.

7) Significa que você não ama o seu animal.

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Muitas campanhas trazem como mote: “Quem ama cuida” (exemplo aqui: BlogFolha). Isso porque a castração é parte dos cuidados essenciais aos pets. “Quando você adota ou compra uma animalzinho, tem que saber que ele vai precisar de cuidados como higiene, alimentação, vacinas, atendimento veterinário, além de muito amor”, conclui Rosane. Fernanda completa: “Se você ama seu bichinho, vai querer que ele viva mais tempo ao seu lado. A castração é um passo essencial para que isso aconteça.”

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